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Correr na Cidade

Race Report: I Trail Maria Albertina

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Por Luís Moura:


Neste ano de 2015 em todos os fins-de-semana existem pelo menos 2 ou 3 trilhos espalhados por Portugal. Nos últimos 3 anos tem existido um crescimento muito grande das provas e actualmente as opções são muitas e com bastante diversidade em tipologias de terreno ou distância.


No Domingo de 10 Maio fomos correr o I Trail Maria Albertina, organizado pela Tertúlia Maria Albertina, ali pertinho da Azambuja. A previsão meteorológica apontava para algum calor e esperava-se um bom trilho, com várias zonas rolantes devido às ligações em estradão.

 

Pré-Corrida
Eu e a Liliana chegamos cerca de 1h antes da partida e fomos levantar o dorsal. Tudo muito simples e sem grandes embelezadores. Não existiam stands de venda de material nem os tradicionais quilos de publicidade no kit de participante, apenas o essencial para a prova. Também não tivemos direito à t-shirt do evento, mas porque a nossa inscrição já foi feita fora do prazo, ainda assim deram-nos a possibilidade de solicitar uma no final da prova, o que foi simpático.

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À medida que se aproximava a hora da partida, começamos a comprovar que efetivamente a temperatura iria ser elevada. Contámos que a organização estivesse preparada para este calor, pois são da zona e melhor que ninguém conhecem o terreno. Depois de falar com alguns corredores conhecidos e, de verificar que da zona de Lisboa apareceram perto de zero atletas dos grupos mais habituados a estas andanças, foi feito um pequeno briefing da prova relativamente à sinalética que iriamos encontrar e por fim foi dada a partida aos pouco mais de 100 atletas inscritos. Primeiro, às 10h, para a prova dos 17km e 15min depois para os que seguiram para os 8km.

 

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Here we go
A uma semana de uma prova grande, a cautela imperou. Mas não antes de fazer os 3km iniciais junto dos mais rápidos, com a finalidade de testar como estavam as pernas, aproveitando o facto de ser um trilho relativamente plano e bastante rolante.


O primeiro km foi feito a 3:47/km, nos 5 primeiros classificados, diminuindo no segundo km para 5:10/km depois de entrarmos num single track que me pareceu muito pouco lógico de percorrer. O track até era engraçado, no meio de um eucaliptal, mas o problema foram as curvas apertadas a cada 15/20metros, obrigando a travar muito forte à entrada de cada uma delas, o que fez com que o ritmo médio descesse muito. Depois entramos em 2 ou 3 estradões e fez-se o terceiro km a 4:11/km num sobe e desce curto e constante. Aqui rolava dentro dos 8 primeiros e comecei a sentir o corpo muito seco devido ao calor elevado que se fazia e decidi abrandar o ritmo e esperar pela Liliana. Parei no final de uma subida, perto dos 3,5kms. Supostamente a cerca de 500metros do primeiro abastecimento.


Entretanto começa a passar por mim o resto do grupo que compunha a prova dos 17km e os últimos já vinham com algumas dificuldades devido ao calor. Depois da Liliana me apanhar, retomamos a prova ao ritmo dela. O objetivo seria fazer a prova até ao fim e puxar um pouco por ela, já que nas últimas semanas tinha feito poucos km's. Uns metros depois juntava-se o percurso dos 8km, com alguns atletas a passarem à nossa frente, e seguimos por uma descida com uma breve sombra.

 

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H2O
Chegamos pouco depois ao km 4 e vimos um carro parado, com um voluntário da prova com uma sombrinha de praia e pensamos "boa, água!". Pelo briefing sabíamos que por esta altura iriamos encontrar o primeiro abastecimento de líquidos e por esta altura já estávamos os dois com pouca água no corpo e os nossos cantis já estavam perto de metade. "Água" dissemos nós ao jovem. "Para vocês é mais à frente", veio a resposta do jovem sem olhar para nós. Estranhamos, mas como estou habituado a seguir as indicações dos voluntários nas provas, continuamos.

 

Fizemos cerca de 500 ou 600metros e encontramos um outro voluntário, sozinho, a pé sem qualquer sombra e com um monte de garrafas abertas ao sol, mesmo antes da primeira de várias subidas mais ingremes, e novamente pedimos "água!"…  "Peço desculpa mas já não tenho nenhuma!"... Espera. Não têm água?!? "Já não tenho mais. Não beberam lá atrás no meu colega?"...humm?! Ainda ofereceu do seu monte de garrafas semi vazias um pouco de água para a Liliana se refrescar.

 

Depois do cérebro conseguir colocar as engrenagens a funcionar, chegamos à conclusão que o primeiro abastecimento deveria ser para os atletas dos 17km e o segundo para os dos 8km. Provavelmente o jovem do primeiro abastecimento pensou que eramos dos 8km e sem olhar para o dorsal ou nos questionar mandou-nos seguir, mesmo tendo águas dentro do carro. Foi aqui a falha.


E lá seguimos nós por lá acima, ao sol em mais um estradão com alguma inclinação sem sombras e com pouca água. Cerca de 2,5kms depois, no final da segunda subida, tínhamos a separação dos percursos para os 8 e 17km e encontramos mais um elemento da organização. "Têm água?"... "Não, peço desculpa, já acabou toda. Tem um abastecimento daqui a pouco mais de 1km"... Isto prometia. Os pontos de abastecimento estavam a bater todos na trave e o calor a aumentar com o subir da hora e do sol.


Na descida seguinte a Liliana ficou sem água no cantil e eu fiquei com para ai 1/5 do meu. Tinha que dar para ir até ao abastecimento seguinte. Entretanto apanhamos um outro corredor que se tinha enganado no percurso e acompanhou-nos na descida. Lá no final avistamos um outro carro com outra sombrinha e 2 elementos... ÁGUA!"...

 

Sempre a subir pelos estradões

Sim, lá ainda havia água e comemos um pedaço de banana e de laranja cada um. Enchemos os cantis, bebemos 2 copos de água e lá arrancamos. Deve dar até ao próximo, pensamos nós... Continuamos por estradões num sobe e desce por mais uns km's, quase sempre sem sombras. Olhávamos para os lados e via-se alguns bons trilhos para percorrer no meio do mato, alguns deles a precisar de limpeza mas outros com boas possibilidades de serem usados. Esta prova estava a tornar-se num estradão quase constante comprido à torreira do sol.


2km depois chegamos junto a uma pequena serra onde vimos fitas a seguir pela esquerda/frente, mas reparamos que o trilho seguia ligeiramente à direita com alguns corredores a passar lá ao longe. Aqui pensamos "ora aqui está um ponto fraco para qualquer prova. A facilidade com que alguém pode cortar aqui alguns metros". Por acaso até foi mais do que 1km a dar a volta.


Lá entramos na subida mais comprida da prova e quando chegamos ao topo estava um elemento da organização a tirar fotos e tinha 2 garrafões com ele. Como ainda tínhamos os cantis com bastante água e era suposto haver um abastecimento cerca de 2,5km mais à frente, continuamos sem abastecer. Descer por um misto de estradão e depois quase 1km por trilhos.... Trilhos!!!!! Soube bem aquela descida pelo meio da água, árvores, arbustos e afins... isto são trilhos :)


No final da descida, encontramos outro elemento da organização a indicar para virar à esquerda e seguir para o último abastecimento "é já ai à frente e tem uma bifana !!!"... já estávamos a ouvir  a história da bifana há já algum tempo e a desgraçada tardava em aparecer.


Começamos novamente a subir por... estradões! E a pensar no próximo abastecimento. O km14 passou e o 15 também. Começamos a pensar que o abastecimento seguinte que era para ser ao km14 já estaria para trás, uma vez que deveríamos ser os últimos a passar, provavelmente os voluntários já tinham abalado a pensar que todos já tinham ido... Por acaso, não. Por volta dos 15,5km lá apareceu uma tenda com muita água, vinho fresco e finalmente as bifanas que prontamente nos ofereceram. Reparei que estávamos na orla da vila e pensei que mais coisas vinham ai, pois ainda faltavam 1,5km para os anunciados 17km.

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Acompanhamento da GNR
Viramos à direita em sentido contrário ao da vila no abastecimento depois de beber 2 copos de água e ainda a comer a bifana, e lá fomos. Descemos um pouco, mais uma curva e na constante dos estradões lá começamos a subir. Pareceu-me que estávamos a dar uma volta a um pequeno vale e foi isso mesmo que aconteceu, visto que mais à frente demos com a rua que ficava poucos metros à frente do abastecimento. A Liliana já com algum desgaste do calor e com os poucos km's de treino nas últimas semanas já estava a ficar cansada e só queria parar. Mas com aquele calor, quanto mais depressa chegássemos, melhor para os dois.


Entramos na vila e fizemos os últimos 1,5km em alcatrão com acompanhamento policial que pensavam que estavam a fechar a prova, em direção à meta onde recebemos um "116 e 117" da organização... Eram os números dos nossos dorsais a serem ditados para um PC para registo. Foram 3h certas para fazer 18km.


Bebemos 2 copos de água, trocamos a roupa encharcada do suor e fomos comer um gelado fresquinho no bar do Centro Cultural e Recreativo de Casais dos Britos. Acabamos por não ficar para o almoço, não tínhamos comprado as senhas durante a manha antes da prova, mas ainda vimos as mesas postas e as muitas sobremesas maravilhosas em exposição. Este abastecimento era bastante farto!! Depois de colocar alguma água e arrefecermos o corpo, arrancamos para Lisboa debaixo de 33º de sol intenso, com as estradas nacionais apinhadas de peregrinos para Fátima.


Conclusão
Já contávamos com uma organização simples e sem grandes extras visto a organização ser uma coletividade local pequena, de pouco financiamento e possivelmente com poucos elementos experientes nestas andanças. Mas sabemos que é muitas vezes assim que as coisas correm melhor e são mais genuínas. E é por isso que não conseguimos perceber porque num trail curto tão perto de Lisboa contavam-se pelos dedos das mãos os corredores de Lisboa. Antes de arrancar a prova parecia mais um convívio entre moradores das redondezas, já que se conheciam quase todos.


O maior problema que tivemos foi o forte calor que se fez sentir e o facto da organização não se ter precavido convenientemente para ele. No primeiro abastecimento não pode faltar água em nenhuma prova, sobretudo  reforço de líquidos em que às 10:30 da manhã a temperatura já bate nos 30º. Não se compreende, ainda por cima quando vimos tantos corredores a arrancar da partida sem qualquer garrafa ou embalagem onde eles levassem líquidos, confiando unicamente nos abastecimentos. Se não fosse a minha experiencia de provas e andar sempre com o meu cantil da Salomon de 600ml à cintura, seguramente tínhamos passado por sérias dificuldades num trilho tão curto. É um ponto a rever com muita intensidade já que como já foi dito muitas vezes nos últimos tempos, as provas tem que ser para todos e não só para os primeiros. Chegarem aos abastecimentos e não haver àgua (ou comida como em outras provas ) não faz sentido... Água não pode faltar! E mesmo num contexto de gestão de abastecimentos entre duas provas que se cruzam num mesmo trilho, não faz sentido a organização não estar atenta aos atletas que por ai passam e encaminharem-nos para outro ponto, que não é o seu, e que estava em nítido défice de recursos.


Relativamente ao percurso, julgo que poderiam ter retirado um pouco dos estradões. A prova foi desenhada para ser simples, fácil e rápido de se fazer, mas num dia tão quente tanto estradão faz o evento monótono e difícil. Mais 2 ou 3km pelo meio da serra teria sido relativamente fácil de introduzir e assim cativar mais e massacrar menos as pessoas. Também encontramos cerca de 2 troços onde facilmente se podia atalhar caminho e poupar uns bons minutos à prova, apesar da mesma estar muito bem marcada. Sem dúvida que é um ponto a rever.


De resto achamos as pessoas todas simpáticas, prontas a ajudar em todas em questões e visivelmente felizes por ali estarmos. O almoço final pareceu-nos que deveria estar muito bem conseguido, e nem vou falar na mesa das sobremesas que embaraçava muitos restaurantes da praça tal a quantidade e diversidade de doces que tinha.


Desejamos que os organizadores do evento revejam o que correu bem e o que correu menos bem neste evento e tenham em consideração essas conclusões na preparação de edição de 2016. Honestamente achamos que têm muito potencial e boas infraestruturas para criarem um Trail com uma forte componente de convívio onde muita gente se pode iniciar na modalidade, mas que deverá ser bem redefinido para que as pessoas gostem e voltem a participar :)

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