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Correr na Cidade

Race Report: Azores Trail Run

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Por Nuno Malcata:

 

Para quem, como eu, nunca teve a oportunidade de visitar os Açores e gosta de correr nos trilhos, uma prova como o Azores Trail Run é literalmente ouro sobre o azul imenso do Atlântico.Assim decidi com a Joana incluir no planeamento deste semestre esta prova e aproveitar a oportunidade para passarmos férias e conhecer mais algumas ilhas dos Açores. Vários amigos se juntaram a esta vontade e agendámos viagens e estadias no Faial, São Jorge e Pico com a devida antecedência.

 

O Azores Trail Run foi constituído por 2 provas de distâncias distintas, o Fail Costa a Costa de 48km que percorria a ilha do Faial e o Trail dos 10 Vulcões de 21km que percorria a parte final da prova maior.

 

Cheguei ao Faial na véspera da prova, tendo passado por Santa Maria, São Miguel e Pico antes de chegar ao Faial. Fomos levantar o kit de participação, recheado de coisas boas como atum e mel além do dorsal e tshirt técnica da prova. Além de outras iniciativas que a Bo já falou, houve uma bela Pasta Party, um dos meus momentos preferidos de convívio entre atletas antes da prova.

 

A partida da Ultra estava marcada para as 9h num dos extremos da ilha, os atletas das 2 provas partiram em autocarros para o local de partida ás 7h da Horta. Aqui as boas vindas eram feitas com pequeno almoço e um ambiente de festa. Entre atletas o convívio era animado, bastantes caras conhecidas e outros que fomos conhecendo, estreitando laços. Chegada a hora da partida o ambiente estava elétrico, a ansiedade nestes momentos é grande, muitos sorrisos, bonito de ver e sentir.

 

Depois da primeira Ultra no Piodão, e dos Gerês Trail Adventure, tanto o cansaço acumulado como algumas mazelas nos pés me condicionaram fisicamente. O meu objetivo era simplesmente desfrutar do trajeto da prova e enquanto assim fosse continuaria em prova. As expetativas tinham aumentado no dia anterior numa breve visita à caldeira, um dos locais onde a prova passaria.

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Partida dada, comecei cheio de cautela, sabia que tinha de aquecer para me sentir confortável e garantir que fazia toda a prova ou pelo menos até ao final da Caldeira. Os primeiros kms, pela altimetria prevista, seriam rolantes mas percebi que alguma coisa não estaria bem com a altimetria planeada quando começamos a subir bem ao km2. De todos as componentes organizativas que envolveram a prova, esta foi a única que merece um reparo, a altimetria fornecida e apresentada no dorsal não coincidia com o trajeto que foi feito.

 

Ao fim de 30min já não estava quente - estava a ferver, o sol apareceu em força e a decisão de levar pele extra foi errada e tive de a tirar porque me sentia a cozer. Mais fresco, segui no meu passo nada rápido mas certinho, fiz com tranquilidade as primeiras subidas, em amena cavaqueira e na subida grande para a Caldeira apertei passo e concentrei-me.

 

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Chegado à Caldeira o misto de fascínio e encantamento invadiu-me, a vista deslumbrante para a Caldeira de um lado e da Costa do outro fez com que não conseguisse correr mais de 200m de cada vez sem parar para filmar ou tirar fotografias.

 

Ao km25, numa fase mais acidentada, comecei a sentir algumas dificuldades físicas, não resultantes das mazelas dos pés como receava, mas musculares. Acautelei o ritmo, consumi sal, mas cheguei bastante cansado ao abastecimento do km28. Neste abastecimento aproveitei para me alimentar bem, dar notícias à Joana, que tinha começado a sua prova às 11h, e aos elementos da Crew que ficaram em Lisboa.

 

Mais descansado e revigorado, sem me sentir limitado, segui para os restantes 20km. Pensava que estes 20km seriam mais tranquilos, a altimetria positiva estava em grande parte feita, pelo que controlando o ritmo e a gestão do corpo, chegaria ao fim dentro das 8h que previ para terminar a prova de forma calma.

 

A seguir ao abastecimento do km28 o terreno permaneceu de difícil progressão, com bastante lama, e só aos 35km veio uma descida em estradão boa para soltar e recuperar algum do tempo "perdido". A fase final da prova foi a que me custou mais, com algumas subidas "extra" seguidas de descidas em escadas, que me moeram os joelhos já cansados.

 

Chegado aos Capelinhos, já com as escadas todas feitas, foi altura de desfrutar do local diferente e soltar um pouco o corpo. Os 2km finais foram feitos a ritmo solto, de meta à vista e sorriso aberto. Adorei a chegada, das várias provas de Trail que já fiz neste 15 meses de modalidade foi a chegada que mais gostei, que recepção calorosa, cada um, seja primeiro ou último sentiu-se realmente especial nesta chegada. Entre outros amigos, tinha já a minha Joana e o João Gonçalves à minha espera, e ser abraçado por quem nos é tão querido depois de uma longa jornada como esta é muito emocional.

Para fechar este dia magnífico ainda desfrutei das piscinas naturais dos Capelinhos, mergulhar as pernas cansadas nas águas límpidas deu para me sentir rejuvenescido, e terminamos com o jantar de fecho e entrega de prêmios, tudo muito bem organizado e mais uma vez com um ambiente de festa que fica nos álbum das óptimas recordações.

 

Deixo aqui os meus PARABÉNS a todos os que contribuíram para a concretização desta prova, desde a organização aos muitos voluntários, tudo fantástico.

 

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Após esta prova, é hora de dar descanso ao corpo e mente, aproveitando para passar férias nos Açores e planear próximos desafios, mas desses falarei daqui a uns tempos. Foi um semestre cheio deles, dos desafios, desde a Maratona em Sevilha, a Ultra no Piodão, o GTA e agora o Azores Trail Run. Preciso reencontrar o equilíbrio para fazer mais e melhor. Ultrapassar desafios é bom e motivador, não mata, mas cansa, e é preciso descansar.

 

Boas férias!

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