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Correr na Cidade

Race Report: 100km São Mamede - a vingança dos moinhos

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Por Luis Moura:

 

Ponto prévio no artigo: sou competitivo por natureza. Aprendi a ser sempre o melhor que consiga ser nas tarefas que me proponho a fazer. Não sou conduzido pela competição mas não gosto de perder nem a feijões. Apenas e só gosto de me deitar ao final do dia com o sentimento de ter a consciência tranquila que fiz tudo aquilo que era possível.

 

Nesse ponto, e depois de muitos anos de atleta federado, a corrida nestes 4 anos que a pratico mais a sério, tem-me ensinado muito. É impressionante a quantidade de pormenores que nos vamos apercebendo nos treinos/corridas e a quantidade de força e determinação que pensávamos que não tínhamos. Ou melhor, ela sempre esteve cá dentro, apenas não a conhecíamos nem a tratávamos por tu. O nosso cérebro passa a ser a nossa amante pois é com ele que passamos tantas e tantas horas a dialogar sozinhos, os dois, sobre tudo o que passamos e sobre nada. Reclamamos, rimos, dizemos asneiras e sorrimos sempre em conjunto.

 

Tem que existir espaço e tempo para os treinos sociais e para os nosso treinos mais "competitivos". Quando me inscrevo numa prova oficial, com o esforço e dedicação de toda uma organização por detrás, é para dar o meu melhor a correr. A luta será sempre comigo e com o relógio. Comigo e contra mim. Não comigo e com os outros. Correr do principio ao fim, ou sempre que possível sem entrar em paranóia. Em algumas provas apanhamos declives onde é praticamente impossível correr, e essa é a beleza do trail. Aprender a gerir as secções e dar o nosso melhor.

 

Isto para dizer que para mim o trail é sempre para dar o meu melhor, ou pelo menos enquanto conseguir. Nunca vou conseguir chegar a pódios da geral por vários motivos, mas vou dar sempre o meu melhor enquanto conseguir. É um sensação brutal chegar a uma meta, cansado e com o coração aos pulos e com um grande sorriso nos lábios. A nossa auto-superação e ultrapassar os limites que pensávamos que tínhamos e que afinal com esforço e dedicação passam a ser outros.

 

Cada um é livre de o fazer mas sendo atleta desde pequeno, acho que competição é para trazermos o que de melhor temos dentro de nós sem entrarmos em exageros. Essa é a pequena linha que teremos provavelmente que redefinir. Qualquer prova competitiva por inerência... é competição. Digam o que quiserem, que existe um tempo grande para a fazer, não deixa de ser competição. Para cada um de nós essa definição será sempre diferente, pois somos todos diferentes, corremos a ritmos diferentes, temos pesos diferentes, temos expectativas diferentes, temos drives internos diferentes. No entanto, deverá ser sempre para darmos o nosso melhor.

 

Infelizmente gostava de tirar imensas fotos aos sítios por onde passo. Porque se uma coisa boa tem o trail é as paisagens e os sítios maravilhosos por onde passamos. Muitos em determinado estado selvagem. Tenho pena, porque gostava de guardar para a "eternidade" tudo aquilo que vejo, mas tal não me é possível tendo em conta a maneira como encaro as provas.

 

Dai que também gosto muito de em outras ocasiões, quando posso, caminhar por alguns dos trilhos por onde corremos. Traz-nos imensas memorias boas e sorrimos.... sorrimos muito :)

 

Os moinhos de 2014

 

No ano passado desisti na prova ao km 25, na subida para as antenas. Mea culpa a 100%. Fui para a prova com uma boa preparação, mas não a suficiente. E arranquei um pouco rápido demais na altura. Rápido demais para o que poderia aguentar. São coisas que aprendemos. Aprendi imenso nos meus primeiros 10km, aprendi também muito na primeira meia, na primeira Maratona e por ai fora. E nos 100km não foi diferente.

 

Desde então UTSM ficou planeado para 2015 como um dos principais objetivos. Seria a vingança dos moinhos ( antenas :) ). Treinei muito, esfarrapei-me nas escadas e nas rampas, coloquei km's em cima de km's com D+ com fartura. Muitas vezes dei por mim a fazer treinos quase no limite. Algumas vezes fui correr com amigos devagar e para gozar o simples facto de correr. Faz parte.

 

Deixei muita atividade particular escorregar para segundo plano para treinar para 2015. Deixei de ir a muitas provas pequenas apenas para treinar para UTSM. Era o meu objetivo para o primeiro semestre de 2015. Era a minha liga dos campeões. Era a minha travessia do rio na minha Barca da Glória.

 

Antes da corrida

 

Tudo foi preparado ao pormenor. Cada etapa entre PAC's, o que levar vestido, onde mudar a roupa, onde comer, onde reforçar com isotónico ou magnésio. Nas ultimas semanas fui reduzindo nos treinos para deixar o corpo descansar e chegar ao evento descansado e pronto para o embate. Tirei a sexta-feira de férias para preparar o saco sem pressas, comer tranquilamente e ir para Portalegre sem pressão.

 

Na parte da manhã de sexta-feira preparei os sacos para a corrida. Saco com a roupa para a partida, saco com roupa para mudar durante a corrida que a Liliana iria levar PAC a PAC no carro, dois pares de sapatilhas, as velhinhas Raven 3 e as Reebok All Terrain muito mais leves para a parte final, comida em barras q.b., buff em quantidade, GPS carregado, frontal carregado e com bateria extra na mochila, àgua com fartura no carro. Tudo pensado com dias de antecedência e executado no dia.

 

Tendo a sorte de a Liliana ir acompanhar-me durante a corrida toda PAC a PAC, toda a logística pôde ser pensada de maneira diferente. Já não era preciso enviar o saco de roupa para mudar apenas no PAC 6 no Marvão, pois poderia mudar em qualquer PAC, não existia necessidade de carregar roupa ou comida extra, pois podia usufruir quando quisesse ou precisasse. Além de que ter o apoio dela durante a noite fez uma diferença brutal em termos de suporte e motivação. Ter aqueles olhinhos grandes e redondos a olhar para mim de cada vez que aparecia do meio da escuridão, é sempre um revitalizador gigante.

 

Saímos ligeiramente mais tarde do que o previsto para Portalegre por causa do Manuel Abrantes, mas ele depois compensou o erro ganhando a categoria SUB23M no trail curto. Vá lá, foi por uma boa causa :) Já dentro da AE 2 e ao fim de uns 20min, a Liliana apercebe-se que se esqueceu da carteira em casa. Portanto, documentos pessoais, dinheiro, MB, etc... nicles. Se tivéssemos saído 1H mais cedo dava para ir a casa e apanhar mas em cima da hora, optou-se por seguir viagem. Tudo culpa do Abrantes!

 

2H depois estávamos a entrar em Portalegre, quando o sol já estava quase completamente escondido. Ainda deu para visualizar todas as serras que rodeiam a cidade e que iriamos percorrer nessa noite e na manhã seguinte.

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Depois de estacionar, levantar os dorsais e vestir a roupa de arranque fomos relaxar um pouco antes do arranque da prova. Cumprimentar as dezenas e dezenas de conhecidos que se juntam para esta festa de convívio e desporto, e pouco depois das 23:30 entramos para o curral de saída. A tensão começa a subir à medida que os atletas começam a juntar-se e a povoar cada vez mais o espaço exíguo da saída. Muitos tentavam furar pelo meio de nós para saírem mais à frente, naquela velha máxima de que sair à frente é melhor :)

 

Entretanto o concerto da banda de covers dos Xuto's foi interrompido para se efetuar a saída. Já tocavam há 1 hora e tiveram ali um momento de descanso :)

 

Para além dos 600 atletas que partiram, que estavam bem mais do que isso a apoiar e a bater palmas. Seriam para cima dos 1000 todos aqueles que estavam naqueles metros iniciais da prova. Se uma coisa não falta em Portalegre, é moldura humana, no inicio, meio e fim da prova. É uma coisa muito própria naquele sitio o aparente orgulho que as pessoas têm em executar este evento e apoiar como podem.

 

00:00 - PAC 0

 

Arranque dos malucos dos 100km. A Liliana e o Manuel colocam-se depois da partida para verem os atletas a passar mas eu no meio da confusão, tentando manter um olho no chão e o outro nos outros atletas que nos tentavam passar pela esquerda e direita como se a prova acabasse daqui a 50metros, não os vi. Parti uns 5 ou 6 segundos depois do tiro de partida, o suficiente para ao fim de 200 metros estarem pelo menos 200 atletas à minha frente, todos com ganas de me mandar correr no meio do pó :)

 

Uma coisa que não falta em S.Mamede são estradões, estradões cheios de pedras soltas e pó, muito, muito pó no ar depois da passagem de quem vai à nossa frente.... uma constante a aflorar mais à frente.

 

No primeiro km saímos do estádio, contornamos pela esquerda e entramos num estradão muito seco. Com a experiência do ano passado na memoria ( !!! ), já tinha planeado deixar o corpo correr calmamente no 1km e deixar o coração e os pulmões aquecerem e entrar em ritmo de corrida. Com uma ligeira subida na parte final, ainda deu para 5:18/km, imagino a malta que arrancou que nem foguete. Nesta altura era preciso estar muito atento ao piso, pois estávamos a correr em grupo e a visibilidade do chão e de todos os perigos que esconde é reduzida.

 

Os 3km seguintes foram quase sempre a subir pelo meio do mato, pedras soltas, riachos pequenos e circundar casas e pequenos terrenos habitados. No km2 tive um encontro imediato com um pedaço de FERRO, de cerca de 20/25cm. Era uma espécie de vareta fina e comprida que calquei com o pé esquerdo. Ao calcar numa das extremidades, a outra levantou, rodou e foi embater diretamente na minha canela, pouco acima do final da meia. Por um segundo ainda pensei ver uma luz no fundo do túnel, o esforço todo a ir por agua abaixo e São Pedro a perguntar porque queria entrar no céu, mas afinal tive imensa sorte e o ferro apenas bateu com força na perna e ressaltou para o lado. Ainda tenho esta pequena lembrança na perna e ainda estou a pensar na sorte que tive na minha corrida não ter acabado logo ali! Tinha sido entrada direta na barca do Inferno e não na Barca da Gloria antes sequer de aquecer a corrida...

 

De seguida, 3km com um piso um pouco melhor, mais duro e sem tantos objetos soltos. O pó era constante. Nesta altura já não estava a fazer zigue-zague para ultrapassar os atletas híper rápidos que me passaram antes do tiro da partida porque era importantíssimo sair na frente. Andamos a circular por terrenos baldios e aqui andava-se um pouco mais rápido. Fui passando atletas lentamente e com calma sem carregar muito no acelerador.

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Antes de chegarmos ao abastecimento perto do km 10, ainda deu para esticar um pouco as pernas num pequeno troço de alcatrão a 4:44/km e 5:13/km, e no seguinte já em areia semi-dura a 5:33/km. Aqui senti que o corpo já estava "na temperatura certa de funcionamento" e estava a fazer km's ao ritmo planeado. Deixei-me ir sempre de acordo com a respiração e o batimento cardíaco, nunca pelo que a cabeça queria fazer.

 

Entretanto entramos no abastecimento, uma quinta no meio de descampado porque de noite não conseguimos ter a perceção do que rodeia o sitio, e parei para beber um copo de água e comi um pedaço de banana. Não vi aqui a Liliana e pensei que teria perdido muito tempo a sair de Portalegre a chegar aqui. Como combinado, arranquei sem perder tempo. Para este primeiro PAC tinha feito a previsão de 50min e cheguei com 53min. Dentro do razoável, tendo em conta que arranquei um pouco mais devagar para deixar assentar o rio de pessoas nos primeiros 2kms e apanhei algum trânsito por causa disso em algumas passagens.

 

00:55 - PAC 1 ao 2

 

Com a experiência do ano passado para estas zonas, já sabia que até Alegrete a coisa era rápida. Depois de beber e comer, arranquei logo mas não muito rápido porque existia um pequena subida em terreno semi-solto. A partir daqui até muito perto do dia nascer, percorri muitos kms sozinho no meio da noite. Se no ano passado e devido a um frontal de 20€ com apenas 35lumens isso colocava-me imensos problemas, este ano com o investimento que fizemos em frontais isso foi ultrapassado. Andei sempre com o regulador entre o mínimo e os +/-40% de força conforme os locais e situações. Aqui nesta prova, assim como vai acontecer por exemplo em Óbidos, compensa o investimento em frontal com mais qualidade, leve e com boa luz. Faz uma diferença brutal entre correr devagar e a pensar no que vem ai e correr em segurança vendo tudo o que vinha na nossa direção antes de lá chegarmos.

 

Até agora, faltava-me referir este pequeno detalhe, o buff que vinha no meu pescoço estava a fazer mais de filtro de pó do que propriamente para ajudar no frio. Colocando-o à volta da cara e quase ao nível das orelhas, foi assim que fiz muitos destes kms de estradões com pó fino e solto sempre à nossa frente. E os óculos também se queixaram muito do pó. 3km mais rolantes, antes de entrarmos no famoso ribeiro quebra pernas, sendo que é pequeno e pouco fundo, mas as pedras que o circundam são muito escorregadias e é preciso percorrer com cuidado. Até ao km 14, mantivemo-nos nestes estradões com muito pó, com ligeiro sobe e desce. Aqui fui fazendo alguns troços acompanhado e outros sozinho no meio da tempestade de pó.

 

Ao km15 começa a descida relativamente acentuada para a base antes de Alegrete, com estradão muito solto, cheio de pó fino e de difícil progressão quando em grupos de 4 ou 6 atletas, pois os primeiros levantam uma camada de pó extremamente irritante e incomodativa. O buff ajudava a respirar melhor. Já disse isto ?

 

Depois de descermos pouco mais de 150metros até um pequeno rio, lá entramos no ultimo km antes do abastecimento. A subida bastante ingreme, curta de 400metros mas com mais de 40D+ coloca alguma dificuldade. Este ano decidi atacar com mais força que no ano passado e o grupo com que seguia nesta altura estava a rolar bem e conseguiu-se manter um ritmo vivo até chegarmos lá acima e ao abastecimento.

 

Para este segmento de 9km tinha previsto 45min e chegar perto das 1:35 da manha, mas estava a fazer contas a 17km. Na realidade cheguei com quase 18km no relógio e 1:43 de prova. Média dos primeiros 18km andava perto dos 6/km. Quase milimétrico com o que tinha planeado.

 

Se no primeiro PAC não vi a Liliana, aqui ela já estava à minha espera, ajudando-me a encher a água e a planear a subida das antenas. Mostrou-me as folhas que levamos preparadas com todos os detalhes e toca a andar. Beijinho de sorte e siga. Próximo segmento era de 13km quase sempre a subir e é preciso planear bem para não estourar.... hummm... lembram-se do ano passado? :)

 

Interessante a diferença de preparação entre os dois anos. No ano passado cheguei aqui com perto de 2H de prova e a pensar que ia rápido (e ia para o que corria na altura) e depois rebentei todo a meio da subida. Este ano já ia com cerca de 15min abaixo do ano passado e o corpo estava completamente tranquilo. Respiração completamente normal sem picos. Comi banana com sal, um pedaço de laranja e 2 batatas fritas e arranquei com os cantis cheios de água. Tudo estava a decorrer de acordo com o plano que fizemos.

 

Por esta altura estávamos com quase 18km e 400D+ de prova. Acabava aqui a parte fácil do UTSM... Acabava o aquecimento comprido e começava a prova mesmo. Here we go !

 

01:45 - PAC 2 ao 3

 

Subida para as antenas. A maldita, o inferno, a penitência. Estou a exagerar, mas se existe um troço da prova que toda a gente fala e merece todo o nosso respeito, é a subida ás antenas. São 13km com 765D+ quase sempre a subir, com dois pequenos troços com descidas vertiginosas e traiçoeiras, quase sempre embrenhados na completa escuridão e de comunhão com a natureza. Nós e o pó. Nós e o vento gélido que se faz sentir nas escarpas nuas da vertente. Nós e o nosso frontal. Eu e os meus óculos sujos com tanto pó.

 

Uns metros depois de sair do abastecimento e mesmo no inicio da primeira subida, passa por mim devagar a Ana do EDV Viana que viria a ser a vencedora. Vinha em primeiro nas senhoras e vinha na conversa com um colega de equipa. Vinha-se a "queixar" que estava a achar estranho ir em primeiro sem ir a andar muito depressa..... ok.

 

Começamos a subir na saída de Alegrete e o primeiro km é tipo alcatrão e sobe-se bem. Ritmo constante e sempre a subir. É enganador o facilitismo pois o meu Strava diz que neste km subi 91metros a um ritmo ligeiramente acima dos 7/km. Mas não doeu como no ano passado.

 

Depois começamos a entrar suavemente na vertente da serra S. Mamede e é sempre a subir. Táctica para este ano seria manter um ritmo médio forte mas sem entrar em euforias mas também não baixar a guarda. Quanto mais depressa saísse do vento, mais depressa iria aquecer. O km seguinte em 6:50 e 6:26/km. Ritmo suave mas constante. Entretanto o vento que nos tinha acompanhado durante muito do percurso começa a fustigar com mais violência. Em alguns pontos andei uns cm's para o lado tal a força com que ele nos envolvia.

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 ( a sair do PAC3 com 3:30h de prova )

 

Por esta altura seguia sozinho há já algum tempo e tinha uma visão fantástica. Vou tentar descrever.

 

Tudo escuro à minha volta com um vento ora lateral ou frontal muito forte e frio. Buff na cabeça com o frontal a iluminar caminho e o segundo buff no pescoço a servir de filtro para o pó. Nesta altura o buff por cima do nariz fazia com que a visão do que estava à minha frente fosse afunilada, como se tivesse colocado um capacete de mota. Dei por mim algumas vezes a pensar... Estou sozinho no meio desta serra, no meio deste descampado, no meio desta pseudo tempestade de vento, no meio do escuro com apenas uma luz pequena para a frente.... Sentia-me como uma criança tamanha a felicidade de saber que estava ali, que estava ali tranquilo e sem dores e que estava ali a divertir-me a fazer uma coisa que gosto. Não se consegue transcrever por palavras todas as sensações que nos passam pela cabeça, só sentindo.

 

Por volta do km23 chegamos ao topo da primeira subida desta empreitada, e apanha-se uma pequena descida que engana para quem não conhece este sitio, pois temos uma tendência para acelerar logo o passo. Por esta altura passa por mim o Lino Luz, a Sofia Roquete e o Jerome. Incentivei-os e em vez de acelerar, abrandei. Comecei a andar rápido e comi uma embalagem de gel Myprotein.

 

Por esta altura passávamos por um grupo de voluntários que estavam ali deitados em saco cama e aplaudiam quem passava. Em parte foi um pouco creepy no meio do nada e do breu, aparecem palmas... ok, mas soube bem aquele apoio. Entretanto chegamos à estrada onde no ano passado fiquei e entrei determinado na segunda subida, a mais íngreme até lá acima, com uma inclinação forte. Até logo malvada!

 

Foram cerca de 2km com médias de 12/km, subindo calmamente sem pressa. Tinha tempo e a experiência disse-me que ia a ritmo mais que suficiente. Foram quase 170D+ só nestes 2 km em terra relativamente solta, mas pelo menos bem protegidos do vento e do pó. Depois entramos num pequeno troço de asfalto que durou quase 2km depois de passarmos por debaixo de algumas eólicas que quase não se viam... só ouvíamos o barulho leve das pás a zumbir por cima da nossa cabeça. Neste troço sabendo que ainda faltava mais de 100D+ para chegar ao topo da subida, não quis acelerar muito e fiz por volta dos 7/km sem pressas.

 

Por esta altura apanhei um companheiro de aventura e só nos separamos lá em cima. Encaramos a ultima subida, o ultimo km até lá acima e fomos sempre certinhos até lá. O vento regressou em força assim que saímos do meio da floresta que deve ser muito bonita de dia, e até ao abastecimento arrefeci um pouco. A temperatura lá acima deveria andar pelos 5 ou 6º, a contrastar com os quase 20º que apanhamos 3horas antes na partida.

 

Cheguei ao abastecimento sem dores e sem qualquer problema. Sentia-me contente. Sentia-me conquistador do meu moinho... Tá feito %$###$%"#. Vai buscar !!! Na entrada estava a Liliana toda sorridente. No abastecimento estavam alguns atletas, poucos ainda. Devo ter passado aqui pelo lugar 60/70 da classificação. Estava com quase 30km de prova e 3:25h. 1150D+ já estavam feitos. Zero cãimbras e zero problemas no corpo. Sentia-me bem fisicamente e mentalmente.

 

Bebi 2 cafés, comi banana e laranja. Tentei comer alguma coisa sólida, mas o estomago disse que não. Não o estava a sentir bem nos últimos kms da subida mas não dei importância a isso pois era uma situação que já me tinha acontecido em outras provas e mais cedo ou tarde, ele recuperava.

 

Demorei uns 4min no abastecimento, a Liliana deu-me um cantil com água e Magnesona, um beijinho de boa sorte e arranquei para a segunda "etapa", os 30km que separavam as antenas do Marvão....

 

O que vale é que ao início era a descer :) 

 

Não percam os próximos capítulos :)

 

Segunda parte

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