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Correr na Cidade

Os erros na recuperação de uma lesão

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 (Calling All Running Crews 2ª edição - foto da autoria de Diogo Castro Pereira)

Por Filipe Gil

 

Volto aqui ao meu “semanário” sobre a recuperação da minha lesão (o síndrome da banda iliotibial). Estive em dúvida para o fazer. Até que ponto é positivo tanta exposição de "fracasso". E será que não vai ser entendido como mais um texto do "coitadinho"? Aproveitei ter ficado esta manhã dentro de um comboio mais de 40 minutos por causa de um acidente, para ir escrevendo este texto, sem grandes certezas que o iria publicar.

Ora a recuperação cá anda. Fisioterapia dia sim, dia não. Das 15 sessões, cinco já foram feitas. Alongamentos, massagens, exercícios com foam roller (comprei um para ter em casa, 12€ no El Corte Inglés da marca própria) e também de equilíbrio – que acho muito positivos. Sem dor, sem custar muito.

Decidi então correr cerca de 5km na passada sexta-feira. Devagar, sem grande entusiasmo - mais medo, confesso. Aproveitei a manhã de um dia de férias que era para ter sido de praia mas que o São Pedro não deixou, para correr na zona de Belém. Corri sem dores, sem impressões ou pressões. E acabei com um sorriso. Esperançado de não ter dores quando arrefecesse. E assim foi. Nada de dores.

No final do dia tive fisioterapia. A medo disse à terapeuta que tinha corrido e que não tinha tido dores. Ela sorriu. Disse que estamos no bom caminho apesar de ainda perceber que junto à cabeça do perónio (onde tenho mais dores) as coisas ainda estão por curar. Claro que não lhe disse que tinha na cabeça fazer a Marginal à Noite no dia seguinte. Nem que, também no sábado de manhã, ia fazer uma caminhada de 5km pelos trilhos de Monsanto.

E no dia seguinte lá fui ao treino Calling All Running Crews, segunda edição de uma ideia que no ano passado surgiu entre nós, Correr na Cidade, a Henriqueta Solipa, o João Campos e mais alguns que me estou a esquecer do nome. Corrida de 10km, Dog trail e uma caminhada pelos trilhos de 5 km. Foi a esta última, com o meu filho mais velho e o Nuno Malcata a fecharmos a caminhada. Divertida por sinal, com subidas e descidas. Nada de dores aqui também.
 

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No final do dia foi altura da Marginal à Noite. Já não participava desde 2012. É é sempre uma bela festa. É um daqueles clássicos que apesar de serem “só” 8 kms toda a gente gosta de participar e correr. Este ano, apesar das ameaças de chuva, a prova estava composta. E a organização não deixou as expectativas saírem goradas. Bandas de apoio, túneis de luz e som (era giro se fosse um pouco maior), DJ’s, etc.

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 (foto retirada da página de facebook da Marginal à Noite)

A minha única crítica vai para o facto de não existir um maior controlo aos corredores que teimam em fazer a prova do outro lado da estrada. O que não só atrapalha quem já regressa mas que é, sobretudo, uma falta de respeito pelos outros que vão pelo caminho certo. Eu sei que é uma festa, eu sei que a prova não tem cariz competitivo, mas até por isso mesmo, esses senhores que desrespeitam os outros que fazem o percurso normal deviam ser chamados à atenção. Da parte da organização é difícil controlar isto, e como é uma festa é difícil “desqualificar” quem não respeita as normas. Mas enfim, chicos espertos existem em todo o lado e nisto das corridas há com cada um…Eu sei que é muita gente, que é preciso serpentear muito, mas posicionem-se mais à frente na linha da partida. Ou então façam outras provas menos populares. É uma festa, sabiam?

 

Voltando “à minha” Marginal à Noite e depois de me juntar à crew e a alguns amigos que se estreavam em provas pela primeira vez, lá fui para a linha de partida, bem no meio como gosto. Os nervos faziam-se sentir. Acho que estava mais nervoso nesta prova do que na que fiz em 2012. Não que esperasse fazer um bom tempo, mas sim porque era um grande teste à minha recuperação física. Back on track? Ou não?

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  (foto retirada da página de facebook da Marginal à Noite)

Tinha por missão partir devagar. Mas não consegui, entusiasmei-me e fui atrás do Tiago Portugal e do Nuno Espadinha. O Tiago na subida, onde ao mesmo tempo havia um fogo-de-artifício fantástico, perguntou-me “Então, não era para ires devagar”; Disse-lhe para seguir, estava a sentir-me bem. O primeiro quilómetro foi rápido. A fazer zigue zagues, claro. O segundo ainda mais rápido. O Tiago volta a meter-se comigo “Vens aqui? Estamos rápido”. Eu, como cara de puto numa loja de doces, disse-lhe: “Estou bem, vamos lentos, devemos ir a 5:20”. Mas não, estávamos a 4:30/km. Mas estava a sentir-me tão bem. Tão vivo, tão contente, tão feliz.

 

Continuei a bom ritmo mais 1 ou 2km, mas depois comecei a baixar o ritmo. Por duas razões. A primeira porque não estou em forma. Não corro 10km a um bom ritmo há mais de 1 mês. E porque comecei a pensar no joelho. Aliás, veio-me à cabeça que tinha os pulmões no joelho, a cabeça no joelho e estava focado completamente no joelho. Deixei de ver o Tiago e o Nuno Espadinha, e segui sozinho a tentar “curtir” a prova e não pensar nas lesões.

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  (foto retirada da página de facebook da Marginal à Noite)

Tentei sentir o joelho, sempre. Pareceu-me bem, mas algo instável, fraco, mas sem dor, nem pressão. Na parte do regresso, na curva – com boa música – comecei a sentir-me pior. Mais lento, sem forças, mas sem dores no joelho, o que era o bom disto tudo. Passados uns metros vi que a minha mulher já estava mesmo ali atrás de mim. Fiquei contente, ela está em forma! Decidi ir no meu ritmo, mas com algum receio que ela não me quisesse ultrapassar, para não me incomodar psicologicamente. Parvo! Ela é tão competitiva que de certeza que ultrapassar-me funcionaria como uma motivação extra. Passou por mim, perguntou-me se estava com dores no joelho, insistiu e eu disse para fazer o favor de seguir e de acabar primeiro que eu. Ainda a vi durante uns metros mas depois deixei de a ver. Continuei no meu ritmo, e confesso que tentei acelerar o ritmo mas não consegui. Deixei-me ir. Ainda deu para dar um “High Five” ao Rui Pinto, membro da nossa crew, mas que nessa noite estava a trabalhar na organização da Marginal. Perguntou-me pelo joelho e eu disse que estava OK.

No final, na descida, esbocei um sprint para acabar com uma sensação estranha de que querer vomitar. Muito estranho, nunca me tinha acontecido. Mas não vomitei. Encontrei a minha mulher, o Tiago Portugal e o Nuno Espadinha. Perguntaram-me se estava bem. Disse que sim. Estava contente porque nem sinal da dor no joelho. Estava descontente porque não tinha corrido nada de jeito e lembrei-me que tenho muito trabalho pela frente para voltar a uma “forma” aceitável.

Ainda andei por ali a falar com alguns conhecidos, entre os quais o Filipe Semedo, responsável da Puma, que simpaticamente vestiu alguns dos membros da crew com equipamentos da marca alemã e os calçou com os novos Ignite. Algumas caras conhecidas, uns "olás" aqui e acolá e com a chuva a cair mais intensamente decidimos ir para casa, apanhar o comboio e fomos descansar.

Caminhámos até ao comboio e lá, na estação de Santo Amaro, esperamos 1 hora. Sim, leram bem, 1 hora INTEIRA, por um comboio. Isto não se faz. Já na partida para a MaN tinha tido um episódio estúpido com um cartão da CP que não era possível de carregar com o bilhete promocional da prova porque…tinha dinheiro no dito cartão. Ou seja, tive que comprar um bilhete a preço normal, para a ida e para a volta. Mais uma vez a organização nada tem a ver com isto, mas a CP sim. Lamentável. Se eu tinha um cartão com dinheiro, porque tinha de comprar outro para aceder à promoção? Inexplicável. E depois um atraso de 1 hora no comboio??!!! A rever estar parceria com a CP. Causa expetativas goradas pelo péssimo serviço dos caminhos de ferro.


Na chegada a Algés, e a chover copiosamente, decidimos, (eu e o grupo que estava comigo) correr para não nos molharmos - a noite estava fria e os 60 minutos de espera na estação da CP já pesavam no corpo. Às primeiras passadas o meu joelho dá sinal de vida: uma dor daquelas. Forte. Afinal, a dor ainda cá estava. E doeu muito. Afinal, depois de ter arrefecido da prova a dor voltou. Senti uma grande desilusão e raiva. Senti que voltei à estava zero. Que duas semanas de fisioterapia foram pelo cano abaixo. Senti que a lesão ainda está muito forte.


O resto da noite foi a sentir dores na cabeça do perónio. Coloquei quente, massajei com arnica fiz uns alongamentos, que aliviaram um pouco. Mas fiquei muito frustrado. O domingo foi passado ainda com algumas dores, sobretudo a descer as escadas.  Hoje, segunda-feira, já não tenho dores, apenas quando faço algum movimento lateral.


Dizem-me os meus amigos, e não só, que devo ter calma e ouvir o corpo. A questão da calma é obviamente que tenho de conquistar, não a tenho, aliás, não tenho pachorra nenhuma para estar lesionado.. o máximo que passei sem correr foram duas semanas. Gostava de aqui afirmar que não vou correr no próximo mês, mas sinceramente, não sei se o consigo fazer. Ou mesmo se o devo fazer, isto porque tento ouvir o meu corpo mas ele não me diz nada. Se ele me quisesse dizer tinha-me dito quando corri os 5kms na sexta, ou quando comecei a correr mais rápido, ou mesmo a meio do percurso da MaN ou ao fim de 7kms. Mas não, nada de dores. Apenas quando arrefece. 

 

Não quero parecer coitadinho. Mas já chega, estou farto. Mesmo!! Claro que pareço um puto mimado a quem tiraram um brinquedo. Há coisas muito mais importantes que não correr. Mas isto, para mim, não faz sentido, é tempo demais para quem tem uma grande paixão pela corrida. Gostava de deixar aqui uma frase final de motivação, de incentivo, para aqueles que estão como eu. Mas hoje não dá. Não sei se é de ter começado a semana fechado 40 minutos numa carruagem de comboio ou se é mesmo mau feitio por não correr...

 

Vou, mais uma vez, ver o vídeo seguinte. E habituar-me à ideia de que não sou o único nesta condição. Paciência, muita, precisa-se! 

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