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Correr na Cidade

O Natal chegou mais cedo, a minha primeira prova no G.P. do Natal

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Correr é o que nos junta, mas os treinos do Correr na Cidade têm sido para todos nós a oportunidade de trocar experiências, aprender uns com os outros e criar lanços.  Recentemente num dos nossos treinos descobrimos que o Bruno Tibério nunca tinha participado numa prova, e tivemos muito gosto em o convidar para participar connosco no G.P. de Natal que decorreu no passado dia 13. Este é o seu testemunho.

 

Por Bruno Tibério

 

Nos últimos meses tenho frequentado regularmente os treinos dos sempre bem dispostos e alegres Correr na Cidade para combater um pouco a monotonia que estava a ser para mim fazer corrida sozinho. Em conversa num dos habituais treinos semanais, revelei que nunca tinha participado em nenhuma prova oficial. Não sei bem explicar o porquê mas não via interesse em provas. Não sou louco por corridas. Gosto de correr sim, como meio de me manter em forma e, como tem sido nos treinos com este fantástico grupo, como meio de diversão e convívio praticando exercício.

Para além da questão monetária que nem sempre é acessível em muitas provas, sempre achei que o lado competitivo adjacente a uma prova oficial, apenas impulsionava o egocentrismo de cada corredor e isso em nada me motivava para inscrever numa corrida.

Pois bem, o grupo do CnC quis mostrar que existia mais para além da minha visão e ofereceram-me uma prenda de Natal antecipada, um dorsal para participação no 58º Grande Prémio de Natal EDP. Confesso que fiquei surpreendido com o gesto do grupo, afinal conhecem-me à relativamente pouco tempo, mas decidi aceitar o desafio proposto.

Olhando para as informações disponibilizadas no site oficial da prova, verifiquei que não existia grande grau de dificuldade. É um circuito sem subidas exigentes e na sua maioria plano. O facto de serem 10km não me assustava pois estou habituado a fazer distâncias semelhantes, a não ser que acontecesse alguma lesão.


Durante a semana que antecedeu o evento não fiz qualquer preparação extra a pensar na prova, mantive a minha rotina habitual de exercício e apenas tentei não forçar os meus limites para garantir que não ia para a prova com dores musculares.

Eis que chega o dia da prova. Decidi acordar bem mais cedo para garantir que estou bem desperto na altura da prova, tendo em conta que em geral as minhas práticas de exercício são feitas no período da tarde ou ao final do dia. Desloco-me de autocarro até ao Campo grande, e neste já me cruzo com mais uma ou duas pessoas que se dirigiam de igual modo para a prova. Saindo dos transportes, vou descendo a pé a avenida em direção à zona da partida observando em meu redor as delimitadas faixas para os corredores e as várias pessoas que iam aquecendo, todas elas vestidas a rigor e com aspeto de grandes velocistas. O visual bastante atlético das pessoas que ia vendo, só me trazia à memória a ideia que tinha das provas e me levava interiormente questionar se isto era para mim. Não podia estar mais enganado. 

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Ao chegar a Entre Campos já se via pessoas de todo o tipo. Desde corredores assíduos a pessoas mais idosas (mas jovens no seu interior).

Enquanto esperava no ponto de encontro combinado, observava em redor em busca de caras familiares e simultaneamente os rostos que passavam junto a mim.

Grupos de amigos, casais, namorados, famílias, tudo se ia concentrando junto à zona de partida. Finalmente as caras conhecidas começaram a surgir.

 

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Eis que surge a partida. O arranque no inicio da prova foi o que menos gostei em toda a corrida. A aglomeração de pessoas faz com que tenhamos que ser bastante cautelosos para não embater noutra o que torna o inicio bastante lento a um ritmo praticamente de caminhada. Os primeiros 4km foram feitos a ritmo calmo acompanhando outras pessoas. Afinal de contas não tinha definido qualquer objetivo para a prova que não fosse o de chegar ao fim. O facto de estar a correr numa zona bastante confortável permitia também estar mais atento ao ambiente que se estava a viver. Não posso deixar de destacar talvez os que mais me impressionaram, entre gente que estava claramente a divertir, famílias que não esqueceram os seus membros mais pequenos, casais cuja a força interior é invejável e não se deixam abalar pelas dificuldades que a vida de alguma forma apresentou.


É este espírito, que estas pessoas representam, que é motivador e nos mostra que quando a paixão pelo que fazemos é maior não há dificuldade que nos impeça.

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Na viragem no Campo Grande, deixei o egocentrismo que aparentemente tanto desprezava subir um pouco ao de cima. Sabia que conseguia fazer bem melhor e sentia um pequeno prazer em querer saber qual meu limite e o quão  melhor conseguia fazer. O ritmo aumentou e bem. O facto de conhecer o percurso dava-me bem a noção para saber gerir o esforço. A cada Km tentava manter o ritmo mais elevado e se possível aumentar. Sobretudo depois do Marquês de Pombal o declive negativo ajudava e visualização da meta foi o que precisava para puxar ao máximo. E eis que se atinge a desejada meta!

 

Após analise dos dados colhidos pelo GPS, verifiquei que nunca tinha marcado um ritmo tão elevado em qualquer das corridas que tinha feito anteriormente e acho que teria sido difícil arranjar motivação para descobrir os meus próprios limites se não tivesse deixado o ego subir.

Se valeu a pena a experiência?


Sem dúvida que sim. Mudou um pouco a visão que tinha das provas oficiais. Nem todos vão para provar que são melhores que os outros. Como aprendi, muitos vão apenas por amizade, fazer companhia, divertir-se e outros, tal como eu nos últimos quilómetros, testar os seus limites, descobrir até onde se conseguem superar.

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