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Correr na Cidade

Eu corro....João Remondes

 photo 1 (1) “Corro porque gosto. Correr ajuda-me a esvaziar a cabeça e a deixar para trás preocupações, hesitações, expectativas. Correr é mais do que um desporto, é uma forma de estar. Não uso gadgets para ver qual foi a minha performance, para mim correr é muito mais que superar métricas. Corro até ficar cansado, até não aguentar mais. Se superei o tempo ou a distância do dia anterior não interessa; o meu objectivo é sempre ficar cansado, cansar o corpo para a mente acalmar, para as ideias fluírem.Com os anos aprendi que para correr tanto são precisos uns bons ténis, adaptados ao tipo de terreno que se corre. No meu caso corro em mato e alcatrão, por isso levei algum tempo até acertar no modelo certo para mim. Custa-me despedir uns ténis por já não servirem, por já estarem gastos, companheiros de muitos quilómetros, que nunca cheguei a contabilizar. E depois torna-se difícil substituí-los por outro par; as primeiras corridas são sempre acidentadas, acabando quase sempre com bolhas ou dores nos tornozelos. Estas dificuldades acabam por passar e com o tempo este novo par e eu somos partes inseparáveis de um objectivo muito claro: correr até ficar cansado.Não gosto de competir em maratonas ou corta-matos, não gosto de competir e ponto. O meu propósito desvanece-se quando corro com outro objectivo que não seja deixar no chão suor e com ele medos, ansiedades, frustrações. Só corro quando quero e porque quero, não porque preciso; porque se correr sempre que quero nunca preciso de correr.Comecei a correr porque sou por natureza acelerado, não consigo parar quieto mais do que 15 minutos, a minha vida pauta-se por este estado cinético. Esta minha natureza agitada não me deixava espaço para pensar, ponderar antes de agir, controlar a ânsia e o desejo de continuar em movimento; sempre em movimento. Um dia particularmente agitado, a minha cabeça parecia que ia explodir, já não aguentava mais o ritmo do meu corpo, precisava de um minuto, apenas um minuto, de sossego total e absoluto. Levantei-me do meu cubículo e saí para a rua, frustrado e irado, comecei a andar em direcção a casa, primeiro num passo agitado, que tendia para a corrida. Quando dei por mim estava literalmente a correr. À medida que me aproximava de casa, ouvia a minha cabeça a dizer: “mais rápido, estás cada vez mais perto de casa, já descansas, vá continua”. Quando cheguei a casa, ensopado, a arfar, o coração acelerado percebi que tinha esvaziado a minha mente, senti finalmente que descansava. Nunca mais parei de correr, mas desta vez corria com um propósito, com um único objectivo, uma única meta: correr até ficar cansado".photo 2 

por João Remondes, 32 anos, marketer/criativo/entrepreneur

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