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Correr na Cidade

Crónica VII: Uma semana que passou a… correr.

 

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Por Filipe Gil

 

Nesta altura do campeonato já devem andar a bocejar com as minhas crónicas, certo? O “treininho” errático para aqui, os filhos que não o deixam treinar para acolá, o medo das subidas no Piódão e de não chegar a tempo aos abastecimentos; a roupinha que o menino ainda não decidiu levar; blá, blá, blá.  

Pois, para termos uma retórica diferente, decidi, durante a passada semana ir escrevendo esta crónica como se fosse um diário. Este é o resultado:

 

Quarta-feira: hoje foi dia de publicar a crónica da última semana no blogue e dia de ir correr com o Nuno Malcata para Monsanto. Foi um bom treino, não tão bom como na semana anterior, mas bom. Reforcei a minha ideia de que preciso de um frontal com mais potência. Sou pitosga – uso óculos para ler e escrever – e a escuridão dos trilhos tiram-me velocidade. Assim, comprei um LED SENSER H7R v2. Cheguei cansado a casa. E cheio de lama. Estou mesmo farto de lama. Arre! Não vejo a hora de chegar a casa e apenas ter pó nas sapatilhas, mesmo que seja muito pó.

 

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 Frontais "a sério" para mim, Nuno Espadinha e Nuno Malcata. 


E neste treino aconteceu-me uma coisa estranha. Entrei ali num transe, numa concentração absurda, alienado de tudo. Sabem quando estão a olhar muito fixamente para algo mas não estão a olhar para nada? Foi isso que aconteceu. Eu e o Nuno Malcata íamos a correr,e bem, a direito, com trilhos limpos, até que senti qualquer coisa no pé e, literalmente, voei uns bons metros. Não me aleijei, não fiquei magoado, cai bem (anos e anos de andebol, dão nisto),  mas fiquei a pensar que a falta de sono e o cansaço são grandes inimigos da nossa preparação. Ou isso ou atingi o nirvana sem saber…

 

Quinta-feira: Estou cansado! O treino do dia anterior fez-me doer as pernas, apesar de ter gostado muito do circuito que fizemos. Senti-me bem, apesar da queda. Ando ligeiramente desmotivado, uma série de projetos que não estão a arrancar da forma como queria. Haja paciência e a tal resiliência.  


Esta quinta fui ao escritório da Puma em Lisboa. Falei com o Filipe Semedo, responsável da marca em Portugal, sobre os novos modelos da marca que estão a chegar ao mercado nacional e da aposta que estão a fazer no segmento do running. E falamos ainda da minha preparação para o Piódão, como está a correr, o que necessito mais em termos de material, etc. Falámos também de futebol e andebol - ambos jogamos na mesma equipa nos tempos de liceu. É bom termos alguém de uma marca que se dá connosco de forma descontraída. Folgo em saber que algumas marcas já perceberam a nossa postura, do Correr na Cidade, perante a corrida. E, sem nada previsto, saí de lá com uns Ignite para experimentar. Que privilégio! Sou das primeiras pessoas em Portugal a experimentar o modelo  – que só irá chegar em meados de março. 

 

Sexta-feira: Era para fazer algum exercício de força, mas não. Era para fazer alongamentos, mas não. Era para ter ido correr, mas não. Fiquei em casa e em família. Chama-se a isto treino psicológico, ou não.


Sábado: Nada. Niente.Passado, e bem, em família. E foi a vez da mulher ir correr e iniciar uma amiga nas corridas. É sempre uma excitação quando isso acontece. Mas tendo a ficar meio calado, ao invés de dar dicas de especialista. Contudo, não deixo de analisar se a pessoa está "vestida" para a ocasião. Tento não armar-me em especialista, a não ser que veja um erro que irá criar desconforto e uma má experiência no futuro corredor. Vocês fazem o mesmo, ou só sou eu que sou um..., como dizem os anglo saxónicos "pain in the ass".

 

Domingo: Acordei cedo porque o meu filho mais novo assim decidiu. Mas fiquei na cama a mandar SMS ao Nuno Espadinha para irmos adiando o treino. Das 8h passou para as 8h30m, dessas horas passou para as 9h, e certo, certo, encontramo-nos às 9h45 para começar a correr. Passou-me pela cabeça trocarmos o treino de trail por estrada, mas foi coisa que durou apenas 2 segundos. Foi um treino simpático, com muitas subidas, e cerca de 360 D+. Deu para colocar a conversa em dia, falar das expetativas do Piódão e de outras coisas entre os novos episódios do “The Walking Dead”, e dos protagonistas agora terem de começar a fugir de cães (ou lobos, ainda não se percebeu bem), e também falámos da série de banda desenhada com mais mensagens encriptadas por frame: “Gravity Falls”, entre outras coisas.

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Por falar em lobos, e passe o exagero, aconteceu um quase acidente. Quando regressávamos para casa ali perto do antigo Aqua Parque do Restelo, fomos, descontraidamente a correr por um pedaço de mata. Ao fundo avistamos um cão branco grande. Sozinho. Sem dono. E parámos, aliás, eu parei. Porque tenho medo de cães. O meu medo está ligado ao tamanho dos bichos. Se eles são grandes, fico a tremer, se forem rasteiros, e até podem ladrar muito, que no pasa nada.



Às tantas procuramos o dono do tal animal, que tinha um belo porte. Vimos que era um senhor de bengala que se mexia vagarosamente. Pensei logo: “estamos feitos!”. De um momento para o outro o cão viu-nos e desatou a correr para nós, como se não houvesse amanhã. Olhei para o Nuno Espadinha – ele tem cão, por isso percebe da coisa – e vejo-o a começar a correr. Fiz o mesmo automaticamente. Acho que bati o meu recorde pessoal dos 100 metros a correr nos trilhos. Corremos, corremos, corrermos em direção à estrada para ver se nos safávamos entre os carros. O coração batia, a adrenalina estava ao rubro, nem senti o cansaço. Passado um pouco olhamos para baixo e não vimos sinal do cão. E ficámos a tremer das pernas durante mais cinco minutos. Retomámos os últimos minutos de treino a recordar filmes que vimos com lobos atrás de pessoas. Ridículo, não? Acho que fiquei com mais cabelos brancos na barba depois desta experiência. É por estas e por outras que apesar de querer muito, não consigo ir sozinho para os trilhos.

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 Ambos excelentes modelos para fugir de cães. Recomendo!

Segunda-feira: Dia atribulado com muito trabalho, mas deu para organizar-me para ir correr pelas 18h30 e fazer 10 quilómetros tranquilos de Algés à Ponte 25 de abril e regresso. Deu para esticar em algumas partes e testar os novíssimos Ignite da Puma. Confesso que a início não achei nada de especial. Mas à medida que eu ia aquecendo, e se calhar as sapatilhas também, estes ténis tornaram-se bastante reativos, e sentiu-se a retoma de energia na sola. São bons para corredores rápidos - que não é o meu caso. Mas dei-me muito bem com eles. Acho os ténis perfeitos para provas de estrada entre os 10km e os 21km. Em breve irei escrever aqui no blog o que achei deles, depois de dar mais umas voltinhas. 

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Terça-feira: O dia mais estranho do ano na cidade de Lisboa. Mais de metade do comércio fechado, algumas, poucas pessoas a trabalhar - uma das quais eu. Estranho país este. Meti metade do dia de férias para estar em família e devorar num ápice a melhor tarde de amêndoa do mundo: a que é feita pela minha mulher. Só que não provou este magnífico bolo pode duvidar da afirmação. E porque razão vos estou a escrever isto num crónica sobre preparação para a minha primeira ultra? Porque acho deveras importante que o apoio familiar esteja sempre presente na nossa preparação para uma prova que nos transcende - seja uma meia maratona, maratona, ultra ou super ultra, assim lá para as 100 milhas. Sabermos que não os estamos a lesar com o nosso objetivo pessoal, saber que podemos ser um exemplo para eles (seja a família nuclear, seja o resto da família), saber que os levamos connosco mesmo que eles não estejam presentes. Sei, tenho o certeza, que no dia da prova do Piódão, apesar de saber que estarei bem acompanhado pelos membros da crew do Correr na Cidade, sei que levo os meus filhos e a minha mulher no coração e na cabeça para me darem forças naqueles momentos menos bons da corrida. E isso para mim é muito importante. Muito mesmo.

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Boas corridas. 

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