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Correr na Cidade

Crónica V - Uma semana exemplar?!

 

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Por Filipe Gil

 

A semana de preparação começou com um belo treino por Monsanto com o Nuno Malcata. Nada melhor que depois de um dia de trabalho frustrante descarregar na corrida e encontrar o equilíbrio necessário para finalizar o dia e chegar a casa com um sorriso na cara. A corrida faz-nos mesmo isto!

 

Fizemos um treino com 350 D+ por Monsanto, em cerca de 1h30m de corrida. Como nos perdemos a meio do caminho e andamos por trilhos pouco percorridos e fomos ter a uma casa grande com tudo as escuras e um portão fechado, cenário digno de um “Blair Witch Project”. E passados 10 minutos a correr ao ocaso no meio da escuridão, lá conseguimos ir ter a um local "conhecido". É tão estranho estar “perdido” em Monsanto…

 

Estamos em pleno Inverno. E até sou daqueles que gosta de correr com o cheiro da terra molhada e com um pedaço de frio. Mas já chega! Já sinto saudades de fazer os trilhos de Monsanto apenas com uma garrafa de água (ou isotónico) na mão e uns géis nos bolsos dos calções. E, sobretudo, não ter que chegar a casa e lavar vezes sem conta as sapatilhas de trail. No outro dia contei e tinha três pares de sapatilhas de trail a secarem lá em casa. Já estou farto de lama. 

 

E por falar em lama, o resto da semana foi passada a pensar em Bucelas, e nos trilhos que fiz no primeiro dia de fevereiro. Já devem ter lido aqui no blogue, e visto fotografias, de como foi lamacento. Claro, comparado com o Trilho dos Abutres, realizado um dia antes, foi uma brincadeira. Mas o “público” de Bucelas é um pouco diferente dos “aventureiros” dos Abutres. Não desfazendo em ninguém que fez a prova de Bucelas com todo o esforço, os Abutres são de outro campeonato. São super homens e mulheres.

 

Na minha opinião o "campeonato" dos Abutres talvez seja demasiado difícil. Será que não se está a exagerar na "dureza" das provas?  Espero que nunca aconteçam acidentes mais graves mas acho que estamos a entrar numa onda de dureza, mais própria de uma prova de obstáculos ou de sobrevivência do que de uma corrida de trail running. Sei que ao pé dos valentes (para mim heróicos) participantes dos Abutres deste ano sou um menino, mas, mesmo assim, se calhar, deviam ter anulado a prova e agendado para outra altura..., se calhar. Acho que uma boa prova de trail não tem de ser pela sua dureza, como sabem há várias qualidades de uma boa prova de trail que não tem de ser apenas pela dureza extrema.


Voltando a trail de Bucelas, mas ainda antes, na sexta-feira, rumei à Decathlon para me abastecer de gomas energéticas, comprar um isotónico, etc. Tenho andado a experimentar alguns, mas pensei que o melhor era voltar àquele que me dei melhor. Contudo, na ânsia de experimentar mais coisas – e o Trail de Bucelas era para experimentar hidratação e alimentação para a prova do Piódão - fiz aquilo que nunca se faz, decidi experimentar: uma coisa nova!!

Se há sabor que me dá alegria é o da Cola (seja Pepsi ou Coca-Cola), e descobri que a Isostar tem umas cápsulas para juntar a água com sabor a Cola. E arrisquei. E gostei muito. Sou muito guloso, e no meio do “sofrimento” de se fazer muitos quilómetros, beber algo com um sabor que gostamos é uma felicidade.

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Já no sábado ainda tive tempo de fazer uns exercícios de alongamentos enquanto o meu filho mais velho fazia o TPC. Não foi uma grande sessão porque me tive de concentrar no estudo dele, mas ainda deu para esticar bem as pernas.

 

Contudo, devia ter preparado melhor Bucelas, não vi o percurso, a altimetria, não bebi muita água nos dias anteriores, e no jantar de véspera empanturrei-me com um belo bife, batatas frias e cerveja depois de uma ida à Luz para ver o Benfica. Acho que, com tanta coisa que tenho para fazer a nível pessoal e profissional, me fui esquecendo de Bucelas. Até ter que acordar às 6:20 da manhã num domingo... Confesso que tive um momento: WTF! – Que raio ando eu a fazer em vez de dormir e descansar.

 

Aqui já uns agradecimentos aos meus sogros e à minha mãe e irmã que ficaram a aturar os putos lá de casa enquanto eu e a mulher fomos para o SPA de lama de Bucelas.

 

Uma vez chegados à capital do Arinto fizemos os preparativos para partir, encontramo-nos com o resto da crew - nesse dia estávamos especialmente vaidosos porque fomos estrear os novos equipamentos. Mas aquilo que me preocupava mais era as sapatilhas, este seria o teste final para os meus Puma Faas 500 TR antes de Piódão. Será que se portariam bem?

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Neste aspeto e fazendo já uma espécie de review só posso dizer: Habemus Tennis! São bons, agarram (claro que caí algumas vezes na lama de Bucelas, mas quem me manda a mim ir depressa demais nas descidas?). Estas sapatilhas estão aprovadíssimas. Escorregam um pouco nas rochas molhadas, mas contam-se pelos dedos das mãos as sapatilhas que não o fazem. Estou contente com elas e sinto-me bem confiante de enfrentar o Ultra do Piódão com elas calçadas. Aliás, fazendo aqui jus a este modelo, acho que são menosprezados pelo trail runners em Portugal. Experimentem e garanto-vos que não se arrependem.

 

Ainda em Bucelas, a prova correu bem. Não me estiquei no início, nas subidas, mas podia tê-lo feito. Sei que dói, mas também sei depois passa logo mal nivelamos o piso. Tive ali um momento mau entre os 16 a 19 km. E aproveito para agradecer à Bo e ao Rui Pinto que nessa altura já são eram pontinhos no horizonte, eles esperam um pouco por mim, o que me deu ânimo. Tenho aqui um trabalho psicológico importante a fazer: sei que nos trilhos que faço em conjunto com amigos quando vou à frente, vou bem, até a puxar, mas mal começo a ser ultrapassado, vou-me abaixo.

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E não posso deixar de referir a excelente prova do Bruno Andrade (podem ler aqui). Mesmo sem treinar muito, fez 28 quilómetros de excelência. E também ao Nuno Espadinha, que está em grande forma, e lá percebeu a meio do percurso que podia zarpar dali para fora e fez muito bem.O trail é para homens, não para meninos como eu!

 

Mas o melhor, para mim, foi chegar à meta e ver o sorriso da minha mulher, o mais lindo do mundo, e dar-me um “high five” na minha chegada. Ela fez 15km descontraídos e com um bom ritmo. E está cada vez melhor nestas distâncias nos trilhos, estou certo que, se tivesse mais tempo para treinar, me ultrapassava nas provas mais longas.

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Resumindo os trilhos de Bucelas correram bem, e foram uma excelente preparação para o Piódão. Apenas me preocupa, muito, as caibras. A 1 quilómetro do final senti os dois gémeos a puxarem com caibras. Fiz esses metros a tentar enganar o corpo com a mente, e a interiozar uma espécie de mantra: “não dói, sou mais forte que isto, ui, ai!  Mas lá esqueci a dor e comecei a perceber que estava a chegar e a ver aquele sorriso lindo que já vos contei, juntei forças, cerrei os dentes e cortei a meta.


Estava feito! 28 quilómetros de muita lama que estão a ser analizados ao metro para perceber qual vai ser a minha estratégia para terminar Piódão dentro do tempo limite. Não será fácil, mas sei que vou conseguir. Até lá, é treinar muito e com cabeça. Estou, curiosamente, a entrar numa fase de muito trabalho que coincide com o mesociclo de treino mais puxado na preparação. Tenho de perceber como o vou fazer com disponibilidade apenas para dois treinos de corrida por semana. É mais um desafio que tenho pela frente.

 

Terminámos a aventura de Bucelas num restaurante a comer cozido à portuguesa regado com muita cerveja. Uma boa recompensa!

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Boas corridas, boa semana.


Leia aqui a crónica IV

Leia aqui a crónica III

Leia aqui a crónica II

Leia aqui a crónica I 

 

 

 

 

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