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Correr na Cidade

Coração só temos um, ame-o.

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Por Bo Irik:

 

Este ano não participei na São Silvestre de Lisboa, na qual costumo participar todos os anos. Estava a acompanhar a prova pela net, para saber como vos tinha corrido, até que o Filipe partilhou que “na subida para a rotunda do Marquês de Pombal estava um senhor, novo, deitado no chão a levar massagem cardíaca”. O Filipe ficou impressionado, e muito. Eu não assisti à situação neste caso mas já vi situações idênticas noutras provas e fiquei também com um vazio no estômago. O Filipe partilhou ainda que, “ao passar pelo cenário, nada agradável, estava lá o nosso Tiago Portugal a ajudar o senhor. O Tiago não correu mais, mas se calhar ajudou a salvar uma vida”. O meu objetivo com este texto não é homenagear o Tiago; é sim, acordar-vos para este tipo de situações.

 

É um facto que muitos acidentes cardiovasculares não podem ser prevenidos porque podem não apresentar sintomas, mas também existem casos em que podemos prevenir este tipo de situações. Foi por isso que, no Verão de 2014, quando me comecei a preparar para a minha primeira maratona, a de Sevilla em fevereiro de 2015, fui ao hospital fazer um check-up ao coração. Coração só tenho um e quero tratá-lo bem. Fiz um eletrocardiograma, um Echo Doppler (ecocardiograma) e a prova de esforço. Para além disso fiz análises ao sangue e à urina, que até então nunca tinha feito porque era uma “menina jovem e muito saudável”.

 

Em termos práticos, gastei pouco tempo no hospital e em termos financeiros também não gastei um balúrdio. Em relação às despesas, temos que ver o tipo de seguro de saúde que temos. Eu fui ao hospital privado, mas também podemos falar com o nosso médico de família e solicitar este tipo de check-up mencionando o objetivo da prática desportiva. Quando cheguei ao hospital para fazer os exames os médicos perguntaram logo: mas porque é que a menina com essa idade quer fazer estes exames? Ou seja, nem os médicos acham “normal” fazermos este tipo de exames. Devia ser normal. Todos os atletas deviam fazê-lo. Mas entre tu e os teus amigos corredores, quantos já o fizeram?

 

Acho que grande parte da prevenção deste tipo de situações como a da São Silvestre parte de nós próprios. Somos nós que devemos saber os nossos limites e somos nós que devemos cuidar do nosso corpo. No entanto, nalguns países, ou melhor, nalgumas provas, a autoridade impõe-se neste tipo de prevenção ao exigir atestados médicos para a participação em provas. Em Portugal, nas provas de 10K ou Meias Maratonas nas quais participei tal não acontece. Nem nas ultramaratonas em trilhos portugueses (em Portugal, só no OH MEU DEUS - Ultra Trail Serra Da Estrela - 100 Milhas é obrigatória a apresentação de atestado médico)! Aconteceu sim no Prom Classic, uma prova de 10K que se realiza no início de cada ano em Nice, França.

 

Inscrevi-me nesta prova, pela internet, mas foi exigido logo um atestado médico. Lembraste-te do atestado que tiveste que pedir para tirar a carta de condução? Pois, é algo parecido. Um documento onde o médico declara que estamos aptos para a prática de atividade física, ligeira e moderada, não federada, e adequada ao participante. Não sei que exames / análises se fazem normalmente; no meu caso foi muito rápido. Bastou apresentar os resultados das análises que fiz ao coração e ao sangue o ano passado e ouvir a respiração, em repouso. Questiono então porque e que nalguns países em provas “pequenas” com as de 10k exigem atestados e noutros, nem em ultramaratonas e provas de três dígitos o exigem. Será que em Portugal as organizações das provas também deveriam exigir atestados para evitar este tipo de situações?

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Outra coisa que acho é que cada um de nós, enquanto atleta, pode e deve fazer, é tirar um curso de primeiros socorros. Há cursos de 4 ou 5 sessões em horário pós laboral, baratos ou até gratuitos, que podem ensinar-te a salvar vidas. Sabes fazer uma massagem cardíaca? Sabes em que situações deves imobilizar a pessoa ou não? Lembras-te da posição lateral de segurança? Estancar uma ferida? Tudo isto pode salvar vidas, ainda mais em meios sem equipas de emergência por perto, como é o caso de trilhos.

 

O senhor que foi assistido na São Silvestre de Lisboa está, segundo informações da organização, fora de perigo e a recuperar. Felizmente.

 

Proponho-te então uma excelente resolução para 2016: faz um check-up médico para corredores e tira um curso de primeiros socorros.

 

Bons treinos e boas entradas!

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