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Correr na Cidade

Casais que correm por amor

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Por Filipe Gil:

 

Quando me perguntam como é que concilio a vida pessoal e profissional com a frequência das minhas corridas (que não são assim tão frequentes: 3 a 4 vezes por semana) respondo automaticamente que é tudo uma questão de organização, planeamento e vontade. Algumas pessoas sorriem, porque, de facto, não sou a pessoa mais organizada do mundo – exceto na vida familiar.


Eu e a minha mulher somos quase uma máquina suíça na nossa organização de casal (com criatividade à mistura, para não ficar monótono e previsível). Tanto planeamos que, por vezes, temos convites para jantares de aniversários a uma quinta ou sexta e torna-se impossível mudar a nossa meticulosa agenda para estarmos presentes no sábado ou domingo de festa. Temos sempre planeamento para uma semana, no mínimo, e os eventos mais importantes têm semanas de antecedência. Claro que há exceções, e como bons portugueses por vezes conseguimos desenrascar algumas soluções para uma família de quatro. Mas nem sempre.

 

Ora quando isto das corridas começou a ser mais frequente, lembro-me como se fosse ontem, que ao regressar a casa dos 20kms de Cascais – a minha quarta prova em cinco semanas seguidas – e ao mostrar uma bela bolha num dos pés, ouvi isto da boca da minha mulher: “isto agora das corridas vai continuar assim, todos os fins-de-semana?”. Engoli em seco e por momentos a dor de culpa foi maior que a da bolha cheia de sangue que latejava no pé.


Comecei a perceber que a estava a deixar de lado a minha mulher, o meu filho e o outro que já estava na barriga da mãe por causa das corridas. Se a três já era complicado, quando nos tornássemos quatro não podia ir correr para todo o lado deixando a mulher a tomar conta das crias sozinha. Nessa altura, e depois do impacto de ter percebido do meu egoísmo, tinha duas soluções: ou diminuía drasticamente a minha frequência de corridas e treinos, o que não me apetecia nada, ou convencia-a a começar a correr. Claro que já estão a ver qual foi a minha escolha!


Mas não se pense que foi tarefa fácil. A minha mulher, até então, nunca tinha corrido e, na altura chamava-me, a mim e aos meus parceiros de corrida, loucos.  


Aos poucos lá a convenci e peguei-lhe o vício. Criei o conceito Just Girls e hoje em dia corre, e bem, e prepara-se para fazer o seu primeiro trail mais a sério na Louzan. A dinâmica é tão engraçada que ainda este fim-de-semana passado fiquei em casa a fazer babysitting de três e a mulher, em conjunto com dois elementos da crew, foi dar um treino para o Jamor.

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Ora este palavreado todo para vos dizer que, se são corredores e adoram correr, mais do que conseguirem fazer 10 km em menos de 50 minutos, ou baixar o tempo da Meia Maratona para 1h50m, um dos vossos maiores desafios é convencer a vossa cara-metade também a correr. Desculpem o pessimismo, mas se não o fizeram vai ser difícil justificar à cara-metade que “têm” de ir correr, que “têm” de ir a uma prova, que "têm" de ir com os amigos das corridas três dias para uma prova nos confins do país ou mesmo no estrangeiro, para além de que é um egoísmo grande não partilhar os benefícios (de saúde, mentais, etc) da corrida.  E a isso juntam-se os inúmeros estudos que indicam que casais que correm ganham uma cumplicidade ainda maior (até a nível sexual!!!). Atenção, não estou para aqui a dizer que devem fazer tudo juntos, que treinem juntos, que corram juntos, não. Estou a sublinhar a importância da mesma paixão e da mesma linguagem dentro de casa. Até os vossos filhos, se os tiverem, ficaram imbuídos no espírito fitness - o meu mais velho, organiza corridas na escola...

 

É a pensar nessa cumplicidade que dou por mim, muitas vezes, a procurar exemplos de casais corredores. É claro que adoro ver os exemplos dos outros todos: solteiros ou sem filhos, verdadeiros “Lone Rangers” com tempo para treinarem e, ao mesmo tempo arrebatarem corações e serem bons ou boas profissionais. Mas confesso que são os casais que me fazem perder horas a ver vídeos do YouTube. Que é neles que procuro inspiração nos dias que me falta. É neles que penso: se eles conseguem nós também vamos conseguir!

 

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Dominic Grossman e Katie Desplinter


Internacionalmente tento seguir as carreiras do casal Katie Desplinter e Dominic Grossman, um casal de ultra trail runners de Los Angeles que apesar das suas vidas profissionais (ela é copywriter numa agência de publicidade, por exemplo) têm uma dinâmica divertida e partilham muitas corridas e trilhos. Ou então, o casal Jennifer e J.B. Bena, ultra runners, autores de filmes e podcasts sobre Trail Running (Trail Runner Nation) e ainda país de dois, ufa! Ou ainda Hal Koerner e a mulher, Carly Koerner, também ultra runners, que em breve terão mais um rebento.

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Jen Benna e JB Benna

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 Isabel e David Faustino, talvez o casal português com mais kms de trilho nas pernas.


A nível nacional, há alguns exemplos de casais em que ambos correm e muito, como o David Faustino e a mulher Isabel Moleiro. Casais que, tal como eu e a minha mulher, tentam conciliar o tetris familiar e profissional com a paixão pela corrida. Mas, há outro casal, que por via das corridas quer eu quer a Natália, quer alguns dos membros da crew do Correr na Cidade temos ganho uma grande sintonia e amizade, não só na corrida como noutros aspetos do dia-a-dia. Convivemos para lá dos trilhos.

 

Falo-vos do Rui Pinto e da Marta Moncacha. Conheci a Marta primeiro, quando me pediu um texto sobre este blog para uma revista da Câmara Municipal de Oeiras. E o Rui aquando da Corrida do Tejo. Desde então, quase sem querer fomos aproximando-nos e percebendo que temos amigos comuns e gostos comuns, para além da corrida. Preparei a minha aventura no Ultra do Piódão com o Rui, por exemplo. Mas, sobretudo, e falo por mim, percebi aquilo que uma pessoa nos 40 já tem alguma perspicácia para entender: são excelentes pessoas.

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Eu na foto com o Rui Pinto (de óculos de sol), Nuno Malcata e o Nuno Alves durante o Ultra Trail do Piodão


Confesso que não tenho paciência para pessoas matreiras e/ou complicadas, e para pessoas negativas. Aos 40 anos só me dou, na minha vida privada, com quem realmente gosto. É um statement. E com a Marta e o Rui (tal como outras pessoas conheci recentemente) é esse o caso. Gosto deles. Ponto.

 

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Ora, para além de simpáticos, gostarem de correr - em estrada e nos trilhos -, terem filhos, blá, blá, a Marta e o Rui decidiram lançar, hoje, um blogue para partilhar a sua paixão pela corrida. Um blogue chamado "Um Dia Corro Contigo" que já está na nossa lista de links (ali à direita) e que vamos seguir avidamente. Falo por mim, mas será um tremendo gosto segui-los nesta aventura de casal que corre. Será uma inspiração para muitos trazerem a sua cara metade para as corridas, estou certo disso.

Boas corridas Marta e Rui!

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