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Correr na Cidade

Azores Trail Run: Sou solo-ultra-maratonista!

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Por Bo Irik:

 

Em fevereiro foi a Maratona de Sevilla, em março o Ultra-Trail de Piódão, em abril o Gerês Trail Adventure e agora no final de maio o Azores Trail Run (ATR).

 

"Oh Bo, mas tu não andas a correr de mais?". Andei. Andei, sim. Adorei cada passo que dei em cada uma destas provas, mas agora sinto que preciso de descansar. E correr quando me apetecer sem pressões porque vêm aí grandes desafios.

 

Os preparativos para o Azores Trail Run começaram em Novembro do ano passado. As imagens deslumbrantes e relatos da primeira edição desta prova rapidamente me convenceram a inscrever-me na sua segunda edição e aproveitar a ocasião para umas férias com amigos. Da crew foi a Joana (que foi à Prova dos 10 Vulcões, 22km), o Nuno Malcata e o João Gonçalves, sendo que estávamos inseridos num grupo maior, onde se iam juntando mais gente consoante o programa.

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Assim, na passada quarta-feira, embarcamos nesta aventura. Seria o meu primeiro contacto com o arquipélago português e as expetativas eram muito, muito elevadas. Apesar de alguns stresses profissionais e pessoais antes da prova, no sábado de manhã, pelas 7 da manhã, lá estávamos nós, no centro da Horta, Faial, para apanhar o autocarro para a zona da partida, da Ribeirinha. Autocarro às 7h para começar a prova às 9h? Sinceramente nem custou nada. O dia estava lindo, o ambiente muito simpático e na zona da partida tínhamos um banquete de queijos variado e pão lêvedo ao nosso dispor, bem como café e águas. Muito bom.

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Rapidamente chegou às 9h e deu-se o início da prova, em direção à costa Este, pois, a prova seria de Costa a Costa. Arranquei no meio de amigos mas rapidamente os perdi de vista, pois, nesta prova, o meu desafio seria fazê-la sozinha, já que estava habituada a fazer as provas de trail sempre em “equipa”. Estava com algumas dúvidas em relação a minha preparação física, pois, desde o Gerês Trail Adventure, no final de Abril, tinha estado com dores nos tornozelos e apenas corri três vezes (e três treinos de elíptica, ótimos para evitar impacto mas manter a forma). Cheguei a fazer uma sessão de acupunctura com electroestimulação e massagens na Jing e nos dias antes da prova já não tinha dores. Mas… estaria preparada? Queria mesmo fazer esta prova. Queria fazê-la sozinha, por mim. Estava a precisar. Se fosse necessário, desistiria, mas felizmente não foi o caso!

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A primeira parte, a descer até ao mar, foi ótima para aquecer os músculos. Sentia-me bem. Nada de dores. Assim que começamos a subir, uns degraus na terra, comecei a sentir a falta de condição física. Custou-me respirar (como podem ver no vídeo que publiquei no Facebook). A paisagem era tão bonita, com uma flora tão densa e variada, parecia uma selva – uma boa fonte de motivação. Corri nas partes a descer e nas partes planas, e nas subidas tentei sempre caminhar a um bom ritmo. Foi num estradão aos ziguezagues que me lembrei de um novo conceito – o “cowfie” – uma “selfie” com uma vaca. Não duvido de que muita gente tirou cowfies durante o ATR!

 

Ao km 18 chegamos à Caldeira. Imponente e megalómana, transmite uma energia muito positiva e ver os atletas a correr à sua volta foi mágico. O tempo estava bom, dava para ver bem o interior da Caldeira e das vistas à sua volta. Chamei-lhe uma “voltinha de honra”, mas foi uma volta difícil, com a algumas subidas e muito técnica! Depois da Caldeira, o percurso até aos Capelinhos, a zona da meta, prometia ser marcado por um declive negativo. Na prática, de descidas tinha pouco, uma das principais, um estradão a descer, aproveitei para me espalhar. Nem sei como o fiz, foi num dos troços mais fáceis da prova, por volta do km 30, que tropecei. Vá-la que a lesão foi apenas superficial e estava acompanha, sendo que o José Melo e Bárbara Baldaia, me ajudaram com uma limpeza superficial. Muito obrigada aos dois.

 

Confesso que as feridas da queda se tornaram um desafio adicional na minha aventura, pois, fiquei com algum medo de voltar a cair, não podia usar as mãos para me arrancar em troncos nas subidas e descidas mais ingremes e as feridas nos joelhos doíam muito ao dobra-los para subir e descer os degraus que marcavam os vulcões que tivemos que enfrentar ao longo do percurso. Houve um breve momento que pensei em desistir mas a senhora que desinfetou as feridas num dos abastecimentos foi tão simpática e consolou-me pelo que decidi que, já que os tornozelos se estavam a ‘portar bem, iria concluir a prova. Estas feridas não eram graves e nunca iriam resultar em lesões graves devido ao excesso de esforço.

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Foram três vulcões grandes que tivemos que passar depois da Caldeira, numa percurso muito técnico e vistas e single tracks de cortar a respiração. Houve um troço lindo ao longo de uma levada, foi mágico, fez lembrar um dos meus trilhos preferidos na Lousã. Nos últimos 6 kms não queria mesmo parar, tinha entrado num transe - um modo automático, a pensar no quão belo seria descer o vulcão dos Capelinhos até a meta. Foi de facto lindo. Uma imagem que jamais esquecerei, bem como o abraço dos meus amigos a minha espera na meta.

 

Pontos positivos:

 

- Convívio e envolvência de acompanhantes: neste áspero a organização esteve muito bem. Desde uma Tertúlia sobre Trail Running, Turismo, Desporto e Saúde; o “Carbono Zero”, uma iniciativa de plantação de plantas naturais dos Açores para reduzir a pegada ecológica da prova e o “Trails in Motion”, um festival de cinema sobre trail running nos dias antes da prova à Pasta Party muito bem organizada na véspera à festa de encerramento depois da prova com jantar incluído. Todos os eventos eram de livre acesso aos participantes e respetivos acompanhantes, criando um verdadeiro espírito de convívio para além da prova em si. Para além disso, no dia da prova, os participantes da prova mais curta, Trail dos 10 Vulcões, estiveram na partida dos atletas do ultra trail (às 9h00) e ainda 5km depois, numa vila, até onde foram transportados pela organização para nos apoiarem antes de darem início à sua aventura que arrancaria depois, na Caldeira.

 

- Vertente internacional: tal como no GTA, achei muito interessante conhecer pessoas de outros países que partilham a mesma paixão pelos trilhos, partilhando experiências, planear desafios internacionais, conhecer novas marcas, etc.

 

- Paisagem: fiquei fã do Faial. Tanto pela tecnicidade dos trilhos como pela beleza e variedade da paisagem envolvente, desde vulcões áridos e secos à selva húmida com vegetação incrível. E as vistas… E as vaquinhas… 

 

- Partida / Meta: muito bem preparado logisticamente - na partida com instalações da Junta de Freguesia da Ribeirinha, com petisco, água e café e na meta num cenário natural único, com um comentador, abastecimento final, cerveja e peixinho. Ah, e a bela da banhoca nas piscinas naturais do Vulcão dos Capelinhos foi TOP!

 

- Sinalização e abastecimentos: nada a apontar. Era impossível perder-nos com tantas fitas e voluntários e nos abastecimentos tinha gente muito simpática e abastecimentos muito completos.

 

- Kit do atleta: não podia ser mais completo! Frasquinho de mel, queijinho regional, dorsal com perfil altimétrico e chip incorporado, t-shirt e informação acerca da prova numa revista própria. No fim, medalha e buff de finisher.

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Pontos a melhorar:

- Acesso à informação: durante as semanas antes de prova, tenho indicação que houve gente, que comprou os pacotes com voo incluído que sentiam alguma falta de informação, nomeadamente em relação aos voos. Eu própria não senti isso porque comprei o meu voo à parte. O regulamento estava disponível a tempo e horas e muito completo.

 

- Massagens: havia massagens. Pagas. Embora parte do seu valor revertesse a favor de um projeto social, na minha opinião, uma massagem de 10 minutinhos depois de uma prova destas sabe sempre bem.

 

É claro que o balanço final é MUITO positivo. Para o ano gostaria mesmo de voltar ao Faial ou quem sabe antes!!!

 

Vamos?

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