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Correr na Cidade

A minha maratona de Londres (2014)

Hoje realiza-se a fantástica Maratona de Londres. Uma das mais importantes a nível mundial. Recuperamos os posts do Pedro Tomás Luiz que fez a prova em 2014 a convite da Endeavor Travel & Sports. Como dizem: recordar é viver.



Por Pedro Luiz Tomás:

 

Ainda envolto por uma inebriação digna de um conto do Lewis Carroll, começo a escrever este Race Report. Como sabem estive este domingo em Londres a correr a Maratona, graças a uma parceria entre a Endeavor  Travel e o Correr na Cidade. Durante a minha estadia fui escrevendo sobre as minhas expectativas, vivências e emoções, mas confesso que nada daquilo que pensei, ouvi ou imaginei chegou perto daquilo que vivi.

 

Dia da Maratona:

Como sempre, na véspera tinha organizado metodicamente todo o meu equipamento. Preparei a t-shirt, os calções, meias, sapatilhas, verifiquei o funcionamento do GPS, preparei o dorsal e o cinto com os géis. O transfer do hotel, para a partida estava marcado para as 7h, pelo que acordei por volta das 5:15, para me poder organizar tranquilamente. Às 5:30 eu e o Denis descemos para tomar um bom pequeno almoço, que por norma costuma ser aletria/arroz doce e café, mas dada a falta desses alimentos, lá me safei, com alimentos bem familiares, ovos, fiambre de peru, pão e café (não é dia para inventar em nada, especialmente no que toca a comida).

 

De barriga cheia, regressamos ao quarto onde nos equipamos tiramos a primeira selfie, com um sorriso de quem sabe que nos espera um grande dia.

 

 

No autocarro a energia era vibrante, apesar de ser bastante cedo, todos os corredores iam animados falando, do tempo, da cidade, da prova e da estratégia de corrida. A partida da maratona é feita de três pontos diferentes e faseadamente. Assim tínhamos:

  1. 08:55 Blue Start: atletas em cadeira de rodas;
  2. 09:00 Blue Start: atletas com deficiência (onde estava o grande Pina);
  3. 09:15 Blue Start: elite feminina;
  4. 10:00 Blue Start: elite masculina;
  5. 10:00 Blue, Red e Green Start: restantes atletas.

Tendo sido colocado na Blue Start, fomos levados para um enorme relvado, vedado, onde tínhamos à nossa espera café, chá, leite, água e isótonico, isto para não falar nas centenas de WC alinhados no recinto e devidamente coordenados por elementos da organização. O tempo até à partida foi passado em amena conversa, apanhando um fantástico banho de sol e a hidratar para a prova.

 

 

Cerca das 09:30 dirigi-me ao camião, para deixar o meu saco, que haveria de estar na meta à minha espera. Já no gate 9 percebi que estava na cauda da Blue Start, ou seja teria pela frente corredores bem mais lentos do que eu, não que isso fosse um problema dado que não tinha qualquer intenção de concretizar um tempo especifico. Os meus objetivos para esta prova estavam bem definidos: (1) acabar, (2) de preferência em cerca de 4 horas (os 50km do Piodão ainda estavam muito recentes no corpinho) (3) aproveitar e absorver cada momento desta experiência.

 


 

Às 10h o tiro de canhão supostamente terá dado inicio à corrida (não que tenha ouvido alguma coisa), mas de onde eu estava até à partida foram uns longos 15 minutos.


Começada a corrida, era impossível esconder o sorriso. Com o véu a levantar-se comecei a compreender a verdadeira dimensão desta prova… Além dos milhares de corredores que estavam a correr a maratona, havia o triplo de pessoas a assistirem à prova, mas estas não se limitavam a bater palmas ou a observar, estas pessoas gritavam euforicamente por todos os atletas. Não há palavras que possam descrever aquilo que vi, ou senti.


Ainda só com 3,5 km nas pernas, tive fazer o meu primeiro e único pit stop. Apesar de ter ido ao WC antes de começar a prova, comecei quase à “rasquinha para fazer um chichi”. O chá que bebi estava a fazer os seus efeitos.

 

Ultrapassadas as questões fisiológicas, meti um ritmo bastante confortável, em torno dos 6m/km e o qual eu tinha certeza que me daria para correr até ao infinito. Além disso, mesmo que quisesse correr mais rápido, não teria conseguido, o facto de ter partido muito de trás, obrigava a um ziguezaguear constante e consequentemente a um esforço adicional. Mesmo assim eu e o meu companheiro Manuel Barros (clube do Stress) lá fomos progredindo por entre a multidão.



O percurso passa por muitos lugares emblemáticos da cidade de Londres, sendo que por volta dos 10km surge o grandioso Cutty Sark (o barco e não a bebida), numa curva bem apertada contornámos este magistral barco.

 Mais à frente, por volta do km 20, no dobrar de uma esquina surge de surpresa a Tower Bridge. Aqui, fosse pela energia do público, fosse pela paisagem, senti aquele arrepio no estômago e uma emoção quase transcendental.

 

Passada à ponte pude ver a Tower of London, onde estarão depositadas as jóias da coroa. A partir daqui o percurso abre para ruas mais largas e entra-se numa zona em que é possível ver passar os atletas que já estão a passar o pórtico dos 35km.

A passagem da meia maratona marca uma mudança na minha prova de duas formas. Em primeiro lugar, foi aqui que deixei o meu companheiro Manuel Barros, que apesar de se estar a sentir bem quis abrandar e em segundo lugar, com as pernas já a acusarem um bocadinho o esforço, decidi que era tempo de arrumar o telemóvel e concentrar-me na prova.

 

Daqui para a frente a prova teve pouca “ciência”, o meu ritmo estava bom e confortável, não sentia qualquer dor, a estratégia de toma de geles estava a funcionar (1º aos 15km, 2º aos 22km, 3º aos 30km e 4º aos 40km) e acima de tudo sentia-me incrivelmente feliz por estar ali a viver aquele momento.

Por volta do km 33, passo pela claque da crew Londrina (Run Dem Crew) e sou brindado com um ruidoso apoio (não diretamente para mim, mas para um corredor desta crew que estava bem pertinho de mim). Ia na expectativa de poder tirar uma foto com eles, mas o facto da estrada ser estreita e de eles já terem ocupado uma parte da estrada, fez-me optar por seguir caminho (digamos que aquele local estava bem ao estilo de um Tour de France). Houve ainda tempo de passar pelas famílias do clube do stress, que com uma bela bandeira portuguesa me cumprimentaram e apoiaram, bem como por duas caras conhecidas que brilhantemente iam no seu ritmo.

 

Ao km 35 grande parte dos corredores já iam mais a andar do que a correr, havia muitos corredores a ser assistidos pelos paramédicos, outros a parar para alongar e uma impressionante senhora, que apesar coberta de diarreia nas pernas, continuava determinantemente a correr em direção à meta.

 

Entrado em Victoria Embankement o pórtico das 25 milhas sorria para mim, pensei “Está  feito” voltei a relaxar a sacar do telemóvel para poder gravar os momentos finais. Passagem pelo Big Ben, pela Abadia de Westminster, entrada no St. James Park, passagem pelo Buckingham Palace e… aquela maravilhosa visão… a meta…

 

Ao som do Happy, lá fui eu a dançar em direção à meta. E o que é que se faz quando se corre em direção a uma meta?.... Faz-se uma paragem para última selfie da prova.

 

Dados da Prova:

  • Tempo de chip: 04:17:15
  • Média de 6,6 m/km;
  • Classificação: Lugar 15787;
  • Classificação por escalão (18-39): Lugar 6119;
  • Ultrapassei  1619 corredores;
  • Fui ultrapassado por 15 corredores.

 

(Por altura que lêem este post o Pedro Tomas Luíz deve estar a terminar a sua participação no MIUT, pela 2ª vez consecutiva)

 

 

 

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