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Correr na Cidade

Louzantrail 2018 - o regresso à dureza!

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  Antes da partida, o nervosismo era disfarçado

E, mais uma vez, cá estou eu a escrever sobre a minha participação no Louzantrail. Se calhar já estão cansados de me ler as minhas reviews da prova mas, não conseguindo explicar o porquê, sinto sempre a necessidade de "falar" desta aventura. Para mim, a ida ao Louzantrail é quase um vício, e tento nunca ir sozinha nesta aventura. Tudo começou em 2014 e foi paixão à primeira vista. Mas, este ano, teve um sabor diferente...

 

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A preparação começa logo no início do ano com as inscrições e a reserva da casa.  Como temos mais 2 membros novos no grupo (o Bruno e o Ulisses) e sei que outros também queriam ir, fiz questão de tratar de tudo. Só faltavam mesmo os treinos, e isso não consegui cumprir como eu queria. Tendo a plena noção desta condição aventurei-me por 3 objetivos: rever amigos de aventura que só vejo anualmente, ficar atenta ao tipo de alimentação e preparação de outros atletas e divertir-me ao máximo (mesmo que tivesse de desistir a meio da prova). Em 2016 desisti ao 13ºKm e foi das coisas que mais me custou fazer, pois sabia que tinha treinado mas o corpo não respondia à alimentação. E, quem anda nestas aventuras, tem de se mentalizar que (em primeiro lugar) está a nossa saúde e em segundo lugar está o nosso orgulho.

 

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Ai que dupla...

Como eu já conhecia um pouco o trajecto, sabia que vinha aí uma valente subida logo ao início. A corrida inicial foi óptima (deu para aquecer), mas comecei logo a sentir o calor. As previsões iniciais para aquele dia davam 34ºC para a Lousã e eu sabia que existiam alguns pontos onde eu ia sofrer um pouco. O ambiente vivido naquela primeira subida foi excelente, as pessoas conversavam, diziam piadas ("eu devia era ter ficado em casa" ou "o Manel é que foi esperto, ficou em casa a assar o porco") e lá iam subindo. Depois dessa subida, o grupo dispersou-se mais e percebi que eu e o Bruno estávamos quase sozinhos (por momentos pensei que estava em último lugar), mas ouviam-se uma vozes ali perto. 

 

Nos primeiros 3-4 Km, a paisagem é linda, com muita sobra e com o barulho da água a cair de vez em quando. Mas toda a atenção é pouca para o chão que pisamos, pois escorrega que se farta. Um pouco mais à frente oiço uma rapariga muito animada, com quem meto logo conversa - Tânia Fernandes. Super divertida, cheia de ânimo, incentivava qualquer um que passava. Quem me conhece sabe que, mesmo que comece a prova sozinha, chego sempre acompanhada. Lá vamos nós subindo e encontramos a Mónica pelo caminho. Neste momento já éramos quatro doidos serra acima, a parar para respirar melhor sempre que podíamos, mas com muita gana de continuar a prova.

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 Concentração na respiração e força nas "canetas"

 

E, depois duma subida, vem sempre uma descida. E foi aqui que comecei a perceber que não estava preparada para aquilo. Com algumas derrapagens e mãos no chão, lá fui descendo e tentando não me lesionar. Até que, faltando uns 1500m para o primeiro abastecimento no Terreiro das Bruxas, começo a sentir que estou a perder força nas pernas. O corpo começa a dar sinais de que não dá mais e comecei a fazer contas de cabeça: com o que falta para terminar, não vou chegar a tempo ao final. Os restantes pareciam estar cheios de vontade em continuar e, ao chegar ao abastecimento, digo ao Bruno:

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 "Eu fico por aqui"

Desta vez a decisão foi fácil de tomar e não fiquei de todo aborrecida. Outra aventura começava: falar com algumas pessoas que não via há algum tempo e esperar pelos meus companheiros. O Bruno e as meninas continuaram e eu lá fui para a meta de boleia.

Por esta altura o calor apertava e eu sem conseguir comer nada (um dia contarei a minha história com a alimentação antes, durante e pós prova). Passado algumas horas, chega a primeira aventureira, a Rute! Antes da prova dizia que só ia andar e que não tinha treinado, mas eis que se destaca de todos e deixo de a ver na prova logo após a corrida inicial. Comigo estava a Carla Raposo, outra aventureira cheia de garra e com quem partilhei alguns bons momentos na Lousã em 2016. 

Depois, chegam notícias do meu grupo: a Mónica desiste devido a uma queda e diz-me que o restante gurpo desiste no 2º abastecimento e que vem por atalhos até à meta. 

Assim, só faltava chegar a Bo e o Xico, o Tiago e o Ulisses.

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 Uma grande dupla que, mesmo em momentos de desânimo, chegaram ao final cheios de sorrisos :)

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O grande Ulisses que termina os 40 e tal Km com um sorriso e com uma velocidade tal que parecia que não tinha corrido nada

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 E o Tiago! Sem palavras para a força que ele tem!

Voltando à minha prestação e à prova, de acordo com o que eu vivi noutros anos, a prova está mais difícil e a exigir uma grande preparação (para as subidas mas, principalmente, para as descidas). A segurança e organização foi fantástica (tendo em conta os casos que ouvi na meta) e a simpatia do "apresentador" da prova na meta é essencial para nos manter animados. Os trilhos estão bem marcados e destacados e o percurso é lindo (pelo menos o que fiz e o que eu já conheço da prova). 

Se sou a melhor pessoa para falar desta prova? Não. Se espero voltar para o ano? Sim, mas só na condição de conseguir treinar como deve ser. Se recomendo esta prova? Sempre! Para mim, continua a ser das melhores provas de trail do nosso país, tendo em conta a paisagens, os trilhos e a organização.

 

Pontos a melhorar: tendo em conta que a prova é em junho e que, normalmente, está muito calor, recomendo a colocação dumas sombras para quem está perto da meta (um toldo, por exemplo); também devido ao tempo, a prova curta a começar às 09h00 pode não ser a melhor opção e uma hora antes pode fazer uma grande diferença; já agora, porque não ter uma prova com menos altimetria, só para aqueles que se iniciam em trail ou que não estão com vontade de subir tanto? Ficam as dicas!

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O Bruno, eu e a Rute na meta, à espera dos outros campeões

 

O que comer e beber para recuperar após uma prova

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 Foto tirada por Fotosdoze no Louzantrail 2018

 É certo e sabido que a nutrição é muito importante para uma rápida e eficiente recuperação depois duma prova como o Louzantrail. Também é certo começarem a decorrer alguns fenómenos (dolorosos) no nosso organismo como as dores musculares, que duram vários dias.

 

Posto isto, é fundamental perceber qual o objetivo da alimentação após uma prova ou um treino mais intenso:

Repor as reservas de glicogénio muscular e hepático (recuperar energia)- o glicogénio (polissacarídeo formado por glicose) é uma fonte de energia que está armazenada nos músculos e no fígado e ao qual o nosso organismo recorre instantaneamente quando o valor da glicemia começa a baixar. Repor o glicogénio é fundamental para voltarmos a ter níveis energéticos aceitáveis. Alimentos mais ricos em "açúcares simples" são fundamentais para um boost de energia rápida e podem ser ingeridos com um pouco de "proteínas". Ex: um batido de proteína whey com uma banana; iogurte com aveia e uma fruta; uma sandes com ovo cozido ou atum natural.

 

Acelerar a recuperação muscular - o exercício é um stress para o nosso organismo e provoca um catabolismo (destruição) das células musculares. Ingerir alimentos mais ricos em proteínas é importante para minimizar este impacto e reconstruír massa magra. Ex: ovo cozido, proteína whey com BCAAs extra, carne magra.

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Repor o equilíbrio eletrolítico - magnésio, potássio, zinco e sódio são alguns dos minerais que sofrem grandes alterações após um treino mais intenso e ainda mais se esse treino ou prova for feito em condições atmosféricas adversas como as deste fim de semana (mais de 30º na Serra da Lousã). Ex: pastilhas ou cápsulas de electrólitos, ingestão de água tendo em conta a perda de peso pós prova (por cada Kg perdido, ingerir cerca de 1,5L de água em porções de 150 a 200 ml).

 

Reduzir o impacto da corrida no sistema imunitário - por muito estranho que possa parecer, o nosso sistema imunitário fica muito debilitado após uma prova mais intensa. E este impacto é tanto maior quanto mais rápido corremos. Por isso, após uma prova ou treino intenso, é necessário reforçar o sistema imunitário com ómega 3 (anti-inflamatório, antioxidante e com óleos essenciais fundamentais para a recuperação muscular), coenzima Q10 (antioxidante e protetora do sistema cardiovascular) e glutamina (estimula o sistema imunitário, ajuda a proteger a mucosa intestinal e intervém na síntese de massa muscular). 

 

 

E lembrem-se que a inflamação muscular é normal após o esforço e faz parte da recuperação. Evitem a toma de analgésicos ou anti-inflamatórios (sob a forma de medicamento) que só vão atrasar a recuperação.

 

Boas corridas!

A importância dos desportos complementares

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1ª Conferência de OCR | Police Challenge Viseu

21 Abril 2018

 

No passado mês de Abril participei numa corrida de obstáculos, a VISEU POLICE CHALLENGE, que apesar de ir apenas na sua 2ª edição, é já considerada a melhor do país e contará com outras edições ainda este ano (Leiria – 17 Junho; Portimão – 14 Outubro).

 

São mais de 1000 participantes, numa corrida de obstáculos de 10km com muita diversão e competição saudável. Muita lama, tiro, rastejar, água, saltar e trabalho de equipa. A Prova está muito bem organizada, com obstáculos desafiantes, alguns acessíveis mas muitos já com um grau de dificuldade elevada. É uma prova muito bem estruturada com uma parte do percurso em área urbana e outra parte em zona verde.

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Na véspera da prova a organização promoveu a 1ª conferência de OCR (Obstacles Course Race) em Portugal, com diversos oradores e que abordou temas como a importância dos desportos complementares e a prevenção de lesões.

 

Para quem considera a corrida o seu desporto de eleição é importante ouvir testemunhos sobre a importância de variar e de utilizar outros desportos para potenciar o nosso desporto principal, sejamos ou não atletas profissionais. Foi o que alguns dos oradores vieram afirmar com base nas suas experiências.

 

O primeiro testemunho foi da atleta portuguesa com mais medalhas em provas de OCR, a Inês Jordão, que nos falou um pouco da sua trajetória desportiva e da importância de direcionar os nossos treinos para as nossas fragilidades.

 

Por exemplo, a Inês Jordão, como atleta de Spartan Races (provas de OCR com elevado grau de exigência técnica e física) confessou que recentemente se virou para o Trail Running pois achou que lhe faltava endurance para aguentar melhor as Spartan Races. Utilizando assim o trail (já a treinar com o objetivo de participar na prova de 106km na Ilha da Madeira) para aumentar a sua resposta cardiovascular e com isso conseguir melhores performances no seu desporto principal – Spartan races.

 

Tiago Lousa, orador convidado na condição de treinador de Crossfit, mas também ele atleta medalhado de Spartan races, deu ênfase à importância do treino funcional (como o crossfit) planeado e direcionado para os objetivos e fragilidades dos atletas.

 

A base do treino funcional é a reprodução dos movimentos que fazemos no nosso dia-a-dia – sentar, andar, agachar, correr, deslocar objectos – e tem como objetivo fortalecer o nosso corpo e dotá-lo de movimentos que facilitem a nossa vida.

 

No entanto, no crossfit treina-se muito mais do que isso, treina-se resistência, força e velocidade. Treinam-se capacidades físicas coordenativas, como o equilíbrio e a destreza (através dos skills gímnicos), treinam-se movimentos de carga / Halterofilismo que não sendo funcionais servem para se ganhar força, coordenação e também reforçam o equilíbrio permitindo um transporte ou deslocamento de cargas mais eficaz e seguro noutras actividades desportivas e também nas actividades do nosso quotidiano. Todas estas actividades servem também para ajudar a melhorar o desempenho, por exemplo, na transposição de obstáculos para quem quer participar em provas de OCR.

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Também no crossfit, pela variedade dos treinos e pela vontade de evoluir e de nos superarmos, treinam-se capacidades mentais importantes para todos os atletas, como a força de vontade, a disciplina, a resiliência, o saber sofrer, etc.

 

Para os atletas de alta competição, a estrutura mental é de extrema importância para sua performance pois na maioria das vezes “é preciso acreditar que se quer” – palavras do Tiago Lousa que também não se considera um atleta de OCR mas sim, como a Inês Jordão, um atleta de Spartan Races.

De acordo com ambos, numa Spartan Race, há um maior grau de exigência a nível de resistência (endurance) mas os obstáculos são mais de esforço de sofrimento do que de grau de dificuldade física, daí a importância da estrutura mental de um atleta.

 

Assim sendo, o trabalho mental é também muito importante para um atleta que se pretende superar ou melhorar grandemente a sua performance, pois além da prova em si, o próprio treino diário já pressupõem uma maior dedicação e força de vontade para que a transformação aconteça.

 

O médico fisiatra Paulo Casalta concentrou o seu testemunho na prevenção de lesões. De acordo com o médico, um aquecimento condigno é muito importante na prevenção das lesões. Um aquecimento de baixa ou moderada intensidade, como um light jogging, utilização inicial de cargas leves, alongamento muscular inicial e uma boa hidratação são essenciais – e porquê?

 

- Porque melhoram a distribuição de sangue por todo o corpo mas também nas zonas requisitadas

- Porque melhoram o aporte de fluido articular e trabalham as articulações que iriam ficar em stress durante o treino sem um aquecimento prévio;

- Porque melhoram o funcionamento muscular (compliance muscular). O alongamento provoca uma perda de força muscular mas se houver uma contracção isométrica logo de seguida, essa perda é reversível e torna-se até positiva pois reforça o trabalho do próprio músculo;

- E porque uma boa Hidratação regula com maior eficácia a temperatura corporal e todo o processo metabólico (nota muito importante, de acordo com o médico Paulo Casalta – principalmente – para os atletas de trail e ultra-trail!).

 

O médico falou-nos um pouco também do mito da toma de anti-inflamatórios antes de uma prova – é um erro!

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O consumo de anti-inflamatórios diminui o aporte de sangue aos rins, o que aumenta a probabilidade de lesão renal pois a extração de toxinas fica diminuída – um das funções principal dos rins. A actividade renal é muito solicitada quando o corpo está em esforço pois também trabalha para manter o equilíbrio hídrico no organismo, compensando a perda de água e sais.

 

Concordando com os oradores anteriores (Inês Jordão e Tiago Lousa), também Paulo Casalta defende a importância do treino complementar/acessório. Há atletas de trail e ultra-trail cujo treino é só correr, correr, correr e correr!

 

De acordo com a sua experiência, assim não há treino muscular ou articular, há só desgaste. O treino de reforço muscular e articular, o treino de equilíbrio, o treino de “core” são de extrema importância para proteger os músculos e articulações cujo esforço será solicitado durante uma prova. Na opinião do médico, O treino acessório é algo que é necessário implementar para melhorar e corrigir a performance e prevenir lesões.

 

Ficou também uma chamada de atenção para a importância do “cool down” – parar abruptamente não faz bem, deve haver uma normalização controlada da actividade muscular e de todo o sistema cardiovascular.

 

Um bom alongamento final ajuda a restabelecer as micro-roturas musculares geradas pelo treino. Apesar de durante o alongamento existir uma acentuação dessas roturas através do alongar das fibras musculares, há sempre uma vantagem na recuperação muscular pois a compliance muscular é reforçada através dos movimentos isométricos provocados pelos exercícios de alongamento.

 

Paulo Casalta, aconselha também o uso de “foam rols” cuja utilização considera que tem tido resultados positivos na recuperação muscular, assim como as massagens pós e pré-treino, principalmente para atletas com elevada carga horária e grau de exigência nos treinos, porque ajuda a prevenir as assimetrias musculares provocadas pelo treino intenso e a prevenir a descompensação muscular que pode levar à dor crónica.

 

Antes de terminar a sua apresentação, Paulo Casalta, reforçou a relevância do tema – a dor!

 

O mais importante para qualquer atleta é o respeito pela dor, saber ouvir o seu corpo. A dor a ter em consideração não é a dor resultante da fadiga muscular que se sente após um treino exigente ou durante uma prova dura. O problema não é a dor que nos remete para a expressão “no pain, no gain!”, mas a dor real, o desconforto físico que aumenta com o esforço e que permanece durante um treino ou uma prova e que persiste mesmo após o final da mesma.

 

É muito importante saber respeitar a nossa integridade física e conhecer os nossos limites, o desporto deve ser sempre um foco positivo na nossa vida, permitindo-nos beneficiar da alegria de melhorar as nossas performances desportivas mas também com o grande objectivo de “viver” com qualidade… Boas corridas!

 

Os suplementos alimentares surpresa - Overstim.s!

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Aposto que, ao verem a imagem anterior, disseram: um bolo? O que é isto?

 

É isso mesmo, um bolo! Mas já lá vamos. Esta é a continuação do artigo que saiu no dia 15 deste mês, onde eu dei a conhecer uma marca de suplementos alimentares franceses que já está no nosso mercado. Os primeiros produtos que experimentei tiveram uma avaliação positiva, principalmente o isotónico que gostei bastante. E agora vou falar um pouco sobre os outros produtos que experimentei.

 

Mais uma vez digo que esta é a minha opinião profissional e pessoal sobre estes produtos e que vocês podem gostar ou não. É uma questão de experimentarem.

 

Barras e barritas

Se há "categoria" onde sou mais esquisita é nas barras. Grande parte delas estão cheias de açúcar, aditivos e ingredientes de má qualidade. Quando vi a Barre Bio ou barra ecológica, fiquei um pouco desconfiada. Ao ler o rótulo, a percentagem de banana é de 49%  e a de tâmaras é de 49%. Pareceu-me estranho porque não estou habituada a ver uma percentagem tão elevada de alimentos naturais numa barra (e olhem que passam muitas barras pelas minhas mãos). Então e a que correspondem os 2% que faltam? Farinha de arroz e vitamina B1 (tiamina). Interessante...

A marca ainda garante que os ingredientes usados são provenientes da agricultura biológica (uma salva de palmas). 

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 Quanto à textura, dou nota 20 porque não é nem demasiado mole nem demasiado dura. Tem a consistência perfeita. E o sabor é mesmo muito bom, sabe mesmo a uma barrita daquelas que fazemos em casa. 

Esta barra também não tem glúten nem lactose, o que a torna mais fácil de digerir. 

Então e quando é que a podemos comer? Tendo em conta a consistência e a porção de açúcares (13g), eu recomendaria comer esta barra durante um treino ou mesmo uma prova mais exigente. Mas recomendaria apenas 2 barras nestes eventos, pois como é mais rica em frutose, pode causar algumas perturbações intestinais.

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E agora passamos para outra baaaaarra (é maior e mais pesada que a anterior e, por isso, os meus "a" a mais). A que experimentei é de frutos vermelhos, mas ainda existem as opções de banana-avelãs-amêndoas e sabor a chocolate e amendoins. 

Esta barra já tem mais ingredientes que a anterior, passando a ser mais indicada para as refeições pós treino ou mesmo durante o treino (consumida em pequenas porções). O sabor é bastante agradável e tem uma consistência mais firme que a anterior. Mas garanto uma coisa: não ficam com fome depois de comer esta barra! 

Um ponto que destaco, e já tinha feito noutros produtos no artigo anteiror, é que esta barra tem uma boa percentagem de zinco (tendo em conta outras barras), um mineral que reduz os efeitos do stress oxidativo que acontece durante os treinos. 

 

E agora, a surpresa!

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Quando estava a ler o rótulo deste produto, fiquei um pouco assustada com a referência a 500 Kcal por porção. Mas a marca considera 215g de produto já feito como porção (1/3 do bolo final). Eu considerei a porção como metade deste valor, pois o bolo deu para 6 porções. Cada porção que experimentei correspondia a 273,5g, com 26g de açúcares, 2,45g de gorduras, 4,55g de proteínas e 2,1g de fibras. 

Para quem não percebe muito sobre nutrição, isto parece mandarim, mas posso dizer que este bolo é uma boa opção para um pré-treino de longa duração ou mesmo entre competições, muito fácil de preparar (só temos de adicionar água, mexer e levar ao forno ou microondas). Claro que, no limite, recomendaria o valor da porção considerada pela marca, mas pode ser uma opção diferente do habitual. 

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 O sabor é a chocolate ligeiro, não sabe muito a doce e tem uma consistência muito fofa.  Quando juntamos a água e mexemos, fica com o aspecto duma mousse de chocolate.

Segundo as informações do rótulo e que já vi que é uma preocupação desta marca de suplementos, é que não tem glúten, nem conservantes, nem óleo de palma (sim, infelizmente existem muitos suplementos com óleo de palma). Outra referência no rótulo é que este produto está conforme a norma AFNOR NF V94-001, isto é, está de acordo com a regulamentação anti-dopagem, podendo ser utilizada por atletas profissionais e sujeitos a um controlo anti-doping regular.

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 Depois de ter experimentado estes produtos e de ter consultado o site da Overstim.s, fiquei curiosa  para conhecer melhor a marca, por ter o cuidado de selecionar ingredientes de boa qualidade para os seus produtos e por serem muito práticos para quem pratica atividades que envolvam a corrida. 

E digam lá que o bolo não ficou com bom aspecto!? (por cima adicionei um pouco de flocos de coco)

Boas corridas!

 

  

 

  

A minha primeira SwimRun - a primeira de muitas

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Espero que tenham lido o meu último post que serviu como uma espécie de introdução a este Race Report. Como o SwimRun é uma modalidade tão diferente da corrida em estrada e trilhos que aqui temos falado, achei que o tema merecesse um enquadramento.

 

Fiz portanto a prova Standard com o Nuno, em duplas, com o espírito de preferir desistir ou ser desqualificado por não cumprir o tempo limite da prova dos 25km do que fazer a prova dos 10km e cruzar a meta com a sensação de “quero mais”. 

 

Fomos levantar os dorsais no dia antes da prova e notou-se logo que o espírito é muito parecido ao das provas de trail. Na manhã da prova confirmou-se esse espírito: pouca gente e muita gente que já se conhecia. Um ambiente intimista e muito simpático. Estava bom tempo, solinho a algum vento e a temperatura da água rondava os 20 graus, que é ótimo.

  

No briefing fomos logo informados que a natação tinha ganho um peso um pouco maior na prova porque a barragem estava mais cheia do que o previsto. Além disso, o proprietário de um dos terrenos por onde era previsto passar não autorizou a nossa passagem e teríamos que percorrer um troço pelo alcatrão (felizmente viria a ser um troço lindo com paisagens alentejanas incríveis, de tal forma que nem nos importamos com o alcatrão).

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Depois do briefing estávamos então prontos para arrancar. O primeiro troço seria umas centenas de metros a correr antes de chegar à primeira natação. Comecei tão bem que nos primeiros 50 metros perdi a minha água. Levei um soft flask para poder hidratar entre abastecimentos. Tinha-o posto na bolsa de trás do tri-suit mas não funcionou. Então acabei por enfiá-lo no sutiã, nas costas, e aí sim, aguentou-se bem, durante as 6 horas de prova. Por ter ido apanhar o soft flask, ficamos logo nos últimos do grupo. Não me chateei com essa ideia porque também não estava com muita vontade de nadar no meio de tanta gente, algo que nunca tinha feito. Fomos então literalmente os últimos a entrar na água.

 

A primeira natação for estranha. Foi a primeira vez que nadava de ténis (desde os meus 6 anos, quando tirei o meu diploma de natação na Holanda) e com todo o equipamento. Até estava com medo de me afastar demasiado do Nuno e comecei a panicar um pouco. Felizmente o troço era curto e cheguei bem a outra margem.

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Depois foi um dos troços mais longos de corrida e com mais D+, onde iríamos subir quase até ao Castelo de Monsaraz. Os trilhos eram muito giros e o Nuno e eu estávamos contentes e bem dispostos. Ia puxando pelo Nuno nas subidas, onde ele, sensatamente dizia que preferia gerir esforço…

 

E pronto, entre paisagens lindas mesmo, típicas da região e com a natureza no seu esplendor no seio de uma primavera molhada, fomos alternando entre corrida em trilhos e natação na barragem. Houve até trilhos onde passamos no meio de rebanhos de cabras. E o Xiko e o Tiago até encontraram um javali no meio dos trilhos! Foi muito giro, e tal como nas provas de trilhos, adorei ter o privilégio de correr nalguns trilhos “sozinhos” sem gente à vista antes e depois de nós. Dá sempre uma sensação de paz e tranquilidade tão agradável!

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Houve três troços de natação que mais me marcaram:

  1. A travessia do Rio Guadiana, ao longo da ponte, numa extensão de cerca de 1300m - pela sua imensidão a reação quando vi esta travessia for literalmente: “OMG, isto é impossível!” . Curiosamente, correu super bem. Fui tranquila a curtir e a ponte servia de guia. Demoramos cerca de 40 minutos.
  2. A travessia “sem fim” em direção à bóia vermelha - havia algumas travessias de 800-1000m onde o maior desafio foi a questão da orientação. É difícil nadar e orientar-te por uma bóia que está tão longe, ainda por cima com a corrente e o vento que se fizeram sentir nalguns troços. Pessoalmente, sugiro à organização, nesses torços ter várias bóias a indicar o percurso e não apenas o final.
  3. A travessia “deliciosa” - sim, um um troço de natação onde me senti um verdadeiro peixinho na água. Curiosamente, já foi mais no final quando o cansaço já se fazia sentir. Consegui relaxar tão bem enquanto nadava que parecia que o universo estava em perfeita harmonia. Quase uma sensação holística e espiritual. Pode parecer estranho mas foi mesmo. Lembro-me tão bem das braçadas a tocarem a água que tinha a temperatura perfeito, dos raios de sol por debaixo da água e, como íamos junto à margem, tinha umas formações rochosas giras para nos entreter :)

 

Fizemos grande parte da prova com o vassoura, o Hélder. Foi giro ter um terceiro elemento da “dupla” e a parte mais engraçada é que ele conhecia o percurso mas ao mesmo tempo não conhecia porque já tinha sido tudo mudado! Ele foi uma ajuda preciosa, principalmente a poucos quilómetros do fim quando o Nuno estava quase, quase, quase a quebrar. Houve um troço de natação que, quando ele saiu da água, estava tão branco e dizia que não sentia as mãos, e pensei que ele iria querer desistir. Felizmente já cheirava à meta e um abracinho faz milagres e continuamos. Os últimos metros de corrida e natação foram emocionantes. Já com muito frio e exaustos, com 6 horas de prova, ouvir as vozes a na Praia Fluvial (onde estava a meta) a gritarem por nós, nunca me vou esquecer.

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Durante a prova tinha pensado que seria giro fazer um vídeo assim que chegasse sobre o material que tinha levado e fazer logo uma espécie de Race Report em vídeo. Só que não. Estava a tremer de frio e cansaço e o Nuno também e fomos logo ao carro aquecer e mudar de roupa. Mas sempre com um sorriso na cara, claro. A sensação de superação de uma prova com este nível de desafio é indescritível.

  

Tal como disse no post anterior, amei. SwimRun é “a minha” modalidade. Vou querer mais, muito mais. Não em termos de distância, acho que 30 km no total, chega e sobra, mas quero mais provas destas. Quero me sentir um anfíbio! Quero sentir a natureza por todos os lados!

 

Parabéns à organização. Sobretudo, obrigada à organização! Obrigada por terem levado esta modalidade a Portugal, um país com tanto potencial. Tenho a certeza que as próximas edições serão também um sucesso. Vem aí os Açores, Setúbal e Madeira. Infelizmente, por incompatibilidade de agendas, não poderei ir, mas recomendo vivamente. E… já estou a ver provas noutros países (quentinhos…).

Já conhecem a Overstim.s?

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 Aproveitando que recomecei a treinar para algumas provas de trail para breve, aproveitei este momento para experimentar uma marca de suplementos que ainda não conhecia - a Overstim.s

Como adoro experimentar novas formulações (não sou nada neofóbica), aceitei o desafio e dando a minha opinião como consumidora e nutricionista.

Antes de começar a dar a minha opinião, gostaria de dizer que: somos todos diferentes e temos organismos que reagem de formas diferentes; devemos experimentar vários suplementos até chegarmos ao que mais gostamos e com os quais nos damos bem. Por isso, vou dar a minha opinião em relação ao que senti durante os treinos.

Como experimentei vários produtos, vou dividir este artigo em dois. 

 

Géis e bebida isotónica

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 Gel Energix - gel endurance

  Segundo a marca, é um gel adaptado a atividades de endurance. Sinceramente, ainda não descobri o porquê, pois trata-se de um gel com apenas 3,5g de açúcares (relativamente reduzido tendo em conta as marcas mais consumidas) e tem pouco sódio (é importante que os géis tenham algum sódio para evitar a desidratação se for usado como único suplemento). 

Um dos pontos positivos é o facto de ter um sabor muito agradável (neste caso a frutos do bosque; têm 6 à escolha) e uma viscosidade muito ligeira. Tal como outros produtos da marca, é gluten free.

A minha recomendação é para ser usado em treinos ou provas mais curtos e com uma intensidade ligeira.

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Gel Antioxydant

Este gel tem uma consistência muito parecida com o anterior e o sabor a limão é muito bom, refrescante. Tem 6g de açúcares e, a própria marca, recomenda a ingestão de um gel a cada 45 a 60 minutos com 2 ou 3 "golinhos de água". Como ponto forte destaco a presença de vitaminas B6 e B1, que têm um papel importante na melhoria da utilização da energia durante o esforço. A presença de antioxidantes é muito discreta.

Também contém magnésio, zinco e cálcio em pouca quantidade, mas que podem ser importantes durante o treino ou prova.

 

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Hydrixir Antioxidant  

 Até agora, é o meu favorito! O sabor que experimentei é muito suave e fácil de beber. Experimentei com água à temperatura ambiente, mas fresco deve ficar ainda melhor. É o isotónico principal da marca e fornece 20g de açúcares por 42g de produto (dá para 600ml de bebida reconstruída).

Comparando com uma marca bem conhecida, até mesmo pelos membros da nossa running crew, destaco o valor de magnésio (174 mg em 600 ml de bebida) que pode ser uma grande ajuda para potenciar a força de contração muscular nos momentos mais duros das provas (subidas e descidas acentuadas).

Tal como acontecia com os géis (e acontece com os outros produtos da marca), são dados conselhos de como deve ser tomado o suplemento. Neste caso, dão um conselho importante: "beber desde o princípio da prova e um ou dois "golos" a cada 5 ou 10 minutos. Não esperar ter sede para beber o primeiro "golo" da bebida porque a desidratação pode vir de repente".

A presença de vitaminas antioxidantes (E e C) e B6, melhoram a utilização energética e podem reduzir a sensação de fadiga.  

Tanto neste como nos outros produtos que analisei, confesso que sinto a falta dum ingrediente que gosto muito: cafeína! Tendo em conta a minha experiência pessoal e profissional, a presença de cafeína pode ser o factor X para nos dar o "boost" que precisamos até chegarmos à meta.

 

E assim fecho o capítulo dos géis e bebida isotónica! Em breve publico a minha opinião sobre os outros produtos que testei. Fiquem atentos e, se já experimentaram estes produtos, partilhem a vossa opinião nos comentários.

 

Boas corridas!

Ana Sofia Guerra - Nutricionista 

 

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