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Correr na Cidade

Training Mask - Verdade ou Mito?

Para escrever sobre a Training Mask, nada melhor do responder às questões que foram sido feitas ao longo deste tempo de utilização

 

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O que é a Training Mask?

 

Segundo a marca é uma mascara que simula o treino em altitude... Pois mais ou menos, sim a Training Mask é um produto que simula o treino em altitude, mas apenas na vertente de redução do débito de oxigénio que os nossos pulmões recebem a cada inalação, outros factores como pressão atmosférica, etc, não são metidos na equação.

 

Mas reduz o oxigénio como?

 

Quanto mais em elevados estamos face ao nível do mar, mais difícil de torna respirar pois a quantidade de oxigénio é menor a cada inalação e a máscara simula, exatamente isto, através de um sistema de válvula reguláveis é possível simular a redução de oxigénio indo dos 3.000ft cerca de 900m ate altitude até aos 18.000ft, cerca de 5.500m de altitude, ou seja quanto mais forte mais difícil de torna respirar.

 

A Training Mask é confortável?

 

Sim os materiais, utilizados são de grande qualidade, quando colocada adapta-se facilmente ao rosto sem desconforto algum.

 

 

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 Mas é seguro?

 

Sendo este um produto diferente se pesquisarem pela internet vão encontrar dezenas de estudos que demonstram que o produto, não funciona e pode efectivamente trazer efeitos adversos e também vão encontrar outros tantos a dizer exatamente o contrário, eu acho que para esta questão a resposta está no meio.

Imaginem que não tem qualquer experiência com treino em altitude e vos colocam no topo do Evereste e fazem 100 Burpees, possivelmente a coisa não vai correr bem, aqui passa-se o mesmo e a solução é adaptação e moderação. A mascar inclusivé tem um video criado para as primeiras experiencias com a Training Mask.

Adaptação para começar devagar e à medida que se vão sentindo melhor vão aumentando de nível e moderação, para saber quando parar ou abrandar. Também não devem descorar a limpeza das válvulas para evitar a acumulação de bactérias.

 

Porque é que nunca vi ninguém a treinar com a Training Mask?

 

Em Portugal ainda não muito comum ver atletas a treinar com uma máscara de treino, mais genericamente por cá, apenas atletas ligados ao crossfit e ao MMA, estão mais habituados a usa-las.

 

Que cuidados devo ter com a Trainning Mask?

 

Os cuidados são os básicos, a máscara é composta por uma malha que se assemelha a um neopreno e um conjunto de válvulas que são totalmente removidas desta sua parte central, então os principais cuidados é mesmo a limpeza, pois vamos transpirar muito com ela, assim basta lavar a malha na maquina num programa próprio e proceder à higienização das válvulas, para limpar qualquer tipo bactéria.

 

Quais os benefícios?

 

Segundo a marca os principais benefícios são os seguintes: reforço do sistema pulmonar, redução do tempo de treino, maior concentração no exercício.

Quanto à primeira, não sei dizer dar com certeza, acho que precisava de um profissional médico e exames para ter uma opinião mais formada e aliado ao facto de ter deixado de fumar entretanto sinto uma maior resistência e força pulmonar muito devido só a este facto, o que posso dizer é que trabalha o sistema pulmonar de uma maneira intensa.

Quanto à redução do tempo de treino, a marca anuncia uma redução de 60 para 20 minutos... Uii!!! Tem razão, se o objectivo do treino é levares com a mareta em cima, a training mask leva-te lá rapidamente. Só tenho uma palavra impressionante.

E isto leva-me à ultima que no meu ver é aquela que mais de convenceu e na qual notei maior ganho, como o acto de respirar se torna mais difícil com a mascara, obrigatoriamente vai elevar os teus padrões de concentração e isso leva a um foco enorme no exercício.

 

Onde posso encontrar à venda a Training Mask?

 

Podem encontrar a produto seguindo esta ligação. A Training Mask é vendida em Portugal pela Roninwear uma loja especializada em produtos de desportos de combate, caso prentendam de uma informação mais especializada podem contactar-los directamente ou através da sua página de facebook, que a equipa da Roninwear terá todo o prazer em responder. Para lojas a Roninwear tem disponiveis preços de revenda para lojas no sistema Wholesale.

 

Bons treinos

 

 

Coach: moda ou necessidade?

Nos últimos tempos, parece que isto de ter um Coach na corrida virou moda, assim como algum tempo a trás treinar com um personal trainer era quase indispensável.

 

Como todos sabem, fazer desporto tornou-se num hábito comum a muitos de nós, sendo isto uma excelente evolução contra o sedentarismo, acho que é um sinal de evolução. Contudo passar de sedentário a praticante de desporto assíduo nem sempre é feito da melhor forma, originando mais cedo ou mais tarde lesões diversificadas.

 

Desde criança que pratiquei diversos desportos, a corrida aconteceu perto dos trinta anos, inicialmente sem muita paciência para tal, mas correr começou a ser um escape ao stress do dia-a-dia, grande parte dos meus paciente correm e sem saberem motivaram-me a ter objetivos na corrida.

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Ora isto seria tudo muito bonito e corria bem, se eu fosse uma pessoa focada nos treinos, mas… não era, aliás se querem arranjar desculpas para não irem treinar falem comigo.

A minha profissão foi sempre o principal entrave, trabalho muitas horas seguidas e é um trabalho exigente a vários níveis, maior parte das vezes que termino o meu dia de trabalho só me apetece deitar. Chegava ao final da semana, muitas das vezes sem correr 10km e ao fim de semana lá vinham os longos na serra. Resumindo se a semana era cansativa o fim de semana não ficava atrás.

 

Decidi procurar alguém que me orientasse treinos mediante os meus objetivos, alguém que não tivesse confiança para que isso não levasse ao desleixo, alguém que tivesse experiência na área e de preferência que ainda corresse trilhos. Encontrei o Coach João Mota responsável pelo projecto Trail Running & Endurance - Coaching, que se prontificou a ajudar-me a evoluir nesta modalidade.

Para isso para além de correr em estrada e trilho, teria de fazer reforço muscular diversas vezes por semana, exercícios de séries, rampas e algumas atividades de recuperação ativa como bicicleta. E claro os dias de descanso, esses continuam a ser os meus preferidos.

 

Pareceu-me importante trazer a opinião do Coach João a três questões que me parecem pertinentes:

 

1) João, a teu ver quais são as vantagens de seguir um treino personalizado?
O treino personalizado permite a sistematização de processos sendo dessa forma muito orientado para o desenvolvimento técnico e físico do individuo, é também promotor de saúde; respeitar os períodos de descanso, efetuar uma correta gestão nutricional em prova e nos treinos, são alguns dos aspetos fundamentais para a evolução do atleta.

A experiência e o conhecimento de quem orienta o planeamento é um aspeto decisivo.
Hoje em dia, a dica já não funciona, há a vários anos investigação nos Estados Unidos sobre a modalidade e ter acesso a esse conhecimento permite adquirir as competências necessárias para poder evoluir mais rápido e em segurança.

 

2) Mediante a tua experiência o que leva um atleta amador não seguir um plano e optar pelo treino sem regra?
O atleta por regra geral o que quer fazer são provas.
Começam com uma distância mais modesta e se atingem o objetivo de terminar, querem fazer mais quilómetros ou seja uma prova com maior distância.
Não procuram consolidar nem desenvolver recursos. Este cenário acaba sempre da mesma forma; lesão, estagnação na evolução como atletas ou doença impeditiva de continuarem na prática da modalidade.
O apelo para a participação nas provas e o excesso de eventos também promove este comportamento.
O atleta procura pelo orientador quando deixa de evoluir, ou quando sabe que o colega de treino segue esse caminho, ou então quando não consegue atingir o objetivo a que se propôs.
Curiosamente começam a aparecer pessoas mais informadas que procuram em primeiro lugar um Coach e dessa forma começam a construir os alicerces para poderem evoluir de uma forma sistematizada.

 

3) Quais as recomendações que deixas enquanto coach, para aqueles que querem levar o Running e o Trail Running mais à séria?
Há um aspeto fundamental para quem procura novos desafios na modalidade, é o conhecimento dos limites e a promoção da sua própria segurança.
É deveras importante que um atleta consiga fazer uma utilização avançada do seu equipamento GPS, que tenha formação de sobrevivência em montanha e que consiga saber orientar-se por cartografia.
É também importante que procurem um orientador em quem confiem e que possa acrescentar valor.


Neste momento encontro-me a cumprir a oitava semana de treinos sobre as “ordens” do João, posso dizer que neste tempo falho muito poucas vezes o discipulado por ele (fui obrigada a reorganizar agenda e finais de dia), a parte cardíaca melhorou substancialmente, sinto um aumento brutal de resistência física, a balança de bio impedância acusa a conversão de cerca de 3% de massa gorda em músculo, gordura visceral também diminuiu de 4 para 3 (escala de 1-10).

Para terem ideia da distância percorrida e desnível positivo, nas primeiras quatro semanas de treino corri cerca de 190km estrada/trilhos com um total desnível positivo de 2660m

 

Respondendo à pergunta do título deste post, sinceramente acho que é mais uma necessidade, os resultados não deixam margens para dúvidas, sem a planificação do Coach João de certeza que não teria evoluido desta forma.


Bons treinos.

Race report : Oh Meu Deus - E tudo a Montanha levou ( 2ª parte )

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 ( link primeira parte )

 

Hardcore trail
No km seguinte ao 1º abastecimento entramos numa secção de curvas e sobe e desce no meio de pedras e árvores e atravessamos riachos baixos, apesar de ser uma secção muito bonita, muito penosa nas pernas. Por esta altura seguia com o jovem que passei no abastecimento e ainda fizemos uns km's juntos. De seguida entramos num estradão junto ao rio Alva e durante um bom tempo colocamos ritmo elevado, uma parte perto dos 4:00/km e mais à frente uma subida forte e comprida. Paisagem fantástica e temperatura ideal. Por esta altura todos os problema tinham ficado para trás e já seguia com o corpo e cabeça perfeitamente alinhados na prova.
2km seguintes com ligeira descida e a fazermos médias de 4:45/km num estradão dificil de controlar pés e verticalidade do corpo, mas era altura de fazer pressão e tentar apanhar o 1º e 2º que não iam longe. Atravessamos por umas centenas de metros um pseudo estradão/trilhos fechados, como se fizesse alguns anos que ninguém passasse ali e com vegetacao mais alta do que nós em alguns sitios, em outros voavamos por cima das mais baixas, mas sempre a carregar no ritmo. Por esta altura o parceira de ritmo tinha ficado ligeiramente para trás e vinha acompanhado do 5º classificado. Tanto se rolava a perto de 4/km como iamos a passo quase a abrir caminho com uma catana. Gosto desta diversidade numa prova, apesar de não fazer bem ás pernas e ao fluxo sanguineo, mas permite algum descanso ao coração.



A Besta
Perto do km20 começamos a entrar no acesso para a garganta que iriamos encontrar mais à frente, a subida que metia medo a toda a gente e obrigava a muito respeito. Qualquer erro aqui de excesso de esforço ou de quedas seria muito complicado para o resto da prova ou provocar mesmo a saida da mesma. Começa devagarinho e vai aumentando de intensidade, até culminar num pequeno planalto uns metros antes da barragem Marques da Silva ( Lagoa Comprida ).
Mal entramos no estradão comentámos um para o outro que os dois da frente iam com um ritmo diabolico, fazia já alguns km's que não os viamos e ao ritmo que iamos, ui, ui...
Quase 1km depois aparece-nos por detrás o que pensavamos que ia em primeiro. "então ? onde andaste ?"... "perdemo-nos ali numa curva e atrasamos uns minutos". Afinal tinha andado alguns km's ali em primeiro e a pensar que ia em terceiro a puxar para apanhar os dois primeiros... cenas de provas :)
Aqui juntou-se um grupo de cerca de 4 corredores e seguimos juntos por quase 2 km. ainda deu para um km a 5:50/km (com um RAI de 4:22 devido à inclinação forte) e o seguinte já a entrar na garganta e na confusão do trilho, desceu para 10:00/km. E aqui começa o calvário. Os outros 3 seguiram e eu fiquei para trás. Não me estava a sentir completamente bem. Sentia os pulmões com dificuldade em funcionar e o corpo muito cansado, mas as pernas e o coração estavam perfeitamente calmos, sem dores.
A tentar perceber o que se passava com o corpo abrandei, e meti a versão powerwalking e lá fui gerindo o esforço. No km seguinte subimos 205D+ e fiz média de 18:40/m ( RAI 8:13 ). Passaram por mim 2 atletas e lá segui calmamente. Via lá em cima uns bons 300 ou 400m à frente os 3 "miudos" que me tinham feito companhia a serpentear no trilho.
Muita àgua bebi. Ingeri Gel e magnésio. Mas o corpo a cada passo que dava sentia-se mais fraco.
Km seguinte foi feito a 19:19/km ( RAI 7:42 ) e parecia que me tinha caido um camião em cima.
Em algumas partes tivemos que meter as mãos no chão e puxar pelo corpo tal a inclinação que existia na sobreposição de algumas rochas. Deu no meu GPS 237D+ neste km.

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( uma perspectiva da subida vista pelo google earth )


Último km antes do abastecimento de liquidos que estava na entrada da barragem, era uma parte em subida e o resto num pequeno planalto, de onde dava para ver lá o fundo a estrada, a casa do abastecimento e a imponente barragem. Ouvi várias pessoas a gritar nomes e a incentivar a correr, uma delas era a Liliana a chamar por mim. Quase não ouvia tal o estado de cansaço que ia. Pernas ok e coração ok. Cabeça e pulmões não estavam ali. Também estava a pagar um bocado os tais treinos que me fizeram falta como referi no inicio do texto, os treinos longos. Só tinha feito 2 treinos de 20 e poucos km's em 2 meses e isso é muito pouco para preparar o corpo para uma prova de 70km com esta altimetria. Estava a falhar o treino. O treino rapido estava lá, mas faltava o de resistencia. O de resistencia fisica e psicologica. O treino que no ano passado tinha para dar e vender e este ano simplesmente não existia.

Cheguei ao abastecimento dos liquidos aos 25,5km com cerca de 3:10h de prova. Apesar de ter andado nos ultimos 3km's e começar a doer um pouco os gemeos do esforço, ainda estava com uma boa média.
Confesso que por dentro estava muito mal tratado mas com a Liliana à minha espera não podia mostrar que não me sentia bem senão ela ficava mais preocupada do que eu. Comi laranjas e banana, enchi de água e segui para o troço seguinte, quase 10km a percorrer o sopé da montanha até à torre.
Aqui já seguia com 1850D+ em 25km.

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( as vistas lá em cima são sempre do outro mundo )




Lá para cima
O abastecimento estava a cerca de 1570m de altura, o que quer dizer que faltava subir pouco mais de 400m em quase 10km. Comparado com o que já tinhamos feito, parecia canja. Nos primeiro metros tentei andar um pouco para que o corpo se adaptasse à altitude, respirasse um pouco melhor e a ver se o mal estar geral passava. Ao fim de uns 500m tentei correr, mas não conseguia fazer mais do que umas centenas de metros. O resto do percurso até perto da torre foi feito em caminhada. Não em powerwalking, mas em caminhada pura e dura... médias de 10 ou 12/km foram o menu da hora. Foi penoso, muito difícil, quase diabolico fazer tantos km's no sopé da montanha aquele ritmo. Cada pequeno planalto que entrava parecia demorar uma eternidade a percorrer.
Quando cheguei perto da torre, para fazer os últimos metros em alcatrão naquela última subida, o meu corpo estava quase em shutdown. Estava cansado, com sede, com fome mas não conseguia ingerir nada. Sentia o corpo como se estivesse a carregar uns 100kg ás costas nas últimas horas e o cansaço começava a acumular.
Quando passei a rotunda e comecei a fazer aqueles metros finais, vejo o que parecia ser uma cara familiar, mas como já estava mais para lá do que para cá, só me apercebi concretamente quando ele chegou mesmo ao meu lado. Fez a maior parte da subida comigo, calmamente e a andar tranquilamente. O meu obrigado a ele pela companhia naquele troço. Daqueles pequenos gestos que se transformam em enormes devido à situação em que estamos.
O meu grande obrigado ao Marco Rodrigues pelo gesto.

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Foram cerca de 800m que demorei cerca de 15min a fazer. No topo estava a Liliana à espera e com cara de preocupada.
Tinha acabado de fazer perto de 10km em quase 2h certas. Parecia a travessia do Sahara.
Sentei no abastecimento, branco, pálido e com sede. Bebi chá, café, comi doces e fruta e ao fim de 30min dei baixa do meu número da prova. Não estava em condições de continuar. A cabeça queria seguir mas uma parte do corpo neste dia não estava a querer ir junto.
Os próximos 10km eram a descer a garganta da Loriga, e para isso precisamos estar bem física e mentalmente para não cair ou tropeçar.



Prova - Organização
A marcação da prova esteve ao nível que o Paulo já nos habitou na serra, não tem fitas a cada 10 metros mas também não tem muitos pontos para as pessoas se perderem. Uma parte de fazer trail também passa por um pouco de aventura. Se tivermos fitas a cada 5 metros durante 70km, perde um pouco a piada do que é correr na montanha. Soube depois de chegar à meta que existiram problemas graves nas marcações da prova dos 20km. Uma situação que a organização reconheceu logo, percebeu o erro e julgo que não deveremos ver novamente. Um acréscimo de 10km numa prova de 20 é muito para quem não vai preparado.
Os abastecimentos foram similares ao ano passado. Nem 8 nem 80. Acho suficientes para o tipo de prova que encontramos.


O percurso este ano foi ligeiramente mais difícil mas gostei na mesma. Excelente percurso de trail.
A temperatura estava muito mais amena do que ano passado e isso notou-se bem na parte central e final da prova. Aquele calor abafado não se fez sentir tão forte e ainda bem para nós atletas.
Como ponto negativo acho que deveriamos ter um pouco mais de assistência volante de agentes da autoridade (GNR) ou elementos da organização em alguns pontos mais longincuos na prova, entre abastecimentos e no meio do nada ter sinal de telemóvel para pedir ajuda é complicado. Em caso de urgência, ter que fazer 500m ou 1km para pedir ajuda não é o mesmo que ter que fazer 3 ou 4km. Excelente o apoio que nos era dado na torre pela GNR e equipas de primeiros socorros que lá estavam. Sempre simpáticos e infindáveis a corresponder ás nossas solicitações.

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( foto depois da entrega de prémios )


Para o próximo ano lá estarei quase 100% certo. É um sitio mágico correr na Serra da Estrela e nesta altura do ano permite disfrutar bastante dos trilhos.


No Domingo de manhâ fomos até à festa da entrega de prémios e petiscar uns bolos e salgadinhos com os restantes atletas.
Quando chegamos ao Montijo pelas 17h enviei um SMS à minha mãe a dizer que já tinha chegado a casa e liga-me passado 2min. Sentei no chão e comecei a chorar. Tinha falecido perto do meio-dia. No dia anterior a fazer 90 anos.
Ainda hoje penso que esperou que eu chegasse bem ao fim da minha jornada na montanha. A controlar a ver se eu estava em segurança, como sempre fez. Espero que ela esteja a ter um merecido descanso, depois da sua jornada enorme e complicada.

Race report : Oh Meu Deus - E tudo a Montanha levou (1ª parte )

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Prefacio
Este race report demorou bastante tempo até que tivesse vontade de o escrever para ser publicado. Oportunamente perceberão o motivo, mas para já tenham paciencia comigo e boas leituras.


Seja a mudança que você quer ver no mundo
Confesso que a minha preparação para esta prova não foi a melhor do mundo. Nem perto do que eu quereria.
Por diversos motivos, desde Janeiro de 2016 que tenho menos vontade para correr, não tenho retirado todo o gosto e entusiasmo de correr por correr, e isso afecta-me não só a minha preparação fisica, mas também a parte motivacional e psicologica porque gosto de correr.
Nevertheless, nos ultimos 2 meses antes da prova fiz um pequeno plano e tentei incluir o máximo de treinos possiveis para rentabilizar ao máximo a corrida planeada para o passado dia 04/06, faz agora pouco mais de 2 meses. Excepto um tipo de treinos que mais à frente já vamos perceber o erro crasso que foi não lhe ter dado importancia.

Importancia essa que ela incutia em tudo o dizia respeito à familia e ao bem estar do grupo. Muitas horas passamos desde a minha infancia até adulto em jantares e almoços com toda a familia mais directa. Com mais ou menos euforia, ela cozinhava e o resto da malta devorava os pratos fantasticos que nos era presenteado. O importante era a familia reunir e conviver


Antes da prova
Fomos para Seia na Sexta-feira ao final da tarde. Chegamos a tempo de jantar, levantar dorsais, passear um pouco aproveitando o tempo fantastico que estava e depois ir descansar para levantar cedo para a prova. Adivinhava-se um clima ameno, nada parecido ao calor quase infernal que foi no ano passado.
Tudo isso foi considerado no planeamento que fizemos para a prova. Eu a correr e a Liliana de carro a acompanhar PAC a PAC. Temperatura, estado do terreno, preparação do ( COF, COF ) atleta, altimetria, etc. Fizemos um planeamento quase ao km do que se iria passar no Sabado e isso foi estudado nas ultimas 3 semanas.

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Que trilhos novos iriamos percorrer e quais os que eram comuns ao ano passado. Quanta àgua levar, quantas barras, que sapatilhas, etc. tudo foi pensado num unico sentido : ganhar a prova.
Existem duas provas onde eu participo, as do género da Serra da D'arga onde sei que vão aparecer dezenas de atletas mais rápidos/melhores preparados do que eu e nessa circunstancia os meus dois adversários sou eu e a montanha. Sou eu contra... eu.
Mas em provas como os 70km do OMD, onde o numero de atletas é muito mais reduzido, onde já conheço bastante bem o terreno e a qualidade dos adversário é muito mais acessivel ( e temos que falar nestes pontos sem qualquer despudor ou segundo sentido ), o objectivo principal passava por ficar nos 3 primeiros, e o secundário ganhar a prova, se tal se propocionasse. No ano passado teria ficado entre os 7/8 primeiros se não tivesse tirado uma soneca no ultimo abastecimento de quase 2h.
Tudo bem planeado e lançado para a prova deste ano e com alguma expectativa para o desfecho da mesma.


Desde que vim para Lisboa que não lhe dava a atenção que ela merecia, com todo o amor e carinho que me tinha dedicado, o neto "favorito". Só a via 3 ou 4x por ano, ás vezes menos. Mudar a minha vida inteira para 330km de distancia e tudo muda. Tinha saudades dos almoços que me fazia quando vinha da escola ou quando ralhava comigo e com o meu primo por estarmos sempre a jogar futebol no meio dos vasos de flores... miudos...



Na realidade
Deitei tarde, não fiz a preparação que queria, o tempo ficou mais quente do que o previsto, as sapatilhas eram novas com apenas 8km, não descansei psicologicamente o que estou habituado, não consegui ir á casa de banho antes da prova, etc, etc... tudo desculpas que se pode usar para quando algo pode correr mal.

O facto é que me deitei já depois da 1 com a cabeça conturbada para levantar ás 5:45 e tomar o pequeno almoço com calma. muito pouco tempo de descanso para um evento tão importante. Sabia quando acordei que o corpo não estaria no meu melhor em termos de preparação fisica. Teria que puxar muito pela cabeça e coração. O tempo estava excelente, aquilo do mais quente é uma desculpa esfarrapada. E a temperatura que estiver é para todos os que se aventuram na montanha. As sapatilhas eram novas mas são BRUTAIS. Foram escolhidas a dedo e de maneira a me deixar o mais confortavel possivel durante a prova. Para mim Salomon encaixa perfeitamente nas minhas necessidades. Faltar ir à casa de banho é que não estava nos planos. Chegamos cerca de 30min antes do arranque da prova e fui a um café ao lado da partida. O certo é que estava uma fila de mais de 10 pessoas, quase todas para as provas curtas que só iriam arrancar 1 ou 2h depois da minha ( conforme a distancia), e ao fim de 15min na fila e ainda a faltar para conseguir chegar lá dentro, desisti e fui para a partida, que era dai a 8 ou 9min...

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( Faltavam 3min para a partida )



Ainda guardo algumas recordações das visitas regulares que fazia aos locais onde os meus avós e pai nasceram e cresceram. Lembro-me bem de uma visita ás Fisgas do Ermelo , e de gostar de saltar e correr pela serra acima. Será dai que vem o meu gosto pelo Trail ?



Get Set..... Go
A partida foi tranquila, brutal e complicada. Eu explico.
Meti-me no meio do pelotão antes da partida e parti sem aquecimento. Fui passando rapidamente aqueles que me pareciam que poderiam prejudicar o arranque da prova, aka, pareciam-me mais lentos do que eu. Quando dei por mim, ao fim de uns 100 metros estava na frente isolado... bora lá meter corda nisto.
E assim fiz, coloquei pé no acelerador aproveitando que o primeiro km é quase todo a descer. PIPI, tocou o GPS...
Mas que raio está ele a apitar ?!? Era o sinal que tinha chegado ao final da prova !!! como o percurso é circular e meti o track no GPS para me ir guiando a nivel de tempos, mas, depois da partida a prova dá uma volta de 180º e passa uns metros ao lado de onde saimos e ele apanhou o ultimo ponto do track e pensou que já tinhamos chegado. uns segundos a olhar para o relogio e ETA 00:00, KM's para o fim 00.... incrivel, só a mim :)
Entretanto com o pé no acelerador e sem me aperceber de ninguem atrás de mim, aos 300m de prova estava eu mais concentrado a olhar para o GPS a fechar aquele troço, carregar novamente o track para a memoria, arrancar com o segmento e bora lá...
Com isto passou-se uns 600 metros, e o carro da protecção civil quase que era abalroado por mim que estava mais a olhar para o relogio do que a estrada, mas com o pé no acelerador lá ia. Track carregado e voltei a concentrar na prova, que os primeiros km's eram iguais ao ano passado. Nisto passa o 1KM e o relogio indica 4:30/km. Vai bonito o ritmo.


Muitas recordações da minha infancia guardo, mas das melhores foram sempre os dias em que iamos para a praia do Castelo do Queijo ás 8 e pouco da manha. Era uma viagem alucinante para uma criança. A viagem do electrico da Boavista até junto mar, a procura dos melhores spots para os "velhinhos" esticaram o corpo, a entrada na agua gelada do norte. A minha avó sempre preocupada connosco e a dizer "não faças isso", "não vás para ai"... enquanto o meu avô lia religiosamente o seu jornal sentado perto da agua



Primeira subida
Tactica da prova. Controlar as subidas sem exagerar nos ritmos para poupar as pernas para a parte final e deixar correr as Salomon nos estradões. Começamos a subir e passado 30segundos vem ao de cima o problema de não ter ido ao WC... pequeno paragem técnica e desço para 3º ou 4º, e lá começou o meu périplo pela primeira subida, que iria durar até sensivelmente aos 6,5km e com 500D+. Ora passava um, ora era passado, lá fui subindo em ritmo calmo, enquanto os 3 da frente lá ao fundo iam colocando um ritmo mais vivo. Cheguei a andar em 8º e fui sempre controlando o ritmo de quem seguia comigo. Chegados à Nacional 339 que marcava o fim da primeira subida iamos com cerca de 47min de prova e entrava na primeira secção de "estradão". Aqui tinha planeado acelerar e como me sentia optimo e calmo, foi o que fiz. Comecei a passar quem ia na minha frente. Do km7 até ao km11 ( 1º abastecimento ) fui sempre a tentar rentabilizar o terreno. Não era estradão puro, tinha muitas secções com sulcos e muito salteado de detritos, mas era o suficiente para andar a fazer médias de 5/km. E chegando ao abastecimento ia em 4º lugar, com o terceiro a chegar uns segundos à minha frente. Aqui estava a Liliana conforme combinado, trocamos os bidons da Salomon por 2 já cheios com agua, peguei em comida e arranquei. Sabia que lá na frente seguia o 1º e 2º a pouco mais de 1min, e aproveitando o terreno mais plano, parti atrás deles. Passei no abastecimento aos 11km com cerca de 1:12h de prova e já com 850D+

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(1º Abastecimento - 11km )



Fazia quase um mes que tinha sido hospitalizada. Já à bastante tempo que não ficava no hospital internada. No domingo anterior à prova ligaram-me a dizer que ela estaria mal e com o corpo cansado. Poderia não sair do hospital novamente. Fui passar Segunda e Terça ao Porto para a visitar. Parecia tão triste e aborrecida por já estar ali tanto tempo no hospital sem se puder mexer. Deixou-me triste ve-la ali inerte sem poder fazer nada para a ajudar, uma coisa que ela tinha feito vezes sem conta enquanto crescia


( Segunda parte )

Anemia e corrida – sintomas e dicas

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Como alguns de vocês já devem saber, sofro de anemia. E não devo ser a única “atleta” com este problema. Por isso, hoje partilho um pouco sobre este tema.

 

Pessoalmente, foi no final de 2015 que descobri que sofria de anemia. Foram o cansaço extremo e dificuldades respiratórias que me fizeram ir ao médico. Comecei a tomar suplementação de ferro. No entanto, o médico na altura, não fez análises profundas de forma a analisar qual a origem do problema. Seria falta de absorção ou falta de ingestão? Agora que estou “viciada” no ferro, já não se pode fazer essas análises.

 

Com a ajuda do ferro, tenho-me sentido muito bem. De facto, de Janeiro a Maio senti-me cheia de energia e com bom desempenho na corrida. Comecei a fase de “desmame” em Junho. Deixei de tomar a suplementação de ferro. Vou ter que aguentar a anemia até Setembro. Nesses três meses, dá para fazer o desmame completo e voltar a fazer análises, desta vez bem completas, para atacar o problema na origem.

 

Sinto os efeitos da anemia. Voltou o cansaço. Sem dúvida e não, não é do excesso de treinos nem do calor. Tenho treinado pouco. Só um pouco de RPM, yoga e treinos guiados com turistas no âmbito do meu projeto Run in Portugal.

 

Mas afinal, o que é a anemia? De acordo com a OMS, anemia aparece na falta de hemácias saudáveis (glóbulos vermelhos). Pode haver ou poucas hemácias, ou essas podem estar com falta de uma proteína rica em ferro – a hemoglobina. As hemácias são responsáveis por transportar o oxigénio pelo corpo e a hemoglobina é a proteína que carrega o oxigénio.

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Alguns de vocês têm-me perguntado como é que detetei a anemia. No meu caso, como já referi, foi o cansaço e dificuldades respiratórias.  Foram também os baixos níveis de hemoglobina que me inibiam continuamente de dar sangues que me deram o alerta. Esses sintomas são causados pela falta de oxigénio. Os sintomas mais comuns de anemia são:

 

  • Cansaço extremo;
  • Falta de ar ou sensação de batimentos cardíacos irregulares;
  • Tonturas;
  • Dor de cabeça;
  • Palidez;
  • Alterações nas unhas e cabelo (queda, cabelo e unhas quebradiços ou fracos);
  • Pés e mãos frios.

 

As pessoas mais vulneráveis a anemia são as grávidas, crianças e pessoas que não comem, ou comem pouca, carne. Caso suspeite de que possa ter anemia, sugiro o seguinte:

 

  • Consulte um médico. Mas um médico bom, preferencialmente médico especialista em imuno-hemoterapia para fazer análises;
  • Tente consumir alimentos ricos em ferro como carnes vermelhas, marisco, peixe, leguminosas e legumes verdes como espinafres e brócolos;
  • Descanso.Abrandar nos treinos até obter feedback do médico.

 

Boas corridas e não se preocupem, há bons tratamentos para a anemia e muitas vezes é temporária.

Queres ser o próximo Einstein? Então corre

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Há umas semanas atrás, li um artigo interessante no “World Economic Forum” sobre corrida. Sim, ali não se discute só os problemas chatos da economia mundial, mas como coisas tão simples do nosso dia a dia, podem interferir com o bem estar do mundo.

 

Sabiam que foram feitos estudos, que demonstraram que a corrida nos pode tornar mais inteligentes?

Não, a corrida milagrosamente não nos transforma em Einsteins, mas pode ajudar!

“Mente sã em corpo são”.

No mundo académico, já era entendimento que o exercício provocava a criação de novas células cerebrais no hipocampo, onde a formação de memória e a noção de espaço são desenvolvidos. Ora estes novos estudos explicam-nos como a corrida pode melhorar a memória e o processo cognitivo.

O que o exercício faz ao criar as novas células cerebrais, é proporcionar-nos uma mente mais focada, preparada para a aprendizagem e, utilizarmos essa predisposição para evoluirmos, e nos aplicarmos no que quer que seja.

Durante a corrida, segregamos uma proteína que tem efeitos benéficos no crescimento de células do cérebro adulto, reforçando o hipocampo e a função da memória espacial.

Contudo nem todos os exercícios criam novas células. Estes novos estudos descobriram que o exercício deve ser "aeróbico e sustentado". Analisaram os efeitos dos chamados exercícios HIIT (High Intensity Interval Training) e, musculação, mas se no primeiro obtiveram baixo impacto nas capacidades cognitivas, no segundo caso não teve qualquer impacto.

E porquê a corrida?

Bem, se olharmos para a evolução humana, o instinto foi sempre o de nos mantermos vivos o tempo suficiente para procriar, manter a espécie. O Homem existe na Terra há apenas cerca de 2 milhões de anos, e só nos últimos poucos milhares destes é que existiram Homens que documentaram o mundo e o desenham, ou mesmo a tecnologia mais recente, o GPS.

Com estes meios à disposição, o cérebro deixou o desenvolvimento cognitivo para terceiro plano.

As evoluções que o corpo humano sofreu ao longo dos séculos, que tornou possível sermos bípedes e correr 10 km num dia quente (e com a capacidade de suar para nos mantermos frescos), demonstra-nos que mesmo sendo lentos no sprint, podemos perseguir por longos quilómetros em ritmo confortável, quase qualquer animal no planeta até ao seu ponto de exaustão.

A caça era uma atividade de risco, porque exigia que o homem deixasse para trás a sua tribo e os locais que conhecia, na busca de alimento. Sem GPS's ou mapas, as habilidades de navegação estavam todas concentradas no cérebro, e este adaptou-se para que os caçadores pudessem, após percorrerem longas distâncias, regressar à sua tribo, e consequentemente, sobreviverem.

O crescimento de novas células cerebrais no hipocampo e no reforço da memória espacial, provocada pela corrida de resistência, é basicamente uma rede de segurança evolutiva: se corrermos longas distâncias ao ponto de deixarmos de saber por onde onde andamos, precisamos de rapidamente aprender o caminho de volta e de apreendermos o que nos rodeia, para regressarmos a casa.

E quantos de nós, já não se sentiu mais focado no trabalho depois de uma corrida matinal? Nada como "treinarmos" os nossos cérebros para o trabalho fluir melhor. Pelo menos eu sentia, quando a preguiça era vencida pelo despertador e ia correr logo cedinho no Jamor...

 
Se quiserem conhecer melhor os estudos, podem lerem o artigo completo aqui.

Boas corridas!

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