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Correr na Cidade

Monte da Lua 2016 - Há uma paisagem misteriosa à sua espera

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Aquela que é a primeira prova de Ultra trail na serra de Sintra, vai este ano para a sua Edição V.


A experiência e o conhecimento do terreno é uma mais valia da Horizontes para 2016 e o facto de ouvir os atletas ano após ano, faz com que esta prova tenha evoluido bastante nas ultimas edições e seja agora, uma das melhores provas que se pode participar na zona da grande Lisboa. Com a evolução vem o reconhecimento e para 2016 os finishers da prova longa podem contar com 3 pontos para o acesso à famosa UTMB e a integração na Taça de Portugal de Ultra Skymarathon.

 

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Tal como nos anos anteriores vão existir 2 distâncias, em termos de corrida, com a novidade de para este ano existir também uma caminhada. As distâncias nas provas são semelhantes às do ano passado e a caminhada vai ter cerca 12km, sendo que o arranque e chegada de todos os eventos continua a ser na praia das Maças.

 

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Chamamos a atenção que as inscrições foram prolongadas até dia 3 Julho e os preços são bastante competitivos, sendo que os pacotes mais baratos para os K20+ e K50+ são de 18 e 25€ respectivamente.

 

Leiam atentamente toda a informação que a organização disponibiliza no site para além do regulamento que pode ser consultado aqui

 

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A prova K20+ vai ser este ano de 26,5km e a versão dos K50+ vai ter 51,4km. Ambas de dificuldade média.

 

No próprio dia da prova a partir das 7 da manhã é possivel ir ao secretariado da prova e levantar dorsais e/ou resolver questões de ultima hora, sendo que as partidas realizam-se às 8.30 da manhã para os atletas da Ultra K50+ e às 9.30 para a prova dos K20+.

 

Inspirem-se nas imagens que vos deixamos e consultem os graficos altimétricos e escolham o vosso desafio.

 

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 (altimetria da prova dos K20+)

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 (altimetria da prova dos K50+)

 

Vou de férias... Lá se vai o plano de treino

Já chegou o Verão, o sol está mais quente, os dias são maiores, o mar tem mais cheiro e a areia da praia ganha um brilho hipnótico que chama por nós. Já chegou o Verão, chega também aquela altura do ano que muitos de nós vamos de férias após a série de meses enfiados na nossa rotina.

 

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E é isto mesmo que estamos a falar rotina, férias é fugir à rotina, dormir até mais tarde, espreguiçar na areia da praia, conhecer novos sitios, jantares com os amigos até às tantas e é normal que tambem a rotina de irmos correr diariamente se baralhe um pouco e não há nada de mal com isso, estamos férias afinal.

 

Pessoalmente até acho benéfico reduzir a carga de treinos quando estamos de férias, para além de ajudar no descanso e recuperação muscular faz bem a nível psicológico "Treinei o ano todo. Eu mereço estes 15 dias ao sol".

 

Se alguns de vós não tem problemas com isto de parar e relaxar, outros mais aficionados, mesmo de férias, continuam a sua rotina de treinos sem problemas nenhums, se és uma destas duas pessoas podes fechar a página e sair, este post não é para ti.

 

 

Este post é para aqueles que vão de férias, querem também férias da corrida, mas depois ficam com sentimento de culpa de não terem corrido durante as mesmas. Conhecem alguém assim? Eu conheço.

 

 

Então para esses vou deixar alguns truques e actividades para minimizar este sentimento de culpa.

 

1. Andar com água pela cintura, estão na praia então aproveitem para andar, simplesmente andar, com a água pela cintura, é um excelente exercício físico e de impacto reduzido.

 

2. Caminhar, se estiverem a fazer férias de cidade, conheçam a cidade testa forma, evitem os autocarros turisticos e vão ver que ainda poupam dinheiro desta forma, se estiverem na praia caminhem sobre areia que os benefícios ainda são maiores. E já agora liguem a vossa aplicação de fitness enquanto o fazem e vão ver que o mindset muda logo.

 

3. Jogos de praia - raquetes, futebol, volei - para além de um excelente divertimento, são excelentes exercícios cardio e de core quando efectuados na areia.

 

4. Andar de bicicleta, hoje em dia é comum as cidades terem aquelas bicicletas municipais, alugem uma e façam um passeio.

 

5. Seja na piscina no hotel, no rio ou no mar, nadar é um excelente complemento à corrida, para além de refrescante, ajudamos a trabalhar outros segmentos musculares que geralmente não trabalhamos.

 

6. Desafio 100-100 - acordas de manhã e logo pela fresquinha e antes de tudo, tentas fazer 100 flexões e 100 abdominais, não interessa a ordem ou a sequência, o que interessa é completarem o número total, até podes fazer uma flexão e um abdominal e repetir isto cem vezes. Vais ver que te vais sentir com mais energia.

 

7. ABS - mesmo deitado na areia ou na espreguiçadeira podes fazer execercios simples, só o facto de contraires a zona abdominal já a estás a trabalhar ou então levantas os pés uns cm do chão e aguuuuuuuuentas.

 

8. Yoga - aproveita a praia até ao ultimo segundo e aproveita aquele momento mágico do pôr do sol para fazer um pouco de Yoga, medição ou mesmo somente alongar os músculos do corpo e agradecer este momento. Não te vai fazer bem ao corpo como ao espírito e ficas preparado para uma noite memorável.

 

9. Paddle - Hoje em dia é fácil encontar pranchas de Paddle para alugar nas nossas praias, atreve-te e experimenta, não só exercitas a zona superior do corpo para remar como o core para de equilibrares em cima da prancha.

 

10. A ultima dica e talvez aquela, que deves fazer uma vez para não dizeres que tiveste as férias todas sem correr. Faz um jogging ligeiro, nem que seja para ir comer um gelado naquele café que fica duas praias ao lado.

 

Mas acima de tudo, não te stresses, estás de férias. Have Fun...

 

Boas férias e bons treinos...

Review sobre a Furia... A nova Tshirt da Lurbel

Tudo começou com uma headband... Há uns anos atrás comprei uma headband da Lurbel e deste a primeira vez que a coloquei na cabeça senti que o tecido era muito confortável e suave, a partir desta headband comprei vários produtos desta marca e em todos eles o meu nível de satisfação foi a acima da média, a qualidade, conforto e durabilidade sempre excederam as minhas expectativas.

 

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Desta forma foi com uma satisfação que recebi esta novíssima Lurbel Furia, uma Tshirt vocacionada para Trail Running que faz parte da nova colecção desta casa espanhola para 2016-17, uma colecção que na minha opinião rompe um pouco com um passado e introduz sérias e novas tecnologias pela menos no que toca às tshirts.

 

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Esta nova coleção apresenta um têxtil com a tecnologia iDT 3D, baseado em fibra de bambú, da Lurbel que lhe garante a esta tshirt um nível superior de qualidade, basicamente pela parte interior tem um tecido suave e confortável e por fora uma composição mais resistente em tecido tridimensional que garante uma protecção perfeita para contra ramos ou arbustos quando corremos do meio da montanha. Possui um nível de transpirabilidade superior com recurso a uma tecido micro perfurado ionizado de prata na zona das axilas e costas e que possibilita que fiquemos secos mesmo em treinos mais intensos.

 

Ainda como bónus esta Lurbel Fúria vem com acabamento anti bacteriano e protecção UV 50+ que protege o corredor nos dias mais quentes, um pormenor excelente para o Verão.

 

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Embora não seja a Tshirt mais leve do mercado e em suma é uma peça de excelente qualidade, a malha 3D exterior é de facto resistente contra a vegetação e com acabamentos de qualidade superior.
Está disponível em vermelho e azul e nos vários tamanhos, um atenção especial para os tamanhos pois convém ver a tabela da marca pois geralmente visto um tamanho pequeno e nesta Furia vesti um Médio e ficou fit ao corpo.


Com um PVP de 39,90€ que na minha opinião é mais que justo para uma peça desta qualidade.

 

E termino esta review com um ponto de melhoria, se tivesse de fazer um upgrade a esta Lurbel Furia, somente lhe acrescentaria um fecho frontal e um bolso lateral ou traseiro.

 

Bons treinos.

Review: Merrell All Out Terra Light

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Modelo: Merrell All Out Terra Light

Testado por: Sara Dias

Características pessoais: Pronadora e 57Kg de peso

Condições de teste: Cerca de 75km percorridos nos trilhos de Monsanto e Serra de Sintra, percorrendo vários tipos de terrenos e condições climatéricas.

Chegou a hora de partilhar convosco a minha opinião sobre os All Out Terra Light, posso já adiantar que gostei bastante e que há um pormenor que faz toda diferença em tempo mais chuvoso, curiosos?

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DESIGN & CONSTRUÇÃO

 

Gosto muito da combinação de cores, como disse no preview, estas sapatilhas são o modelo masculino logo as cores não podem ser ao gosto feminino. Relativamente ao modelo em si, não é estrondoso mas sinceramente não desgosto.

 

Ora então falemos daquilo que realmente nos interessa numas sapatilhas, malha superior bastante ventilada ideal para dias mais quentes, possui ainda um forro com tecnologia M-Select FRESH com a capacidade de eliminar os odores tão indesejados, neste novo modelo houve uma melhoria na eliminação da água e transpiração. Tive oportunidade de andar com os pés dentro de água e pouco tempo depois sentia os pés a ficarem secos. Este foi um pormenor que gostei imenso.

 

A biqueira é bem reforçada, no trail é muito importante que seja para nos proteger os dedinhos.

 

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ESTABILIDADE & ADERÊNCIA

 

Quando calço estas sapatilhas, sinto que são quase perfeitas para o meu pé, digo quase porque sinto falta de uma compensação para a minha pronação, contudo este é um modelo pensado para corredores de passada neutra, logo não posso exigir mais. Neste modelo podemos contar com diversos mecanismos de amortecimento e estabilidade tal como Placa TrailProtect™.

 

A aderência é brutal, contamos com sola Vibram e sobre ela não há muito mais a dizer, podemos fazer descidas com pedra sem medos.

 

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CONFORTO E AMORTECIMENTO

 

Relativamente ao conforto e amortecimento, posso dizer que são a minha escolha até aos 25km. E agora pensam, então se são confortáveis e têm bom amortecimento porque não são a escolha para uma maior distância? Neste ponto o problema não é da sapatilha mas do meu tipo de passada, sou bruta acomodar o pé no solo, por isso quando vou para distâncias superiores opto sempre por sapatilhas género pantufas.

 

PREÇO

 

Passando à parte dos custos, conseguimos comprar este modelo pelo PVP de 119,90€ .

 

AVALIAÇÃO FINAL:

 

Design/Construção 15/20

Estabilidade e Aderência 18/20

Conforto 16/20

Amortecimento 14/20

Preço 17/20

 

Total 80/100

 

Bons treinos na companhia dos Merrell All Out Terra Light

Diabetes e a corrida: quais os grandes desafios?

Por Ana Sofia Guerra:

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No Estrela Grande Trail deste ano tive a oportunidade de conhecer o João Pedro Baptista que, para além do desafio que tinha de correr 26 Km, tinha de saber gerir um problema de saúde: a Diabetes. E, por isso, achei importante entrevistá-lo para que nos desse o seu testemunho 

 

Há quanto tempo e como é que descobriste que tinhas diabetes? 

- A Diabetes foi diagnosticada no início de 2009, após várias glicémias elevadas nas análises que fazia periodicamente,  pelo facto de ser militar e sermos controlados frequentemente. Quanto a sintomas, tinha apenas um que sentia com  mais frequência, que  eram as cãibras, mas que não fazia ideia na altura estarem ligadas à diabetes.

 

Como é que se caracteriza a tua diabetes? Tipo 1 ou 2?

Tipo 2.

 

Recorres à insulina injectável? 

Não. Inicialmente tomava 3 comprimidos que me foram sendo retirados, à medida que s glicémia ia sendo controlada. Actualmente, mantenho o valor da glicémia controlado, somente com a alimentação e o exercício fisico.

 

Tiveste o acompanhamento duma nutricionista no hospital ou centro de saúde? 

Depois de me terem diagnosticado diabetes, foi-me marcada uma consulta no Endocrinologista no Hospital Militar de Lisboa e, na primeira consulta, o médico disse-me para eu marcar consulta com uma nutricionista, também no HMP (Hospital Militar Principal), pois precisava de perder peso e aprender a "comer".

 

Quais as grandes dificuldades que tiveste (ou tens) em gerir a alimentação no dia-a-dia?

De início tive algumas, pois tinha uma alimentação pouco saudável mas, actualmente, o organismo e o meu estilo de vida alterou-se tanto, que as alterações que fiz inicialmente já passaram a ser rotina. No entanto, de vez em quando também faço as minhas pequenas "loucuras", mas isso porque faço bastante desporto e já aprendi a ouvir o meu corpo.

 

Que tipo de alimentos deixaste de comer quando soubeste que tinhas esta doença?

Essencialmente, deixei os fritos, os sumos e carnes ou alimentos com muita gordura e comecei  a comer à base de cozidos e grelhados, sempre acompanhado de legumes e saladas.

 

Há quanto tempo é que corres ou participas em provas de corrida e/ou trail?

Comecei há mais ou menos três anos. Inicialmente comecei  com provas de estrada, tendo evoluído gradualmente. Um ano após ter começado a correr com regularidade e a fazer algumas provas mais curtas, fiz a minha primeira meia maratona. Depois disso já fiz mais quatro. Actualmente, estou mais  direccionado para os trails, tendo já feito algumas provas com alguma dificuldade, mas de uma satisfação enorme.

 

Se num atleta sem diabetes, a alimentação numa prova de trail já é um desafio, quais os truques que fazes para gerir a tua alimentação numa prova de trail?

No meu caso, o mais complicado foi conhecer o meu organismo e saber como ele se comportava em cada uma das situações. Por exemplo, quando comecei a correr, comecei a fazer estrada e, neste caso, como não existem tantas variações de altimetria e de ritmos, é mais fácil controlar a hidratação e os “açúcares”. No trail running já funciona de maneira diferente, pois o desgaste é maior. Como desidrato bastante, levo sempre muita água (por isso levo sempre mochila) e como tenho muitas cãibras levo sempre magnésio líquido ou em pastilha. Levo também uns géis que vou gerindo conforme a necessidade. Há pouco tempo, também comecei a levar comigo sal, pois é bastante útil para quem como eu, desidrata com facilidade.

 

Já tiveste algum susto numa prova de trail por causa da diabetes? 

Sim, foi num trail em Alvados, onde senti pela primeira vez na minha vida o que é estar completamente desidratado. Nessa altura só levava água e paguei cara a factura, pois apesar de ter chegado ao fim, cheguei completamente desgastado. Durante a prova  tive tantas  cãibras, que acabei por descobrir que tinha músculos que nem imaginava que ter (riso). A partir desse trail, tentei nunca mais ser apanhado desprevenido e prefiro sempre levar coisas a mais, do que sentir, como me senti em Alvados.

 

Qual a sensação de correres com uma nutricionista? (riso)

Excelente (riso), pois foi uma maneira de aprender mais um pouco sobre o nutrição e o que fazer perante algumas das quebras que sentimos numa prova. Além disso, aproveitei para ter uma consulta de borla (riso).

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Quais os conselhos que darias às pessoas que têm diabetes e que gostavam de correr, mas que têm receio de o fazer?

Comecem devagar, mas comecem, pois ao início custa imenso e os resultados demora, mas, passado um tempo, começam a ver resultados e o nosso corpo começa a "pedir" mais exercício. No meu caso, que era bastante sedentário, comecei mesmo muito devagar. Lembro-me que ao início fazia 12 minutos a correr e ficava completamente de rastos. Mas não desisti e fui melhorando, depois dos 12min, passei para os 15, depois 20 e por aí adiante. Quanto tempo demorou até chegar às corridas? Quase 2 anos até fazer a minha primeira corrida de 7 kms (custou-me tanto). Depois... depois fui fazendo mais e mais. Já tive lesões (coisa que nunca tinha tido) pois não fazia nada (riso), mas nunca desisti. Tracem objectivos, comprometam-se com outras pessoas, mas nunca deixem de se mexer  porque,  para quem tem diabetes,  o exercício físico é fundamental, seja a correr, a caminhar, andar de bicicleta, nadar, etc.

 

Quais os teus próximos desafios no mundo da corrida?

Os meus desafios são ir fazendo provas que nunca fiz, repetir as que mais gostei e aumentar as distâncias, sempre que possível.

 

Para terminar, gostaria de agradecer esta oportunidade à Ana, pois é sempre muito positivo, quando com a nossa experiência, podemos ajudar outras pessoas com este enorme problema que é a DIABETES.

Em relação ao exercício físico e aos trails, existe outra vertente bastante aliciante, que é o espirito de entreajuda que lá encontramos e ,claro, conhecer pessoas como a Ana. Aproveito também esta entrevista, para agradecer ao grupo de Amigos dos Galgos de Tancos ao qual pertenço, que aproveitam esta actividade, para promoverem a amizade e o convívio a cada prova que fazemos. Como nós, existem muitos outros grupos que fazem o mesmo e o engraçado nisto tudo é que nunca nos vemos como adversários, mas sim como outros grupos de amigos que competem (saudavelmente) entre si.

 

Obrigado Ana!

 

João Baptista

LouzanTrail: A montanha pariu um rato!

Por Natália Costa


Sábado passado rumei à Lousã para participar na quarta edição do Louzantrail, na lindíssima e mítica serra da Lousã. Já tinha participado há dois anos na prova mais curta, e achei que estava na hora de lá voltar. Fiz a minha inscrição para os 25k, nem tinha conhecimento que havia outra prova mais curta, que aliás tinha sido a escolha mais sensata, mas adiante!

 

Eu, o Filipe, a Ana, a Bo e o Tiago, lá nos fizemos à estrada, para um fim de semana sem putos, muita diversão e trail running. Chegados à Lousã foi hora de beber um “fino”, levantar os dorsais, cumprimentar e ser apresentados a alguns membros do Louzantrail que estavam nos últimos preparativos.

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 Dorsal levantado, hora de ir ver Portugal a jogar e aproveitar para jantar, que no dia seguinte tínhamos que ter energia para subir a serra, certo?

Antes do “recolher obrigatório”, fomos ao briefing da organização, para saber como seria o percurso, quais as maiores dificuldades, onde iríamos passar, quais os abastecimentos, se seriam só de líquidos ou de sólidos e líquidos, enfim o que nos esperava no dia seguinte.

Devo-vos dizer que o briefing foi bastante esclarecedor, mas que me provocou logo tonturas. Apresentou-se as 3 provas, os 45k, 25k e os 15k. Cada uma com as suas características e respetiva altimetria. A minha teria um desnível positivo de 2000m! Era um sobe e desce pela serra da Lousã em que eles estimavam que com as subidas a custarem mais e as descidas a serem mais rápidas, seria uma média de 10 minutos por km... Só mesmo para quem já domina a serio a coisa. Falaram nos pontos de água, fontes e ribeiros que iríamos passar, e que podia ser uma mais valia para o dia quente que se fazia prever.

 

Posto isto, lá rumamos para as respetivas caminhas em amena cavaqueira, muita galhofa e alguma expectativa com a prova do dia seguinte.

 

E foi sobre a almofada que comecei a minha prova, como é que eu iria fazer aquilo? Levei duas horas a adormecer a pensar no gráfico que tinha visto refletido sobre aquela tela na sala da organização.

 

No dia seguinte o acordar foi pelas 7:00, a partida seria dada às 8:30! Pequeno almoço de campeã tomado, atestada uma hora antes da partida, porque já se sabe, tinha que estar energicamente ativa! Equipamento Ok, chip na sapatilha, pala na cabeça e siga para a serra.

 

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 Antes da partida a organização preparou uma aula de fitness, algo para aquecer as articulações antes de ser dada a partida. Fotos da praxe, abraços e votos de boa prova e lá seguimos nós para a mágica Serra da Lousã, que tem tanto de bela como de dura.

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Fitinhas laranjas da organização lá nos indicavam o caminho para entrar pela serra adentro. Devo dizer que toda a prova estava muito bem assinalada e por ser uma vegetação muito densa, havia sombra em grande parte do percurso.

Primeiras paragens na primeira subida! Após esta começou a haver as primeiras separações e devo dizer que até ia a um ritmo simpático nos primeiros 3 km, até que começamos a subir à seria, e o ritmo teve que obrigatoriamente diminuir. Chegados ao primeiro abastecimento, ao km7, sentia-me muito bem. Arranquei para a restante prova e foi ai que percebi que a “montanha tinha parido um rato”, e o rato era eu. Já não sei o que me custava mais, se era a subida ou a descida. Porque se a subida era violenta para as pernas, as descidas eram dolorosas para os pés! Ok, siga, vamos embora! Mais uma olhadela para o gráfico que trazíamos no dorsal. O pior era até ao km 14. Pelo menos achava eu.

Passado o segundo abastecimento, só de líquidos ao km 12, esperava-nos uma subida de mais de 2km. Pé ante pé, que já não havia força para mais, lá nos fomos cruzando com os participantes da caminhada solidária, que iam no sentido oposto e lá mandavam umas piadas a dizer que ainda faltava um bocadinho... Deu para pensar em tudo nessa subida, no meu trabalho, nos miúdos, no que estaria ali a fazer, que devia era ter optado pela prova mais curta... e acima de tudo em desistir!

Devo dizer que foi a prova mais dura que já alguma vez fiz na vida, mais acho que nunca fiz nada tão arrebatador!


A serra da Lousã é de facto dos sítios mais mais bonitos e a organização presenteou-nos não só com trilhos muito técnicos, mas também com paisagens verdejantes e oponentes, parecendo vindas diretamente de um postal.

 

Após o terceiro abastecimento, deparei-me com o trilho da cascata. Um trilho bem duro, com uma descida muito técnica e em que pensei mesmo atirar a toalha ao chão. Já não dava mais! Venham-me buscar por favor, agarrei o telemóvel e vi que não havia rede, estava entregue à minha sorte e ali é que não me podiam ir buscar mesmo! Esta foi uma verdadeira fase de metamorfose, uma prova à minha capacidade de resiliência. Passa-se mais um rio, com um ato de equilibrismo em cima de um tronco e começo a apanhar um grupo que ia mais à frente. A Elsa, o Rui e a Andreia.

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Cheguei perto deles, que iam tão estafados como eu e partilhei a minha vontade de mandar tudo às urtigas. “Nada disso!” disseram eles, já vieste até aqui, vamos seguir juntos e não vais desistir! Este é o verdadeiro espírito de trail. Uma camaradagem entre pessoas que não se conhecem, mas que puxam umas pelas outras como deveria ser no nosso dia a dia. Há tantas paralelismo com a vida real neste mundo da corrida.


E é ai que chegamos à tal cascata. UAU! Valeu a pena, que visão mais linda!

 

Lá me enchi de coragem e pé ante pé, continuamos a prova. A partir daqui as pernas já nem as sentia, era a cabeça e o coração que comandavam.

 

Trilho da levada, uma extensão com cerca de 2km corridos numa espécie de mármore, com um pequeno ribeiro do lado esquerdo e um precipício a perder de vista do lado direito. Confesso que sou uma medricas nestes géneros de radicalismos, só espreitava de quando em vez para a direita e corria quase inclinada para a esquerda.

 

Passado este trilho entrámos na parte final da prova, passamos uns quantos riachos o que sabia lindamente para arrefecer as pernas.

 

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(Fotos do Zé

E eis chegados ao alcatrão! Aiiiiii, o meu alcatrão. Pernas para que te quero, prego a fundo até à meta onde sei que lá estariam todos para me apoiar.

Nestes metros finais pensei, naaaaa, não vou chorar, não sou nada dada a essas coisas de quase eleição de Miss e sou uma tipa muita forte!


Certo.... assim que avistei os primeiros apoiante a bater palmas, a gritar aquelas palavras de alento, desatei a chorar compulsivamente! Veio me à cabeça todas aquelas dificuldades, cada descida em que caia e a sola dos pés pareciam verdadeiras brasas, as subidas, as pedras a que me tive que agarrar para não ir ribanceira abaixo e senti que era muito forte, bem mais forte do que pensaria ser capaz, e que mais uma vez a corrida estava na minha vida a provar isso mesmo.


Meta atravessada, abraço do marido com um misto de orgulho e preocupação estampada no rosto, palavras de alento de tantos amigos corredores, foi altura de me sentar e comer uma bela massa com atum oferecida pela organização. Wowww, estava mesmo banzada!

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Banho tomado, compressoras calçadas lá rumamos a Lisboa com mil historias para contar desta aventura na belíssima serra da Lousã.

Uma coisa aprendi, enquanto não for uma menina mais “crescida” nestas coisas do trail, não me aventuro mais numa distancia destas. Fico-me pelo trail mais curto, e já devo ter metades destas historias para contar, seguramente!

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