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Correr na Cidade

Corrida TSF Runners – Como é correr com 4 atletas cujo nome termina em Ana?

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 (na partida...digam lá que não sou um sortudo)

 

Por Bruno Tibério:

 

Há algumas semanas fui convidado para participar nesta prova e confesso que estranhei o convite, principalmente porque iria correr com 4 mulheres que têm 2 pontos em comum: gostam de correr e têm “Ana” no nome. No início ainda achei alguma piada, mas depois fiquei um pouco apreensivo. Isto de ir a acompanhar 4 mulheres não é para qualquer um! Como será que podia ajudar? Quem me conhece pessoalmente sabe que não sou propriamente a pessoa mais efusiva e extrovertida e isto seria para mim um desafio acrescido. O meu conselho, e aquilo que eu segui, é pensarem o que gostariam que fizessem por vocês.

 

No dia da prova, para além do nervosismo típico antes de começar a correr, acabei por me atrasar um pouco porque decidi fazer compras de última hora e iniciei a minha corrida em Linda-a-Velha e tive a sorte de apanhar boleia com os “Malcatas”. Quando cheguei à partida já estava acompanhado pela Ana Morais e a Joana Malcata e começámos à procura das outras “Joanas”. Depois de nos reunirmos e colocarmos o dorsal à cintura, fomos até à zona de partida e, mesmo tendo a pulseira da zona “até 60 minutos”, decidimos que íamos para a parte de traz da partida.

 

Apesar de termos combinado irmos todos juntos, acabei por ir a acompanhar a Ana Morais. A Joana Aguiar e a Joana Ceitil foram mais à frente e a Joana Malcata ficou um pouco atrás. Ao dar o tiro de partida ainda demorámos um pouco a arrancar. Também não tínhamos pressa nenhuma e posso dizer que, de certa forma, isto já estava ganho...pela companhia, claro.

 

Nos primeiros 2 Km, olhei várias vezes para o relógio e reparei que a Ana ia um pouco mais acelerada do que era costume. Avisei-a de que devia ir com mais calma mas, como sempre, não me ligou nenhuma e lá continuou. O mais engraçado é que se notava bem que ela ia a puxar, pois era a primeira vez que a via a correr sem falar. De vez em quando olhava para ela para ver se estava bem, pois era estranho vê-la tão calada. Ao 3º Km (ou perto disso) aparece o primeiro abastecimento com água e agarrei logo em duas garrafas de água para que a Ana não parasse de correr. Se no início da prova estava um tempo bem fresco e nublado, ao longo da prova sentia-se bem o calor. Por esta altura já ela se queixava (como de costume) do calor e molhava a cara, os braços e as pernas.

 

E lá continuámos nós a correr e a acenar às pessoas que passavam por nós. De vez em quando lá olhava para ela para saber se estava bem, pois continuava a não dizer nada. Por volta do 5º Km, ela diz que tem de baixar um pouco o ritmo e, como se tivesse um relógio no pulso (que não tinha), fez o resto da prova numa média super estável – 6:28/6:32. Era essa a média que ela se sentia mais confortável. Eu bem tentei puxá-la no último quilómetro, mas não consegui grande coisa. Ela própria confessa que a falta de treinos de corrida não ajudaram e tinha mesmo que treinar mais. Mas engraçada foi a reação dela ao aproximar-se da meta, olhar para o relógio que lá estava e dizer: “vou bater o meu recorde pessoal dos 10K!” E assim foi! Fez 1:04:38.

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(esta foto está diferente de todas as outras: ela é que costuma correr a sorrir, não eu)

Na meta já lá estava a Joana Aguiar e a Joana Ceitil à nossa espera, que correm duma maneira engraçada: vão sempre a falar durante a prova (segundo elas dizem, em todas as provas). Esperámos alguns minutos pela Joana Malcata, e lá vinha ela “esbaforida” e sem conseguir falar, mas com um grande sorriso.

 

Resumindo um pouco o meu papel neste dia: todas estas meninas, para além de terem em comum partes do nome e o gosto pela corrida, elas também recomeçaram agora a correr e a participarem em provas. Quer seja por falta de tempo devido à vida profissional demasiado exigente, por alguma problema pessoal e/ou familiar, ou por alguma lesão que nos deixe encostados, por vezes temos de deixar os treinos para último lugar. Na corrida só conseguimos melhorar se tivermos alguma regularidade nos treinos e quando o treino passa a segundo plano durante algum tempo, podemos começar a ficar desmotivados com o nosso desempenho quando voltamos de novo ao activo. Não gostamos do nosso desempenho sabemos que podemos, ou pelo menos queremos, fazer melhor mas o corpo não reage aos nossos desejos.

 

E é aqui que podemos ser úteis, fazer a diferença e tocar alguém. Por vezes nem é preciso dizer nada, basta apenas estar lá. O simples facto de estar presente, fazer companhia, pode ser mais do que suficiente para não deixar um amigo, um colega ou um conhecido desistir quando falta um pouco de fôlego, motivação e coragem. Saber dizer, “reduz um pouco, precisas de gerir” quando vês que estão a ir acima das suas capacidades ou incentivar a acelerar nos últimos quilómetros ou a sair da zona de conforto. Relembrar que o relógio numa prova não é tudo, não é aquele “bicho papão” sobre qual todos nos vão julgar só porque os números não são os melhores. Mostrar que chegar ao fim, dentro das suas limitações, é um prémio mais enriquecedor que qualquer medalha. O sentimento de dever cumprido, o transformar o sofrimento em alegria após cruzar a meta, o acreditar que afinal é sempre possível, é o maior dos prémios que se pode receber quando nos sentimos em baixo.

E vocês? Já tocaram alguém esta semana? Vão, apoiem alguém e, no final, apenas perguntem: “quando voltamos a treinar?”

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