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Correr na Cidade

Sou Ultra Maratonista (a conclusão)

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Por Filipe Gil:

 

Uma vez nos 25km, e a sensivelmente meia da prova, rejuvenesci. Mal sabia eu que o pior estava mesmo para vir. Do último abastecimento até ao seguinte, nos 31 quilómetros, o meu joelho piorou bastante. Ainda corri no estradão, e quando este ficou plano voltei a sorrir com os pés. Mas depois veio uma descida manhosa em que conseguia ter a velocidade de uma octogenária. Doeu muito, muito, muito. Quando a descida acalmou e já a andar a direito, sem desnível, o meu joelho continuou a doer. E falhou por duas vezes. De  um momento para o outro, ia caindo duas vezes…a andar. Preocupante. E ali estive mesmo à beira de desistir.


Pensei que estava a arranjar um problema muito grande e que entre a vergonha de não ter terminado e uma ida à faca e uns meses de muletas sem correr, conseguiria suportar melhor a vergonha. Até o Tiago olhou para mim e disse: “Se achas que não consegues, mais vale terminares por aqui”.

 

Segui e cheguei ao abastecimento dos 31km, “o abastecimento das bifanas” e encontrei o Nuno Alves e o Nuno Espadinha prestes a arrancar. Deu-me ânimo, mais uma vez. Eles não estavam a 100% mas eu estava bem pior. Sentei-me, pedi para o Espadinha me ajudar num alongamento e a perna melhorou um pouco. Mas já doía também a subir. Bebi mais Coca-Cola, fingi que comia uma bifana, enchi a boca de batatas fritas e laranja e segui. O Tiago Portugal olhou para mim e disse: “a próxima subida é a mais difícil de todas. O ano passado tive de parar uma série de vezes, vamos?”. Suspirei e anuiu com a cabeça.  

 

Na subida parei entre 5 a 10 vezes. Perdi a conta. Não porque o joelho me doesse – claro que doía – mas era o cansaço. São cerca de 400 metros a subir e é tal a inclinação que levei uns 40 minutos a fazê-la. Aqui decidi tomar um Voltaren para as dores (já tinha tomado um de manhã, antes da prova). Encontrei o Eduardo Pinto a meio da subida que aproveitou e tirou a foto abaixo – que me diz muito. Eu a olhar para o cume da serra, de mãos nas ancas. Nesta subida pensei que nunca mais iria fazer aquela prova novamente, que é muito dura para a minha preparação, que era uma verdadeira estupidez. Claro, ao chegar ao topo me esqueci-me disto tudo e tive pressa de tentar começar a correr -  tanto quanto o meu joelho deixasse. Nessa altura já com 34 a 35 km nas pernas, bati o meu recorde de distância (que vinha dos 33km da Louzan). Em vez de desistir pensei que, pelo menos faço os 42 kms da Maratona, e depois logo se vê.

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Então começamos a descer e a dor mais aguda a voltar. Contudo, ao longe vi o Nuno Espadinha e o Nuno Alves, o terreno começou a ficar um pedaço plano e aí acho que fiz o meu kms mais rápido a cerca de 5/20 minutos/km. Nada mau para quem estava com o “joelho ao peito”.

 

Apanhamos os Nunos no abastecimento seguinte. Ou melhor, eles esperaram um pouco por nós. Daí até ao km 40 fomos os 4. Foi bom, na palhaçada, a tentar correr, a trote, a andar, a cantar, etc.. Eu olhava para os bastões do Alves e mordia-me de inveja. Talvez com eles, teria menos dor e melhor suporte. Mas ainda não foi aqui que senti mesmo a falta, foram uns kms mais à frente.

 

Chegados ao km 40, faltavam 10 para acabar. Senti que já ninguém me tirava o “título” de Ultra. Mais Coca-Cola. Mais um SMS para casa a dizer, “estou nos 40km, já só faltam 10, estou bem! Bjos”. Mais batatas fritas e mais laranja. Depois dessa subida começamos a descer até deparar com uma descida de pedra solta, muito inclinada. Fiquei parado a olhar lá para baixo. Aqui foi uma das partes que mais me custou. Se tivesse bem, teria feito aquilo “a abrir” como estava com o joelho muito massacrado, demorei uns 10 minutos, ou mais.

Nunca desejei tanto ter bastões para usar. Foi muito penoso. Mais lágrimas de dor na cara. A dúvida de terminar voltou ali mesmo. Outros corredores passavam por mim e perguntavam ser eram caibras. Se precisava de alguma coisa. Lembro-me de uma corredora, vestida de amarelo que com a sua voz rouca me disse: “inclina o corpo para a frente e deixa-te ir”, enquanto me deixou a respirar o pó da sua passagem. Fiquei irritado!!

“Menina, eu sei correr, e descer é uma das coisas que faço melhor, inclinar o corpo…bonito, como se eu não soubesse”, pensei enquanto me contorcia de dores. Ela não teve culpa, a minha figura geriátrica prestava--se a esses comentários. Parecia aqueles corredores que nunca correram muito e tentam logo fazer Ultra, “à campeão” e a meio dão “o berro”, para não utilizar uma expressão mais gástrica.

“Não, minha cara menina, eu sou runner e prestes a ser ultra runner. Viste o meu boné  Dirtbag Runner, faço Ultras antes de tomares o pequeno-almoço”. Esta irritação distrai-me com estes pensamentos parvos e deu-me forças para continuar a correr. Passei a marca da maratona e comecei a ganhar algum respeito por mim. Mais à frente o Tiago dizia-me, “já estamos nos 46km, já és ultra maratonista”. Eu sorria, mas sabia que só o seria ao chegar ao Inatel do Piódão – a meta da prova.

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Entretanto o relógio dizia 48km e a meta parecia ainda longe. Aqui estávamos a correr em plano. Sim, leram bem, a correr. Corríamos 2 a 3 minutos, e parávamos 30 segundos. O cansaço da dor fazia a sua mossa, mas o resto do corpo estava estupidamente bem. Ao fundo via o Eduardo Pinto a correr, o Nuno Alves e o Nuno Espadinha como pontinhos no horizonte. Olhámos para trás para ver se a Rute e a Bo vinham por ali, mas nada.

 

As coisas estavam-se a compor. O Pedro Luís liga-nos, goza comigo, no seu estilo muito próprio. O Tiago diz-lhe que o meu joelho já era, e que só conseguia correr a direito. Entretanto começamos a descer. O Tiago avisou que ainda existia mais  um posto de abastecimento. Acho que ele está a gozar comigo, o meu GPS marca 49 quilómetros, o hotel da Inatel nem à vista ainda estava. Aqui irritei-me, cheguei a falar alto com o Tiago: “Achas que estou a fingir? Achas que estou a ser maricas!?”-  Desculpa Tiago, foram as dores. Se eu não descarregasse em ti, não o podia fazer com mais ninguém.

 

Descemos com dificuldade, eu, ele estava bem, e fomos ultrapassados por mais corredores, uns com mais 20 quilos que eu….em cada perna. Via o Tiago a fechar os olhos de frustração. Senti-me mal. Mas estava a pensar só em mim e no meu joelho. Terminada a descida…nova descida, em caminhos de cabras. Tivesse eu bem e tinha voado por ali com um sorriso nos lábios. Mas fiz aquela última descida da prova de novo com lágrimas nos olhos. O joelho estava mesmo a ceder. Cheguei ao último abastecimento, onde só comi uma laranja, e queria acabar o mais rápido possível. E começava a anoitecer.


Depois do abastecimento e mesmo só a caminhar o meu joelho volta a ceder. Doía tudo, mal me conseguia mexer. Não estava a acreditar que ainda faltavam 3 quilómetros, afinal os 50km passaram a 53km, e ia ficar por ali. Como é que eu diria em casa que não conseguia fazer aqueles kms finais de subida, como iria dizer aos amigos: “berrei a 3 kms do final”. Era uma história dramática de mais para o meu gosto.

 

Ainda pensei pedir ao Tiago para me ir buscar uns bastões algures – e que falta me fizeram! Mas preferi pedir-lhe um Brufen. Comprimido tomado e passados uns minutos a dor amainou. Pude caminhar sem muita dor, o que já não acontecia há mais de 20 minutos. Começou a escurecer, e durante cerca de 1,5km um morcego juntou-se a nós. Voava ao nosso lado com aquele voo nervoso típico dos morcegos. Escurecia ainda mais, mas optamos por não usar frontal. O desejo do Tiago era chegar de dia, o que não foi possível, mas ao menos ninguém nos iria ver de luz na cabeça!

 

Chegamos finalmente à Aldeia do Piódão, faltava uma subida tramada de escadas e inclinações para a meta. Feita a muito, muito custo. Nem me lembro de respirar nessa parte. Chegados ao hotel, olhei para o Tiago para vir comigo, mas ele disse-me para ir sozinho e gozar o momento. Passei o pórtico. Parei vi o Pedro Tomás a vir ter comigo e desatei a chorar. A dor era muita, mas ter passado 8 horas com dores agudas num joelho foi uma conquista tremenda. Masoquismo? Talvez. Mas resiliência, determinação, teimosia, e força de querer, sobretudo.

Finalmente tinha provado a mim próprio que conseguia fazer um feito na corrida, mesmo com muita adversidade. Há muitos corredores, e ainda bem, mas não há muita gente a correr esta distância. Já podia dizer à minha mulher e filhos, e amigos e colegas que tinha corrido 53km. Foram 10h30m. Sei que podia ter feito menos 1 hora, talvez, se estivesse bem, mas isso fica para o próximo ano. Entretanto chegavam a Bo e a Rute. Que campeãs! Sempre no seu ritmo.


Vesti o corta-vento, sorvi duas canjas e liguei para a Natália. Mal conseguia falar de emoção, ela do outro lado preocupada, eu sem conseguir falar. Recompus-me e contei a experiência. Ela estava orgulhosa, e contente, mas preocupada. Disse-me logo que tinha arranjado o contacto de um dos melhores ortopedistas para ver o meu joelho. Depois da conversa para matar saudades, juntei-me aos amigos e celebramos.

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No quarto do hotel, despi-me e fiquei a olhar para os ténis durante um par de minutos. Companheiros fiéis de 53kms sofridos. Sem grandes mazelas nos pés. Nada de fascites, nada de bolhas. Impecáveis. Que jornada. Não sou agarrado a objetos, mas não pude deixar de olhar para eles com emoção. Mas sou despegado, vão agora ajudar o Stefan Pequito nos seus kms do MIUT2015. Estes sapatos foram feitos para andar e não para estarem parados.


Depois tivemos direito a uma massagem pelo Pedro Luís, que devia profissionalizar-se e ganhar dinheiro com isso. Brutal. Juntamo-nos no hotel e jantamos todos juntos, bebemos muita cerveja, e às 22h30m já estava na cama a tentar dormir. Estava exausto, mas com um sorriso na cara.

Hoje, terça-feira, as dores no joelho continuam, sobretudo a descer escadas, mas, dois dias depois o sorriso interno de ser ultra maratonista ainda persiste e vai continuar por algum tempo. Na segunda-feira, ontem,  fui visitar a Drª. Sara Dias ao Espaço Saúde de Corpo e Alma e começámos o tratamento de recuperação do meu joelho.

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Vai demorar, se calhar vou ter que visitá-la mais umas três vezes, mas já sinto melhoras. Devo estar duas semanas sem correr, se tudo correr bem, mas acho que valeu a pena. Fazer uma ultra, e com dor, é muito mental. Foi uma espécie de via sacra que me fez crescer como pessoa. Fiquei apaixonado pela distância dos 50km. Talvez volte um dia ao Piódão e tente fazer a corrida sem dor.  Talvez.

AGRADECIMENTOS

O primeiro para a minha família. Mulher, filhos, mãe, sogros, irmã e cunhado. Sem eles não tinha conseguido ter tempo para preparar isto. Em segundo lugar para o Tiago Portugal que me aturou durante os 53km. Abdicou da sua corrida para me ajudar. Dificilmente tinha terminado se não tivesse a sua companhia dele por perto. Duas vezes vasilei e a presença dele foi importante.

Os amigos e à crew, principalmente aqueles com quem treinei mais nos meses de preparação, o Nuno Malcata, o Nuno Espadinha, o Rui Alves Pinto – espero não me estar a esquecer de ninguém. Um abraço especial ao Pedro Luís, que me ajudou fantasticamente no final da prova. Um luxo!

E à restante crew&friends que me deram conselhos e que seguiram a prova de longe. Somos mesmo uma família! Agradecer também ao Filipe Semedo e à sua marca Puma por terem acreditado num corredor amador, muito amador, e me terem permitido testar material de primeira qualidade.

 

Os próximos objetivos já estão a ser delineados na minha cabeça, já cá andam. Esta viagem e estas crónicas terminam aqui.  Agora vou continuar a fechar os olhos de vez em quando e continuar a ver-me passar a meta do Piódão.

Sou Ultra Trail Runner, porra!

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Ler a 1ª parte desta crónica

Novidades Primavera 2015 - ASICS, Merrell, Nike

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Com a chegada da primavera algumas marcas apostam na saída de novos modelos de sapatilhas.

 

A ASICS apresenta em março a nova versão do GEL-NIMBUS 17, que chega à sua versão mais leve (15 gramas a menos do que o seu antecessor), novas melhorias técnicas, mais dinâmico e sem costuras, o que lhe confere uma estética mais arriscada.

 

De acordo com o comunicado da marca, a nova versão favorece uma melhor transição graças à FluidRaid 2.0 na média sola (composto melhorado de dupla densidade que se traduz em menos peso e mais amortecimento). Este modelo incorpora também uma nova estrutura da sola do calcanhar ao dedo do pé para facilitar a passada. Os blocos de GEL são maiores para melhorar a absorção do impacto.

 

A nova GEL-NIMBUS 17 presta atenção ao conforto, incorpora a palmilha X40 antibacteriana e muito confortável, e reduz o número de costuras interiores. A nível de segurança incorpora 3M faixas reflectoras visíveis segundo um ângulo de 360 graus.

 

Informação técnica:

Peso modelo masculino: 305 gr

Peso modelo feminino: 240 gr

Drop: 10 mm

PVPR: 175 €

 

 

A 15 de março de 2015 a Merrell apresentou a sua nova sapatilha de trail os CAPRA Sport, que foram desenvolvidos após uma longa observação das patas das cabras montanhesas.

 

Este novo modelo aposta nas tecnologias Mega-Tração – A sola exterior Vibram Mega Grip replica a textura existente nas patas das cabras e está preparada para agarrar o terreno da forma mais segura, para além de manter a segurança do pé em ambientes secos ou molhados. O sistema Unifly Impact Protection da Merrell proporciona um excelente amortecimento no contacto entre o pé e a palmilha ao mesmo tempo que dá uma maior conexão ao terreno .Os Capra têm uma laçada leve, flexível e segura, que quando combinada com a tecnologia Stratafuse (estrutura leve e minimalista da gáspea), acompanha os movimentos naturais do pé.

 

O PVPR é de 109.90 €

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A Nike lançou a nova coleção da gama Free, Nike Free 3.0 Flyknit, Nike Free 4.0 Flyknit e Nike Free 5.0 que estará disponível nas lojas a partir de dia 2 de abril. Estes modelos podem ser personalizados no site da marca. A coleção é caracterizada pelas renovadas partes superiores dos modelos que ajudam à flexibilidade natural do pé.

 

Nike Free 3.0 Flyknit: Caracterizados por uma passada mais natural, contam com tecido Flyknit na parte superior e 4 mm de drop. Nike Free 4.0 Flyknit: Oferece uma passada natural com amortecimento. Também com tecido Flyknit este modelo tem um drop de 6mm. Os Nike Free 5.0 oferecem uma passada natural com um amortecimento maior e com um drop de 8 mm.

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Sou ultra maratonista! (1ª parte)

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Por Filipe Gil:

 

Antes de começarem a ler peço-vos que façam um pequeno exercício. Ponham a vossa mão direita em cima do joelho direito. Deixei-na cair levemente para a direita e aí vão sentir uns ossos e ligamentos que se mexem sobretudo quando esticam e encolhem a perna. Certo?

Agora vão buscar uma chave de fendas e…pronto, ok, não é preciso ir buscar a chave de fendas, imaginem só o que é uma chave de fendas a pressionar essa região a cada passada que davam a descer e, passados uns quilómetros, também a subir. E mais uns tantos já a direito e somente a andar. Foi esse tipo de dor que me acompanhou durante 46 quilómetros dos 53 do Ultra Trail. do Piódão. Agora sim, estão prontos para começar a ler a crónica:

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Acordei bem. Ansioso, sem saber muito bem o que me esperava. Mas finalmente chegara o dia, depois de tantas semanas de treino, que foram abaladas no último par por uma lesão no joelho direito. Pensei nos meus e nas horas que lhe roubei para poder treinar.


Fiz a minha escolha do kit que decidi levar e fiquei uns 2 minutos a olhar para os bastões. “Levo, não levo?”, pensei. Estava calor, meti um corta-vento na mochila - de onde nunca saiu - e senti-me bem com um dos trails mais minimalistas que já fiz, a nível de equipamento:  Meias curtas, calções leves, tshirt levíssima da Puma, boné, buff (que do pescoço passou para o pulso no final da prova) a mochila com alimentação e líquidos e nada mais. Ah, claro, e os Puma Faas 500 TR v2 nos pés. Olhei para o espelho orgulhoso de ter abandonado muita coisa  (calções de compressão, meias do mesmo, etc, etc) entre o primeiro trail longo (Louzan - 33Km em Junho de 2014) e este Ultra do Piódão. 

 

E por isso decidi deixar os bastões no hotel. Seguimos mais ou menos todos para a partida. Uns para os 25km e os outros, onde eu estava, nos 50km. A partida foi rápida. Sentia-me bem, a correr em fila indiana enquanto passávamos pela aldeia do Piódão. Até ao primeiro abastecimento a coisa foi muito engraçada, com piadas em jeito de aquecimento. Bebi um pouco de água e segui em conjunto com o resto do pessoal: Nuno Malcata, Nuno Espadinha, Tiago Portugal, Nuno Alves, Rui Pinto e Telmo. A Bo Irik e a Rute Fernandes ficaram um pouco para trás no seu ritmo. O João Gonçalves já tinha voado lá para a frente (terminou em 18º da geral).

 

Confesso que não gostei muito das bocas que alguns dos corredores mais velozes dos 25Km que entretanto partiram 15 minutos depois de nós (dos 50K) nos mandavam à passagem. Acho que a organização aqui pecou, devia ter dado mais tempo de intervalo entre ambas as distâncias. Encontraram-nos em locais muito estreitos onde era muito difícil de nos ultrapassarem. Fizemos os possíveis e impossíveis. Vi gente quase a cair de escadas para os mais velozes continuarem no seu ritmo. 


A meio da primeira grande subida, o Pedro Luís apanhou-nos, ele que está a preparar o MIUT 2015, conversamos um pouco e ele seguiu no seu ritmo para os 25K. Os meus companheiros e amigos de jornada (e não faz aqui qualquer sentido distinguir quem é da crew ou de fora da crew, nesta jornada estávamos todos no mesmo barco) perguntavam-me aqui e ali como estava o joelho, respondia que bem, sem grandes certezas, isto porque começava a sentir uma pressão. Nessa altura, percebi que o Tiago Portugal queria puxar por mim e acompanhar-me durante a prova. Fiquei contente. Preocupado em atrasá-lo, mas contente.

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A enorme subida terminou - aquilo demorou quase 1 hora a fazer, chegamos ao cimo e começamos a descer. E aí, ao quilómetro 8/9, o meu joelho começa a doer. Muito. Impossível correr. Os meus companheiros de aventura vão-se embora e eu fico para trás a andar. A tentar correr e a tentar forçar o joelho. Doía muito, mas doía muito mais o facto de pensar em abandonar a prova. Será que tinha tempo de chegar dentro do limite temporal da organização ao próximo abastecimento? Tanto esforço, tanto treino, tantas horas roubadas ao sono, tantos quilómetros feitos, tantas linhas escritas nas crónicas de preparação para desistir? A frustração tomou conta de mim. Confesso que os meus olhos encheram-se de lágrimas de raiva. Queria continuar, mas não conseguia. Senti-me frustrado e envergonhado. Pensava nas perguntas dos meus filhos sobre a prova com respostas de falhanço do meu lado. 

 

Isto tudo enquanto continuava a tentar correr e a colocar o peso das passadas no joelho bom. Às tantas vejo o António e a Maria parados. A Maria tinha-se aleijado umas semanas antes e não aguentou. Estavam a tentar ultrapassar o momento, tal como eu fazia. Ela ainda disse: “segue que o resto do pessoal está ali mesmo à frente”. “Será?”, pensei. “Será que a andar como estou ainda consigo passar o próximo abastecimento dentro do tempo limite?”. Houve ali qualquer coisa que funcionou. Isso e o facto do chão começar a ficar com menos declive e eu ainda conseguia correr. Lá segui e quando passamos um passadiço de betão, ainda me pus com pressa a pedir licença para me deixarem passar.

 

Chegado ao abastecimento, o segundo, encontro o Tiago Portugal e o Nuno Malcata à minha espera. Fiquei atónito, “o que fazem aqui, vão se embora”, disse. Eu cheio de pressa para não ficar no abastecimento, todo stressado e eles ali à minha espera. Estava mesmo sem noção dos tempos que tinha que fazer para não ser eliminado, deixei o papel com as minhas notas no quarto do hotel - é o que dá tentar ser minimalista.

 

A subida seguinte, dividida em duas partes, foi brutal. Sem grandes dores a subir continuei devagar. Embora no abastecimento tenha tirado água, batatas fritas e laranja, comi um pouco das barras energéticas da Clif Bar (marca que não há no mercado nacional) para ganhar energia nestas subidas. Aqui o Nuno Malcata meteu o automático e nunca mais o vi. Minto, mais à frente, noutro abastecimento de soslaio. O Tiago sempre comigo, ele percebeu que estava com dores mas que não queria parar. E continuamos a subir, a andar e a tentar correr, e a subir. Chegamos ao topo, olhamos em redor, ao longe vimos um pouco de neve na Serra da Estrela. Vimos nuvens por baixo de nós. Inóspito, mas lindo a 1300 metros de altitude. Mas, claro, depois da subida….a descida e o regresso da dor.

Que começou por “estradões” onde tentei adaptar a passada para não me doer tanto. A “filha da mãe” da dor continuava cá e bem presente Mas quando o terreno aplanava, conseguia correr livremente. Depois veio uma descida em pedra solta, cascalho grande e muito inclinada e sofri muito, muito mesmo. Não consegui ir muito depressa, cada passo era dor. Mais lágrimas nos olhos, de dor, de raiva, de frustração.  

 

Terminado o suplício lá fomos ter ao próximo abastecimento, cerca dos 25km. Parecia que o pior tinha passado - puro engano. Mas nesse abastecimento encontrei a maioria dos companheiros, com excepção do João Gonçalves que não corria, voava. Falámos um pouco. Uns metro antes encontramos o sempre bem disposto Eduardo Pinto com a sua longa barba esvoaçante.

 

Corremos soltos até ao abastecimento juntos cheguei sôfrego. Porque vi os amigos a descansar porque queria enviar um sms e falar com a minha mulher, a dizer que estava bem, porque queria tirar uma selfie para o resto da família saber que ainda estava vivo e, ao mesmo tempo queria beber uma “litrada” de coca-cola, comer batatas fritas e alguns frutos secos. Mas este abastecimento foi um erro. Foi muito stressante. Quis acudir a várias coisas ao mesmo tempo, devia ter descansado e não o fiz. Parecia aqueles dias de trabalho quando regressamos de férias, sem tempo para respirar, ou quando vamos ao estrangeiro e queremos ver todas os locais importantes de uma metrópole em dia e meio. 

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Entretanto eles seguiram o seu caminho, cerca de 3 minutos depois segui com o Tiago. Estava animado, apesar das dores e de não conseguir correr quando descia, conseguia fazê-lo a direito e a subir. E já estava a metade do caminho. Renasci nesta altura, mal sabia eu que o pior estava para vir, mas amanhã conto-vos o resto.

Unboxing: Saucony Hurricane ISO

 

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Por Nuno Espadinha

 

Aguardo com grande expetativa os treinos e corridas que farei com estes Saucony Hurricane ISO que a marca gentilmente nos cedeu para teste, ou não fossem eles de uma das marcas de topo ao nivel mundial. Para além de todas as reviews que já li e feedback que recebi dos elementos da crew que já tiveram o privilegio de testar uns Saucony!

Para já aqui fica o unboxing:

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O que é o Kefir?

Por João Filipe Figueiredo:

 

O Kefir é uma colónia de microrganismos simbióticos imersa numa matriz composta de polissacarídeos e proteínas. Tem a aparência de uma couve-flor (a parte branca) e é originário do Cáucaso.

Vou falar-vos da minha experiencia com Kefir de leite (também existe o de água), como se prepara e os seus benefícios para a saúde.

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Comecei a tomar Kefir em 2008 – sempre tive problemas de estômago e digestões difíceis. Isso provocava um mal-estar geral e condicionava os meus treinos de fim-de-semana nesses tempos.


Por sugestão de um primo meu, que deu uns grãos de Kefir ao meu pai, resolvi experimentar provar e o resultado foi imediato. Senti um bem-estar enorme no estômago e a partir desse dia comecei a consumir e a tratar do meu próprio Kefir.

O leite de Kefir pode ser comprado nas lojas de produtos alimentares dietéticos ou macrobióticos (eu já comprei, achei caro e não é exactamente a mesma coisa) ou então pode ser adquirido (os grãos de Kefir) através de amigos que consumam ou grupos de partilha, e produzirmos nós o nosso próprio leite de Kefir.


Os benefícios do Kefir são muitos:

-melhora de uma forma geral todo o sistema digestivo;

-restabelece e equilibra a flora intestinal;

-sintetiza o ácido láctico, diminui a intolerância à lactose;

-aumenta a resistência às infecções;

-activa o sistema imunológico;

E auxilia no combate a problemas de:

Asma, acne, problemas renais, acidez estomacal, problemas circulatórios, colesterol, reumatismo, osteoporose, hepatite, bronquite, tuberculose, descontrolo de produção de bílis, alergias, enxaquecas, males do colón, úlceras, inflamações intestinais, …

Não posso comprovar todos estes benefícios, mas garanto que o Kefir me faz sentir bem e eu raramente estou doente. Não me lembro da última vez que estive doente de cama ou com febre.

 

Vou descrever-vos o processo de tratamento e consumo do Kefir de leite, que eu faço:

Depois de receberem os vossos grãos devem colocá-los num recipiente de plástico ou vidro, não completamente tapado – de forma ao Kefir poder “respirar”, mas que não esteja acessível a mosquitos e a outros insectos.

Eu guardo-os numa embalagem de plástico com um guardanapo de papel por cima.

 

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Adicionam leite de vaca (eu uso meio gordo), até os grãos ficarem mais ou menos submersos, tapam e o recipiente deve ser guardado num armário fechado, para estar fora do alcance da luz solar directa. O leite fica então a “keferizar” durante cerca de 24 horas.

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Eu consumo o Kefir de leite ao pequeno-almoço.

Há quem faça imensas coisas com o Kefir: bolos, iogurtes, todo o tipo de bebidas, eu sei lá… eu bebo o meu Kefir misturado com chocolate em pó porque o acho demasiado ácido, há quem misture açúcar amarelo, …é uma questão de gosto pessoal.

Começo por coar o Kefir para uma caneca, isto para não comer os grãos (há quem goste, eu não gosto).

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Convém não usar utensílios metálicos, o Kefir não reage muito bem ao metal, por isso uso apenas colheres de madeira quando tenho de tocar no Kefir.

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Depois de misturar este leite de Kefir com o chocolate em pó, está pronto para eu o beber.

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 Por fim, volto a colocar os grãos na embalagem de plástico e adiciono mais leite. Guardo-o no armário até ao próximo dia.

Com esta repetição de tratamento e ao longo do tempo, os grãos de Kefir vão-se reproduzir (quanto mais calor houver mais rapidamente se reproduzem) e chegará uma altura em que a embalagem se torna pequena para armazenar tantos grãos de Kefir. Aí há duas opções a tomar:

-oferecer grãos a pessoas que os queiram;

-ou então, congelar os grãos em excesso (ao descongelar, os grãos de Kefir voltam à sua vida normal).

 

Eu pertenço ao grupo: “Kefir e Kombucha Portugal - GRUPO DE PARTILHA”, no facebook. É um óptimo sítio para partilhar experiencias e esclarecer dúvidas. Mas existe imensa informação sobre o Kefir espalhada pela Internet.

Experimentem o Kefir de leite, não têm de gastar dinheiro nenhum e garanto-vos que irão sentir diferenças no vosso organismo.

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My Path to MIUT 2015 - Histórias de uma jornada (4ª Subida)

 

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Por Pedro Tomás Luiz

 

Esta semana, foi semana de voltar às origens...

 

Para mim não há local como este... tenho de admitir... sou sem dúvida um apaixonado pela serra da Lousã. Tenho muito respeito pelo Gerês, pela Estrela e até pela esotérica serra de Sintra, mas aquilo que sinto pela serra da Lousã é visceral, único, impresso no meu ADN.

 

Para quem não conhece, a serra da Lousã situa-se bem na zona centro, a sensivelmente 30km da cidade de Coimbra e abrange os concelhos de Lousã, Miranda do Corvo, Góis, Castanheira de Pêra e Figueiró dos Vinhos. O seu ponto mais alto encontra-se 1205 mt no chamado Trevim. 

 

Estando as minhas origens na vila da Lousã, pude acompanhar uma quase relação de amor/ódio das gentes da daquela vila para com a serra com o mesmo nome.2015-03-26_09.03.45.jpg

 

Durante muitos anos a serra foi sustento para os povos que nela habitavam. Estas pessoas, muito pobres, viviam essencialmente da agricultura e do pastorício, nas actualmente chamadas aldeias de xisto. A procura de uma vida melhor levou ao abandono destes locais mágicos, que assim permaneceram até à sua quase completa destruição.

 

Final dos anos 80 estas aldeias começam a ser ocupadas por estrangeiros, que aos poucos começam a recuperar e a revitalizar as aldeias.

 

Mas só no início deste século, é que o corte de relações termina, e se começa a perspectivar todo potencial económico que a recuperação das aldeias,  bem como de todas as actividades inerentes a estas,  poderão trazer para a vila. 

 

Aos dias de hoje, quase todas as aldeias e2015-03-26_08.55.42.jpgstão recuperadas (algumas essencialmente devido  ao isolamento permanecem abandonadas) e os trilhos outrora usados pelos povos da serra foram recuperados

 

Muito se deveu aos eventos de motociclismo, downhill, bem como às associações de baldios e aos clubes desportivos (como o Montanha Clube da Lousã) que revitalizaram pouco a pouco os antigos caminhos das gentes das serranas. 

 

Por tudo isto, bem como pela gastronomia, pela hospitalidade, pela oferta hoteleira, a  serra da Lousã é hoje um dos locais de “culto”, para quem gosta de correr na montanha.

 

Mas descansem os amantes da estrada porque esta serra também têm muito para oferecer, pois os km de alcatrão, envolvidos pelos grandes montes que serpenteiam a serra até Castanheira de Pêra, tem o potencial para extasiar quem os calcorreia.  

 

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Assim, com dois treinos planeados, um mais curto mas intenso e outro mais longo e descontraído, aproveitei para desfrutar ao máximo destas condições únicas.

 

O primeiro treino foi realizado sozinho, exclusivamente por estradões por forma a correr um pouco mais e atingir a intensidade necessária sem entrar em falência. Foram cerca de 16km com 2400 D, dos quais 1200 D+, que me levaram da vila ao ponto mais alto, o Trevim  o que é basicamente impossível de fazer nos meus campos de treino habituais (a não ser que faça “piscinas” da Biscaia à Peninha).

 

Já o treino domingueiro, foi começado bem cedo (06h) mas na fantástica companhia do pessoal do Montanha Clube da Lousã. O percurso foi o do Louzan Trail edição de 2015 e daquilo que pude ver está colossal em todos os aspectos (é bom que gostem de subir). Resultado final 26km com 1600 D+.

 

E como a serra é de todos… e para todos houve ainda tempo de partilhar os trilhos com máquinas de duas rodas (a abrir trilhos devem ser um espectáculo).

 

Faltam 14 dias…

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