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Correr na Cidade

Como não fazer uma Meia Maratona

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Por Filipe Gil:

 

Como não fazer uma Meia Maratona!?


Sei que aqui no Correr na Cidade estão habituados a que vos falem de como devem fazer isto e aquilo em relação à corrida e a viver uma vida saudável. É a missão desta gente fantástica que mantém a melhor informação sobre corrida de Portugal. Como estou de fora (mesmo!) tenho a liberdade para poder escrever coisas parvas.

 

Em primeiro lugar porque já não sou corredor, corro apenas de vez em quando, e quando me apetece - no pelotão a partilhar as dores e alegrias dos corredores anónimos. E em segundo lugar não tenho a pressão de representar uma marca, um nome, uma filosofia de qualidade que é o Correr na Cidade. Assim, por minha conta e risco, avançou com 5 coisas que nunca devem fazer numa Meia Maratona – e que eu fiz. No caso de reclamações ou contradições, eu agora moro aqui, escrevam para lá!


1. Não treinar como deve de ser! Fiz um treino de corrida de 7kms no dia antes da Meia Maratona. E antes, sendo que o antes foi há uma semana e meia ante do dia 19 de março, tinha feito 10kms pelos trilhos de Monsanto. Sabem há quanto tempo não fazia uma Meia Maratona: 3 anos. (No ano passado desisti por lesão). Ainda para acrescentar passei a véspera da prova a jogar basket com os meus putos. Foi mesmo bom!

 

2. Estrear equipamento. Daquilo que levava vestido e calçado apenas os calções já tinham sido usado anteriormente. O que vale é que as sapatilhas tinham uma enorme qualidade (são da Puma) e ao fim de 21kms apenas senti um pequeno abrasão numa parte do pé – que costuma sempre, com qualquer modelo de qualquer marca, fazer “queixinhas”. Foi uma sorte.

 

3. Não comer um pequeno-almoço como deve de ser. Bebi um café e uma “torradinha” com doce. E uma barrita de chocolate. Isto para quem estava às 08h30 no Hotel Dom Pedro a usufruir do convite VIP que os CTT me ofereçam - sim, continuo a “tratar-me bem”! – estava eu a correr a descida da Ponte e já estava a pensar no almoço…

 

4. Não usar protetor solar nem boné. Hoje pareço um defensor dos direitos dos nativos norte-americanos. Estou com um belo escaldão de primavera na cara.Acho que alguns colegas aqui na empresa pensaram que me tinha metido no tinto de almoço. Quem tem pele de “bife” sofre destes “males”. O não usar boné com o sol que estava no domingo é estúpido, não vale a pena justificar mais.

 

5. Ir demasiado descontraído. Parece que me estou a contradizer, mas tenho que admitir, a mente prega-nos partidas. E parei três vezes sem qualquer necessidade. Porquê? Porque me apeteceu. Porque estava descontraído, o que é bom. Mas também demasiado descontraído como eu estava é meia força para desistir logo ao km dois. Convém algum comprometimento, alguma concentração. Não é preciso darmos a vida pela corrida como se tivessemos de provar alguma coisa a alguém, mas um pedaço de concentração ajuda. Só e apenas porque a nossa cabeça nos vai fazer preguiçar.

 

Mas confesso que foi um belo "passeio", ri-me, falei com gente, disse adeus aos meus filhos, cumprimentei amigos, levava a t-shirt mais gira da prova, e fiz os 21km sem qualquer preparação para os fazer em cerca de 2h12.

 

Por isso, na próxima Meia Maratona que fizerem, leiam este artigo e façam o oposto – menos a parte de se divertirem! Boas corridas.

Review: Kalenji Kiprun SD 2017

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Testado por: Bo Irik

Características pessoais: Passada Neutra, 68 kg

Condições de teste: Treinos de 10 a 17km, algumas vezes com tempo chuvoso

 

Em Janeiro do ano passado estive na Run Blog Camp da Kalenji em Nice onde tive o privilégio de experimentar em primeira mão os Kalenji Kiprun SD 2016. Os Kiprun do ano passado ajudaram-me a bater o meu recorde pessoal aos 10km, recorde que se mantem até hoje (podem ler a minha review final dos Kiprun SD de 2016 aqui).

 

Este ano, assim que cheguei dos meus três meses fora, tinha as sapatilhas Kiprun SD 2017 à minha espera. O modelo que experimentei é o Kiprun SD para mulher que pode ser consultado e comprado no site da Decathlon. Há modelos masculinos e femininos e várias cores disponíveis. A primeira impressão foi ótima e segue agora a review:

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CONFORTO

Não tenho muito a dizer sobre o conforto destas sapatilhas. São confortáveis, mas nada de excecional. Não me causaram bolhas nem qualquer desconforto.

De resto, acabei por usar Kiprun na maioria dos treinos curtos e rápidos que fui fazendo no último mês e não tenho nada a apontar em relação ao seu conforto. Penso que a marca conseguiu um bom equilíbrio entre conforto e leveza (230 gramas no tamanho 39). A língua do sapato e a zona que acolhe o calcanhar são bastante almofadados e confortáveis.

Além disso, a marca promete que a tecnologia "seamless" (sem costuras) na biqueira limita as fricções. E sim, mais uma vez, confirmo o conforto, também na biqueira.

 

DESIGN E CONSTRUÇÃO

Os Kiprun de 2017 apresentam um design mais moderno dos seus antecessores e, tal como os seus antecessores de 2016, incorporam o conceito K-Only. O “K” representa a marca Kalenji e o “Only” remete para “Só” ou “Único” porque este conceito é indicado para todos os tipos de passada: neutra, pronadora e supinadora.

 

Tal como expliquei na preview deste modelo do ano passado, a Kalenji desenvolveu o conceito K-Only baseado num estudo biomecânico interno e ainda um inquérito de seis meses a quase 400 atletas pelo Instituto de Saúde de Luxemburgo. A Kalenji contratou uma instância externa para garantir resultados objetivos e neutros. A colaboração entre a Kalenji, o Sportslab da Decathlon e o Instituto permitiu estudar o impacto do tipo de calçado em lesões ocorridas durante a corrida. Assim, a Kalenji conseguiu identificar qual o modelo de calçado mais indicado a todos os tipos de passada. Por isso, mesmo que tenhas dúvidas em relação ao tipo de passada, estas sapatilhas serão sempre indicadas ;)

 

No que toca à construção, tenho ainda quatro pontos positivos a apontar:

  1. Têm a palmilha removível, útil para quem usa palmilhas especiais e para facilitar a lavagem da sapatilha;
  2. Têm o buraquinho extra para apertar bem o sapato e evitar que o pé escorregue para frente;
  3. A língua, para além de ter o tamanho certo, fica no sítio. Irrita-me quando esta cai para um dos lados ao correr, mas neste caso, mantém-se bem fixo.
  4. Um grande ponto positivo é que as sapatilhas são altamente refletoras permitindo correr com maior segurança à noite.

Em termos de tamanho, escolhi o 40, um número acima do meu calçado de dia-a-dia. O 40, correspondendo a 25,5cm neste caso, ficou-me bem aconchegado.

 

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ESTABILIDADE E ADERÊNCIA

Sobre a estabilidade destas sapatilhas tenho as minhas dúvidas, principalmente mais no início. Nunca cheguei a torcer um pé mas confesso que não me parecem ser o calçado mais estável. Em termos de drop, os Kiprun têm um drop de 10 mm de diferença entre a parte de trás e a da frente da sola.

A aderência dos Kiprun é muito boa. Mesmo nos dias chuvosos na calçada portuguesa, não senti problemas de aderência.

 

AMORTECIMENTO

Os Kiprun contam com o conceito de amortecimento K-RING e uma nova componente de sola. O K-ring é um conceito exclusivo de amortecimento, na zona do calcanhar, sob a forma de um anel. O espaço vazio ao centro permite dispersar a onda de impacto. Na verdade, achei o amortecimento destas sapatilhas muito bom, principalmente tendo em conta a sua leveza.

A nova componente de sola desta sapatilha permite, segundo a marca, melhor amortecimento (+34%), recuperação de energia (+25%) e melhor estabilidade à temperatura.

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PREÇO

Com um PVP de €59, esta sapatilha é uma excelente opção. Penso que é dos sapatos no mercado com melhor relação preço / qualidade. Ah, e sabiam que esta sapatilha tem 2 anos de garantia?

 

Sublinho que a Decathlon online funciona muito bem e tem as seguintes vantagens:

  • Devolução sem discussão até 30 dias: se depois de utilizar os produtos da Decathlon não ficarmos satisfeitos podemos devolver! Isto é válido para os produtos de marcas exclusivas Decathlon e é mesmo verdade. Já soube de vários casos.
  • Envios para lojas grátis: Podemos comprar online e recolher gratuitamente na loja mai próxima 7 dias por semana.
  • Envios grátis a partir de 39€: Válido para encomendas enviadas para pontos de recolha (continente e ilhas) e morada à nossa escolha em Portugal Continental.
  • Se encomendarmos até às 15H, recebemos a encomenda no dia seguinte: Ao encomendar hoje e recebemos amanhã numa loja Decathlon ou numa morada no próximo dia útil. Válido para artigos com disponibilidade imediata no armazém.

 

CONCLUSÃO

Não são as minhas sapatilhas preferidas mas também não tenho grandes críticas. Assim, e tendo em conta o excelente preço, considero os Kiprun uma boa aposta para quem aprecia amortecimento e ataca o solo com o calcanhar. Os Kiprun SD 2017 parecem-me uma excelente oportunidade para quem começa a correr e ainda não sabe que tipo de calçado prefere e talvez nem o seu tipo de passada conhece.

 

Conforto 17/20

Design/Construção 17/20

Estabilidade/Aderência 17/20

Amortecimento 18/20

Preço 19/20

Total 88/100

 

Race Report: Trilhos do Paleozóico 2017

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No dia 19 de Março realizou-se uma das provas mais míticas de Portugal, o Trilhos do Paleozóico em Valongo. Se não me engano, o Trilhos do Paleozóico já vai na sua 5ª edição e tem 48km com 2500d+ (apontado pela organização). Desde que comecei esta aventura do trail e corrida (2014) que ando para fazer esta prova, mas por vários motivos nunca se realizou, até este ano.

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Este ano já tinha feito o Trail dos Reis onde fui numa forma “miserável” após a Falcon Trail. Notei que estava com varias deficiências em vários pontos da minha corrida e que tinha de corrigir isso até a Transvulcânia. Então decidi com o meu mister Paulo meter uma prova uns meses antes, para poder analisar se tinha corrigido esses pontos. Assim escolhi os Trilhos do Paleozóico por vários motivos. Um deles já disse e o outro é que sabia que era uma prova muito bem organizada e que estaria lá pessoal forte para testar isso. Bem dito, bem certo, muito bem organizada e estava um grupo bastante forte na frente da prova, mesmo depois de Vila de Rei onde estiverem grande parte da elite.

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Sou sincero: correu bem melhor do que pensava pois as últimas semanas têm sido um stress. Até falhei alguns treinos, mas também é foi um bom motivo. Tive a sorte de ir para o Norte (onde adoro ir, onde as pessoas são verdadeiramente genuínas, onde estão os verdadeiros trilhos, isto não quer dizer que não o haja no sul lol) com o Nelson Amaral, um enorme camarada de treinos e verdadeiro amigo, com a “Maria” dele, a Helena que é fantástica e o Paulo que anda a dar forte nos treinos para o seu primeiro MIUT.

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Não sei se foi da janta da mãe do Nelson Amaral mas fui cheio de power para a partida (lol). Às 8 em ponto de Domingo lá se deu a partida. Como era de esperar, foi uma partida forte e deu para perceber que o pessoal queria aproveitar o fresco da manhã o mais possível. Mesmo tendo ido a um ritmo forte, mantive a calma e não quis ir para frente pois queria ver como estava. Fiz a gestão que queria fazer e testei tudo: a ingestão de sais e líquidos e de alimentação que queria fazer na Transvulcânia. Fui assim até aos 25 km mais ou menos, onde vi uma janela e aproveitei para dar o salto.

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Sentia-me bem, sentia-me feliz, queria correr e correr e foi o que fiz. A um certo momento pensei vamos tentar ganhar isto. Sabia que iria ser duro pois tinha companheiros muito fortes à minha frente mas fui arriscar. Resultou. Tive a sorte dos dois terem quebrado um bocadinho, e consegui manter o meu ritmo. Cheguei ao fim muito feliz pois consegui pela 1º vez fazer aquilo que tinha delineado para uma prova, e com um extra: a vitoria. É sinal de que se treinarmos forte e com um sorriso, as coisas correm bem melhor.

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A prova em si gostei bastante; é dura mas equilibrada, tem zonas mais técnicas outras bastante rolantes, e depois temos as subidas que são quase todas partes pernas algo que gosto. Houve pessoal que me tinha dito que era uma prova feia. Não achei. Claro que não é uma Lousã, uma Madeira, uns Açores ou mesmo uma Estrela, mas tem a sua beleza mesmo sendo no meio dos Eucaliptos. Organização de topo no meu ver só com dois erros: um deles sem culpa pois houve alguém que foi aos pássaros e não queria o pessoal a espantar a passarada e toca a tirar as fitas. Nada de grave, pois demos logo com o erro. O segundo foi a fase final onde as provas se juntam o problema e que se juntavam nos single onde fez que tivesse de arriscar demasiado ao sair dos trilhos, ou de estar a chatear o pessoal para sair da frente. Ali perdeu-se algum tempo e na altura e na altura tinha metido na cabeça que gostava de bater o recorde da prova (lol).

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Finalizei a prova em 4h26m.52s e consegui a vitória e penso que nesta distência consegui o recorde da prova. Não tenho a certeza disso, mas penso que sim =)

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Quero agradecer desde já ao Paulo Pires da Be Apt que tem ajudado na preparação ate agora, à Girassol pelo apoio na suplementação e à Ana Guerra pela ajuda na nutrição, e claro ao João Mota por me ter posto as pernas como novas. E claro, à toda gente que acreditou em mim principalmente David Quelhas, Pedro Luiz e o Nelson entre outros grande amigos e companheiros tem dado um apoio enorme, um enorme OBRIGADO.

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Agora SIGA para Las Palmas!

XP

 

Fotos by:

Matias Novo
ViewPoint by Marco Marques
Fernandos Ramos
Helena Ruivo

Race Report: 3º Trail de Almeirim - Na Rota do Vinho e da Sopa da Pedra

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É sempre bom voltar onde já fomos bem tratados, e foi por este motivo que voltei a participar no Trail de Almeirim.

 

Em preparação para a primeira Ultra no Piodão, há 2 anos participei na 1ª edição do Trail de Almeirim. Na altura estava num bom momento de forma e fiz a prova a bom ritmo, mesmo desfrutando demais dos bons abastecimentos da prova :)

 

O ano passado não tive oportunidade de voltar a Almeirim como queria, e este ano quando o nosso campeão Stefan disponibilizou o seu dorsal para os 30Km do Trail de Almeirim, mesmo com muito pouco treino, decidi voltar aos trilhos ribatejanos.

 

Na véspera da prova a comitiva do Correr na Cidade ficou reduzida a metade por motivos de saúde familiar. Assim eu e a Bo arrancámos cedinho de Lisboa com destino a Fazendas de Almeirim.

 

Mesmo chegando um pouco em cima da hora o levantamento dos dorsais foi feito rapidamente e ainda deu para saudar amigos destas lides e preparar o equipamento, já o pelotão se reunia junto da partida.

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A mudança profissional que fiz há alguns meses trouxe ainda mais responsabilidade e uma adaptação a uma realidade diferente da que tinha. A dedicação nos últimos meses tem sido intensa e o tempo dedicado a treino bastante pouco. Nas últimas semanas tenho tentado compensar com alguns treinos ao fim de semana, sobretudo em Sintra, mas a forma não é das melhores e a perspetiva de fazer 30Km era mais que um desafio.

 

A Bo está em melhor forma, na sua estadia na Tailândia treinou regularmente e recentemente participou nos Açores, nos 42Km do Columbos Trail, e foi a minha wingwoman e grande companhia durante as quase 4h e meia de prova.

 

Iniciámos a prova a bom ritmo, que com as primeiras subidas foi diminuindo. Passando o primeiro abastecimento aos 5Km começamos a ceder os trilhos aos mais rápidos da prova dos 18Km.

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Embora os trilhos da prova não sejam dos mais exigentes, o grande trabalho do organização em desenhar um percurso aproveitando os recursos naturais abrindo trilhos bem sinuosos, torna a prova bastante divertida com subidas e descidas quase constantes.

 

Ao aproximar do abastecimento dos 17Km, as pernas começam a dar sinal de cansaço e falta de treino. No abastecimento fui "salvo" por tomate com sal, marmelada, banana, e outras coisas boas em mais um abastecimento de excelente qualidade.

 

Os percursos das provas vão se cruzando e vamos trocando impressões com vários participantes, inclusive quando aguardamos por subir pela famosa corda da prova.

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Do último abastecimento aos 21Km até ao final o percurso foi praticamente feito a 2, com as dificuldades físicas a serem cada vez maiores no meu caso e com a Bo a incentivar-me quando as forças já eram poucas.

 

Desde Novembro que não participava em prova nos trilhos, as saudades eram muitas, e mesmo muito cansado estava a desfrutar de cada momento, e ainda nos riamos do facto de "estarmos podres e a adorar" :)

 

Chegados à meta, foi tempo de descansar, comer uns bolinhos e aplaudir a chegada de alguns companheiros de jornada.

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Depois da merecida banhoca foi hora de desfrutar da bela sopa da pedra, bifana e pampilhos do almoço preparado pela bela organização da  A20KM - Trail Running Team, e de por a conversa em dia com a Geisa, a madrinha da prova, e o João.

 

Tal como há 2 anos tudo o que vivemos nesta prova é bom, e no meu entendimento tudo é bom porque é tudo feito com amor, dedicação e muitos sorrisos., É o que mais vou recordar desta prova, são os sorridos de todos os que nos proporcionaram uma prova com esta tanta qualidade, obrigado a todos!

Race Report: Meia Maratona Lisboa 2017 - A walk on the memory lane

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Este ano retornei à Meia-Maratona da Ponte 25 Abril para correr. Sozinho, no meio da multidão, entre conhecidos e desconhecidos. Ir fazer km's sem qualquer segunda intenção. Cansado e com muitas horas de treino em cima nesta semana, a meia fazia parte do plano que tracei há pouco mais de 1 mes atrás.

Continuo a achar monótono fazer 10km sempre em linha reta sem qualquer obstáculo. É muito complicado ocupar a cabeça e concentrar.

 

Ida para a prova

Este ano optei por ir no áltimo comboio, sem o stress de ir cedo, aquecer e colocar-me o mais na frente possível. Apanhei comboio no Pinhal ás 9:12 e cheguei ao Pragal 9:40. Como é normal nesta prova, uma autêntica confusão tentar andar ali no meio e sair sem ser arrastado. Malta que marca encontros no meio da multidão, outros que se dedicam a fazer campismo nas escadas, outros aos berros a chamar por alguém que estava atrás deles há 10 segundos. Parece quase a porta de um estádio de futebol dos antigos :)

Devagarinho lá fomos andando, tentativa de sair da estação, ir no mar de gente até lá acima ao viaduto por onde depois descemos pelas duas rampas directos às portagens. Muita gente com miúdos de 5/7 anos pela mão, malta ao telemóvel aos berros a perguntar onde estão os amigos, outros a parar a meio da rampa para as famosas selfies para o Facebook recordar.

Por este andar cheguei no curral da meia já depois do pórtico das portagens pouco depois das 10:10Muita gente a aquecer, alguns a sobreaquecer já pelo suor que tinham no corpo. Alguns conhecidos, cumprimentos, uns minutos de conversa e meti-me no meio do bloco de saída. Mais para o fim do que para o meio do bloco, mas como hoje era para correr sem stresses, lá fui. Sem aquecimento, já que tinha decidido que iria fazer a ponte sem acelerar, ai por volta dos 5:30/6 km e seria mais do que suficiente fazer quase 3km a esse ritmo para aquecer. O calor começava a instalar-se apesar de uma ligeira brisa. E as filas interminaveis de quem precisa de ir ao WC 5min antes da partida :)

 

Partida

10:30 e lá fomos. Este ano não notei tanta gente como nos outros anos dos caminheiros que arrancavam à frente da meia. Ainda apanhei uma mão cheia, mas muito menos do que as dezenas habituais. Slalom calmo e sereno, sem os habituais picos e fui passado por muitos road runners com ansia de irem rápidos. Alguns disse para mim mesmo "daqui a pouco estão na lateral a respirar forte e a andar"... lembro-me de apanhar um grupo de 4 jovens aos 11/12 km que já iam bem acima dos 5:30/km, que voaram por mim ainda nem tínhamos 1km de prova. Impetuosidade da idade e falta de experiência.

Quando chegamos à descida para Alcântara já com o corpo na temperatura "certa" acelerei um bocado e ganhei algumas posições. Queria sair daquele grupo grande de pessoas muito juntas uns aos outros e com muito perigo nas ultrapassagens dos mais rápidos. Passagem aos 5km com 23:40min tranquilos.

Apanhei uma garrafa de água cá abaixo no primeiro abastecimento perto dos 5km e abrandei ligeiramente o ritmo. Agora era tempo de meter km's sem pressa. Consegui manter os 4:45/4:55/km durante uns bons quilómetros. Viagem até Cais do Sodré muito tranquila, com o grupo muito certinho, exceptuando a ocasional garrafa voadora de água para as laterais, nada a registar.

 

Primeiro retorno

Muita gente no Cais Sodré. Domingo, quase primavera e muito bom tempo. Segundo abastecimento e começam as guerras para ver quem apanha a água, o gel ou sei lá o quê. É daquelas coisas que não entendo. Parece que a maior parte das pessoas desliga o cérebro aqui, fecham os olhos, atravessam-se á frente dos outros, pegam na garrafa ou copo e os outros que se amanhem. Ou aqueles que param sem aviso para apanhar algo e é ver a malta atrás a fazer o teste do Alce, mas sem o carro :)

 

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( planeamento da semana passada e esta a seguir à prova no trainingpeaks )

 

Passagem aos 10k com 48min

Entretanto fui falando com alguns conhecidos, um pouco para o cérebro ter que fazer no meio da monotonia dos km's, e também para me acalmar um pouco. Quando nos habituamos a correr mais rápido depois temos muita dificuldade em seguir sozinhos e refrear o ímpeto. Acho que é comum a quase todos. Aprender a gerir e dosear o esforço. Também é preciso para as provas longas que com algum masoquimos nos inscrevemos.

No sábado à noite com o treino da semana feito e a faltar apenas a meia para fazer, tinha decidido que 1:45h seria um bom tempo para correr a meia-maratona e foi esse o plano até quase ao segundo retorno. Perto do km 14, aquela passagem pela meta provoca sempre confusão no cérebro :) Vemos ali ao fundo a meta e ainda temos que ir dar a volta para mais 7km. Já sabemos da situação, preparamos psicologicamente mas é sempre complicado. Entretanto começa a passar o pelotão que estava quase a acabar a prova e muitos conhecidos a partir do 30º lugar e dei força a alguns deles.

Em Algés quando passamos aos 15km ia com 1:13h. Tempo tranquilo e dentro do meu plano. Coração pouco acima dos 140 batimentos e as pernas a acusarem o esforço da semana. Com os 21km da meia, esta semana terminava com 199km de bike e 46km de corrida. Muita hora a puxar mas dentro do plano.

Algumas dores nos músculos mas já expectável e segui mais um bocado. Quando passei pelo marco do km 16 decidi acelerar um pouco. Sentia-me bem e vinha com médias de 4:50/5:10/km nos últimos marcos e decidi acelerar um pouco.

Arranquei e comecei a ultrapassar muita gente. Mesmo muita gente, muitos dos quais já em quebra evidente, ou por estarem no limite ou devido ao calor.

 

Segundo retorno

Depois do ultimo retorno tentei manter ritmo perto dos 4:10/4:15/km. Consegui no primeiro, segundo fez-se e ao terceiro já os músculos começaram a berrar por descanso. Mais bananas, laranjas e garrafas no meio da estrada no últimos abastecimento aos 18km e mantive o pé no acelerador. Aqui o corpo já ia em quebra nítida. Como me tinha apercebido que iria estar calor hoje, bebi muita agua no sábado, e na viagem de comboio levei uma garrafa pequena para ir bebendo aos poucos.

Durante a prova até aqui aos 17/18km ia sempre com água na mão, mas com a meta tão perto não queria levar peso que não precisava. 18ºkm em 4:24, 19º em 4:34 e 20º em 4:36/km. Tentava-me manter ali por perto dos 4:30, mas estava a ficar difícil. Passei por alguns conhecidos e puxei por eles para ver se eles espevitavam e me conseguiam também ajudar a mim por arrasto.

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( penso que pouco antes do km20 )

O Miguel San-Payo dos Run4Fun aceitou o desafio e lá fomos os dois até à meta. Cada metro que passava mais me custava a mexer mas o objectivo era manter. Treinar o corpo a manter-se no ritmo mesmo quando as forças já não estão lá e as dores começam a escalar. Faltava muito pouco. Curva final à esquerda e meta lá no fundo à vista. Últimos esforço e está feita.

 

Meta

Abrandei uns 10 metros antes dos tapetes. Estava super cansado. Com poucas dores no geral mas muito cansado do esforço da semana. 1:42:32 tempo de chip. Bem dentro dos 1:45h que planejei no Sabado. Se não tivesse feito o pico final tinha acabado em cima das 1:45h. Muita gente parada, alguns na tenda da recuperação devido ao esforço ou ao calor e muita gente ainda a passar para Algés.

 

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Depois a habitual procissão até sairmos do curral final. Primeiro a medalha e uns 50 metros a andar até ao próximo ponto de entrega, saco com leite e água. Mais uns metros á frente outro ponto com um gelado da Olá fresquinho que soube tão bem.

Pelo meio atropelos, piadas, malta deitada no chão quase a desfalecer, outros seminus a tentarem fugir ao calor. E muita, muita, muita gente da caminhada sem qualquer cultura desportiva. Não todos mas uma boa parte. Pareciam que estavam nos saldos dos shopping tal a velocidade que saltavam entre os pontos das ofertas e sem olharem aos outros. "Ofertas, ofertas, ofertas..."

Por fim consegui sair do curral e direcionei-me ao viaduto que dá passagem de Belém Jardim para Belém Fluvial e um mar de gente que lá estava em fila. Estação do comboio cheia, plataforma com gente por todo o lado e por esta altura eram mais ou menos 2:15h de prova e ainda havia um mar de gente a passar da caminhada. Mas quando digo um mar, era mesmo um mar. quase que dava para passar para o outro lado da estrada em estilo crocodilo Dundee quando ele passa por cima das pessoas no Metro. Por esta altura já não se via quase ninguém a passar no lado da meia maratona.

Tomei a decisão de ir a pé até ao Cais do Sodré. Aquilo ali estava um inferno e depois de todo aquele esforço estar ali mais 30/45min à espera de um comboio e tentar entrar no primeiro com sorte, fui andando. Recuperação activa. Demorei 1h certinhas a fazer 5km até ao barco. Devagar, a tirar fotos ao rio e ao tempo com o cérebro e a pensar como aquelas almas estavam a demorar 2:30h para fazer pouco mais de 7km ao sol.

Depois tive 1:30h à espera do barco para o Montijo que é muito bem abastecido de barcos, especialmente aos fins-de-semana e perto das 15h quando ia a entrar para o barco, ainda estavam a chegar comboios cheios de malta da meia e da mini. Via-se (quase) muito bem quem tinha ido na meia e na mini... estrangeiros a cambalear pelo Cais do Sodré e a deliciarem-se com o nosso sol maravilhoso.

 

Rescaldo final do evento

Achei melhor este ano. Menos confusão no início mas a mesma no final. Demasiadas pessoas a sairem por um espaço tão curto e onde quem chega antes não se preocupa pelos seguintes.

As pessoas continuam sem qualquer cultura civil e desportiva. Só olham para o umbigo. Deixa-me algo triste ao fim destes anos todos da "massificação" da corrida e ainda haver uma percentagem enorme de pessoas que não sabe 3 ou 4 regras básicas para que todos saiam de lá em segurança e sem percalços.

Desportivamente, pela primeira vez desde 1998 ganhou um atleta que não tenha nascido em África. Treina desde 2006 no Quênia com o irmão gêmeo mas são Neozelandeses. Enorme prova do Jake Robertson. Ainda no ano passado estive a ler  sobre eles e aí estão a ganhar maturidade e experiência para andar na frente.

 

 

Quando ao meu resultado, sai o que estava planeado e senti-me bem psicologicamente para os próximos desafios no verão.


Obrigado à SportZone pelo convite para participar na prova e à Brooks pelas sapatilhas brutais que estão a ser estas novas Transcend 4. Sai review no blog daqui a uns dias das Brooks.

New Balance Fresh Foam Zante

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A New Balance é uma marca conhecida pela estética dos seus modelos e utilização de cores fortes. Além da continuação da aposta no seu recente modelo Fresh Foam Zante, que já vai na versão 3, a marca apresenta uma nova coleção de têxtil D2D Run. A coleção D2D resulta de uma pesquisa avançada feita através da Data to Design. Os tecidos permitem maior amplitude de movimento e estão preparados para o processo arrefecimento natural do corpo.  

zante.jpgPeso: 243gr - 204gr

Forma: VL-6

Drop: 6mm
Meia Sola com tecnologia Fresh Foam, garante estabilidade e maior amortecimento na passada

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