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Como alguns de vós já sabem, a Bo vai participar no Azores Trail Run em Maio do próximo ano. Até lá, é possível que alguns elementos da crew se juntem a ela. Segue uma entrevista ao Diretor desta prova emblemática, Mário Leal, para vos abrir o apetite.

 

O Azores Trail Run é organizado pelo Clube Independente de Atletismo Ilha Azul (CIAIA). Quem é o CIAIA?

O CIAIA é um clube de atletismo da ilha do Faial, com 24 anos de existência e que veio preencher uma lacuna existente há data, que era a falta da prática de atletismo na ilha. Ao longo da sua história o CIAIA tem formado muitos atletas que se tem destacado no atletismo regional e nacional.

 

É a segunda edição deste evento. Como correu a primeira edição e o que esperam da segunda?

Este evento de Trail, na realidade, já vai na sua 4ª edição embora as duas primeiras edições tenham tido apenas um caráter local, com a realização do Trail dos 10 Vulcões, no âmbito das comemorações dos 40 anos da Reserva Natural da Caldeira e do dia Europeu dos Parques Naturais, com cerca de 35 participantes e não se chamava Azores Trail Run. A edição de 2014 foi a primeira a incluir uma prova na distância ultra e em que se apostou em atrair atletas do exterior, nomeadamente de Portugal continental e internacionais. A 1ª edição do Azores Trail Run (ATR) foi um sucesso, contou com 215 atletas inscritos de 14 nacionalidades, nomeadamente de Portugal, Espanha. França, Itália, Grécia, Holanda, Bélgica, Dinamarca, Noruega, Alemanha, Brasil, Estados Unidos da América, Africa do Sul e Nova Zelândia. Todos os participantes foram unanimes em considerar que a prova é fantástica, que os trilhos estão em muito boas condições, que o envolvimento da população local e dos voluntários foi excelente e que os dias antes e depois da prova foram muito bem passados desfrutando do que a ilha tem para oferecer aos visitantes.

 

Que recomendações pode dar aos atletas que irão participar no Trail dos 10 Vulcões e no Ultra Trail Faial Costa a Costa?

Não há recomendações em especial a dar, que não sejam as normais para uma prova de trail, a não ser que aproveitem as paisagens e os trilhos e se divirtam ao longo dos dias que vão estar no Faial.

 

O que podem os atletas esperar desta prova? Como é o percurso (altimetria, locais emblemáticos, etc.) e quais são os abastecimentos?

A 2ª edição do evento Azores Trail Run, será constituída por duas provas competitivas:

 

Faial Costa a Costa – Trail Ultra (48 km)

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O Faial Costa a Costa – Trail Ultra inicia-se no centro da freguesia da Ribeirinha, próximo de um antigo porto – o Porto da Boca da Ribeira. Nos seus 48 km de extensão, somos transportados para outros tempos, em que os Faialenses usavam as chamadas “canadas” para transportar bens, quer pelo seu próprio meio quer puxados por carros de bois, e que faziam a ligação entre as freguesias. Passando por um farol destruído por uma intensa crise sísmica em 1998 que não nos deixa esquecer a formação telúrica destas ilhas e das suas gentes, grande parte do trilho decorre no maior e mais espetacular “Graben” do arquipélago, uma grande porção de terreno que abateu entre duas falhas tectónicas. Passando pela escarpa de uma dessas falhas, a “Lomba Grande”, o trilho termina na Caldeira central da ilha, o maior e mais importante vulcão do Faial, onde se faz a ligação ao Trail dos 10 Vulcões.

 

Em pleno Parque Natural do Faial, considerado Destino Europeu de Excelência (EDEN) pela Comissão Europeia, e único no Pais, somos transportados para uma viagem no tempo histórico e geológico, percorrendo a ilha costa a costa na forma da sua criação, de Este para Oeste. Começa em terrenos com cerca de 800 mil anos, percorre uma zona central com 450 mil anos e os seus 48 km de extensão terminam num dos locais mais importantes do Globo, o adormecido vulcão dos Capelinhos.

 

A prova terá um desnível positivo de 2000 metros, sendo o ponto mais elevado atingido à cota de 1000 metros, e o ponto de cota mais baixa situado à cota zero.

 

A prova é categorizada pela Associação Nacional de Trail Running como Trail Ultra Médio Grau 2.

 

Trail dos 10 Vulcões (22 km)

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O Trail dos 10 Vulcões, como o próprio nome indica, tem início numa das maiores e mais espetaculares caldeiras vulcânicas que existem no planeta e percorre, ao longo dos cerca de 22 km, os 10 principais vulcões existentes no alinhamento fissural da península do Capelo. A biodiversidade e a geodiversidade são uma constante neste percurso, destacando-se as paisagens arrebatadoras desta península onde se pode descobrir uma grande parte da flora endémica dos Açores no seu estado natural. Este trilho, atravessa os mais recentes cones vulcânicos da ilha do Faial, terminando no território mais jovem de Portugal, o vulcão dos Capelinhos, autêntico cenário lunar onde é possível pisar terreno formado por cinzas, tufo e bombas vulcânicas com apenas 57 anos de idade, terminando no Porto do Comprido à cota zero, naquela que foi a principal e maior estação baleeira dos Açores entre 1940 e 1957.

 

A prova terá um desnível positivo de 550 metros, sendo o ponto mais elevado atingido à cota de 900 metros, e o ponto de cota mais baixa situado à cota zero.

 

Em relação ao equipamento o que considera essencial para esta prova?

O equipamento essencial é o que está no regulamento da prova nomeadamente, mochila tipo camelbak ou cinto com recipiente, copo ou caneca (nos abastecimentos não haverá copos de plástico ou garrafas fechadas), manta de sobrevivência, apito, telemóvel, corta-vento. “Devem” também levar uma máquina fotográfica para captarem alguns momentos da prova.

 

Que conselhos podem dar a quem esta agora a iniciar-se no mundo do trail?

Que aproveitem esta modalidade para se superarem e para se sentirem melhor no dia-a-dia, porque é uma atividade fantástica e que está a pôr as pessoas em contato com a natureza e com a atividade física de uma forma nunca vista. Não se devem esquecer que há alguns riscos que podem ser facilmente debelados desde que se cumpram regras básicas de segurança e de cuidado com a saúde.

 

Uma frase de incentivo aos atletas.

Venham correr entre mar e vulcões e aproveitem para desfrutar das paisagens e da hospitalidade dos locais e de tudo o que a ilha do Faial tem para oferecer, porque vale mesmo a pena.

 

Ficaram com vontade de ir também? Estejam atentos, em breve iremos anunciar um passatempo onde te podes habilitar a ganhar um convite duplo!

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publicado às 03:00
editado por Correr na Cidade a 20/11/14 às 19:12

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Mais um passatempo! Como recentemente acordamos uma parceria com a INATEL, não só para algumas provas organizadas pela instituição, mas para alguns treinos que vamos fazer no Campo de treinos do 1º de maio, temos o privilégio de  poder oferecer a dois dos nossos leitores um dorsal a cada para o Night Trail de Vilamoura (Trail longo ou Trail curto), no dia 13 de dezembro, e com estadia incluída. Fantástico, não?

 

E o que têm de fazer, simples:

 

1. Tornarem-se seguidores da nossa página de facebook e seguir-nos no Instagram. 

2. Tornarem-se seguidores da página de facebook da prova, aqui

3. Fazerem um vídeo entre 30 segundos e 1 minuto apontando a razão porque devem ganhar o dorsal+estadia onde, nas imagens, têm de aparecer equipados para correr (sim, têm de ir para a rua correr!). Depois basta enviarem o vídeo (ou link, caso o publiquem no You Tube ou Vimeo) para run@corrernacidade.com até às 23h59 desta terça-feira, dia 25 de novembro.

 

Os quatro melhores vídeos, escolhidos por nós, Correr na Cidade, ficarão a votação no nossa página de facebook. Os dois vídeos que conseguirem mais likes até às 23h59m de quinta-feira, dia 27 de novembro, serão os vencedores do dorsal (trail longo ou curto, à vossa escolha) + estadia no INATEL Albufeira Hotel. Os vencedores serão anunciados na sexta, dia 28 de novembro.

 

Resumindo, por um vídeo criativo e que aponte as razões pelas quais que devem ganhar o passatempo, podem ser um dos vencedores de um dorsal para o Trail Noturno de Albufeira (a distância é à vossa escolha) + estadia. Bom, não?

Boa sorte. 

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publicado às 20:30

1979541_10152464583673059_6707031288690762001_n.jpPor Luís Moura:

 

Introdução à prova:

Muito rumor e muita expectativa foi criada à volta desta prova. Sendo a primeira edição e tendo sido feito um grande investimento inicial na sua divulgação, foi com alguma preocupação que se assistiu a alguns meses de quase silêncio na preparação da mesma. A ausência de noticias ou de updates ocasionais sobre o que se estava a preparar levou a que a "rádio corredor" inventasse filmes de tragédia sobre a mesma. Eu mesmo a uma semana do inicio e vendo o site da prova com pouca actualizações fiquei um pouco céptico.

A prova foi apresentada como sendo de 80Km e com 2300D+, um valor bastante abaixo do que normalmente seria de esperar numa prova de 80km, mas como a Serra da Arrábida não tem cotas muito altas, é necessário fazer várias subidas e descidas para acumular desnível considerável.

Uma semana e meia antes da prova, foi alterado para 82km e 2100D+, o que se traduziu numa prova mais rápida do que inicialmente previsto.

 

Levantar dorsais e briefing

Fomos levantar os dorsais às 19h, já noite serrada, e depois assistimos ao briefing para os atletas às 20h. O acesso ao local para levantar os dorsais estava muito escuro por falta de iluminação adequada, mas ao mesmo tempo foi interessante entrar e subir no centro do castelo de Palmela naquele ambiente.

Levantar os dorsais foi super fácil porque tinham vários voluntários e o sistema  era simples. De seguida tivemos que nos deslocar 50 metros ao lado para levantar os chips dos atletas. Tarefa muito mais morosa e talvez a repensar numa próxima edição. Colocar num saco normal aberto em vez de saco fechado com autocolante seria mais prático para muita gente.

O Kit de atleta que nos foi entregue para os 80km estava bem composto com t-shirt técnica, uma embalagem de gel energético, uma barra energética de 110 gramas e uma garrafa de vinho da região - para além do dorsal que se portou muito bem até ao fim com textura e tamanho adequado. Só faltou ter um numero de emergência marcado para alguma necessidade.

 

Prova

Já havia uma boa visibilidade às 06h30 mesmo rodeados por árvores e pelas paredes do castelo.O ambiente de festa estava instalado com mais de 160 corredores prontos a enfrentar o desafio.

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O arranque da prova foi às 7:10 da manhã.

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0km - Depois de andarmos uns 500/600 metros desde a entrada do Castelo até aos limites da vila de Palmela, entramos numa calçada romana já muito desgastada e foram cerca de 2km sempre a descer a ritmo elevado, muito perto dos 4/minutos ao km. Senti que ali não era aconselhado ir muito mais depressa já que a prova era longa e alguns metros do piso estavam muito desgastados e apresentavam algum perigo  em termos de estabilidade dos pés e logo do corpo. Mas, a descida, serviu para esticar o grupo da frente.

A minha táctica seria a mesma que experimentei uma semana antes nos 15km de Casainhos. Arrancar na frente e imprimir um ritmo forte. Não muito elevado, mas sempre constante e dentro dos meus limites.

 

3km - apanhamos a primeira subida do percurso, com alguma lama, o que diminui um pouco o ritmo. Nesta altura rolava perto dos 7/km  na parte mais inclinada e 5:20/km nas partes que davam para correr. Passaram por mim alguns atletas nesta fase e eu passei alguns também. Como era o inicio, a maior parte estava a tentar acertar  o ritmo certo e todos ainda estavam frescos. Depois seguiram-se pouco mais de 8km num sobe e desce quase constante. As subidas e as descidas não eram compridas nem exigentes, apenas parecia um carrossel rápido. E tínhamos, de vez em quando, uma vista fantástica sobre a baia de Setúbal a fazer lembrar o porquê de adorarmos este desporto.

 

7km - Nesta altura encostei atrás do Lino Luz que é uma referência para mim. Conheço bem o andamento dele, e tentei acompanha-lo sempre que possível. Nas subidas ele destacava uns metros e nas descidas eu recuperava. Em alguns pontos andávamos perto dos 7/km mas a maior parte do troço foi feito perto dos 5/km, que era um ritmo muito bom. Estava a sentir-me bem e tranquilo, e fui gerindo a respiração.

 

12km - Antes do abastecimento dos 15km e da sua parede, tivemos direito a pouco mais de de 2km de quase plano em alcatrão. Eu e ele juntamo-nos a outro corredor e seguimos os três até ao abastecimento, sempre em ritmo ligeiramente abaixo dos 5/km. Não era muito rápido para estrada mas para inicio de uma prova longa, convinha não abusar.

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15km - Primeiro abastecimento ainda estava carregado de água (erro estratégico enorme mas sem grandes efeitos no final) e apenas comi 1 pedaço de banana e 1 pedaço de marmelada. Arranquei logo que vi os meus dois parceiros a sair. Por esta altura pensei que andava pelo 20/25º lugar.  Estava a ir bem e sentia-me óptimo.

A seguir ao abastecimento apanhamos uma subida de +/- 500 metros onde subimos quase 100m D+. O percurso era muito escorregadio, com vigas parecidas às usadas nos caminhos de ferro mas mais pequenas misturadas com piso em terra. Como o tempo esteve húmido, uns dias antes,  as vigas estavam tipo gelo e não tinham qualquer aderência. Foi preciso gerir o ímpeto e ir devagar por lá acima.

Por esta altura comecei a sentir um pouco de dor nos quadricipeds e pensei que se calhar o treino de séries na quinta-feira anterior não teria sido a escolha mais inteligente...

 

16km - Chegados ao topo, entramos nos "Caminhos dos Moinhos" que atravessa um bom pedaço da Serra da Arrábida pelo topo e é muito conhecido por corredores e principalmente pela malta do BTT porque é um single track muito interessante, tem paisagens bonitas e é muito rolante. Foram quase 5km’s em sobe e desce, sem grandes desníveis e a um ritmo relativamente elevado. Em alguns pontos o GPS indicou 4:30/km e a média foi pouco acima dos 5/km. Pelo caminho cruzamos com dezenas de BTT's a passear, a maioria sempre simpática, a cumprimentar e a incentivar.Por esta altura o Lino Luz seguia ligeiramente atrás de mim a pouca distância sempre num ritmo controlado e certo.

 

21km - Depois seguiram-se cerca de 5km num sobe e desce mais acentuado, com alguns single tracks muito apertados por pequenos arbustos (e robustos !), silvas e estradões. Com apenas uma descida mais acentuada, a altimetria foi descendo aos poucos até que ao km 24 estávamos na entrada de Azeitão. Apanhámos 2km de alcatrão rolante até ao abastecimento dos 30km, mas que nos apareceu aos 28km.

 

28km - Pequeno erro na informação da organização. Por esta altura tinha esgotado os 1,25L que tinha de água no camelbak e enchi apenas os dois bidões da machila de 0,6L cada. Fomos avisados que o próximo abastecimento seria ao km48, quase 21km sem nada entre eles. A agua colocada teria que chegar. Comi meia banana, 1 cubo de marmelada e peguei em 2 pedaços de salame e meti-me ao caminho a passo. Fui comendo lentamente e a andar. Por esta altura o Lino tinha passado para a minha frente por ter parado menos tempo no abastecimento e estávamos todos a recuperar um pouco do ritmo mais alto que tínhamos estado a imprimir nos últimos km's, onde a média rondou perto dos 5:30/km, a subir e descer.

 

29km - Respirar e andar. Entretanto nos 3/4 minutos que fui a pé na saída do abastecimento enquanto comia um chocolate, fui passado por 2 ou 3 corredores. Na minha mente passou a ideia "bem, já estou a escorregar para o final do top 20". Sem stress. Primeira vez numa corrida de 80km, e estava a correr, mas, Bolas, que estes gajos andam rápido ! Entretanto meti a 5ª, e comecei a correr novamente.

 

30km - Apanhei o Lino Luz ao fim de uns minutos. Não se estava a sentir bem. Não aguentava a comida e o estômago não estava concentrado na prova como ele estava. Apanhamos vários quilómetros seguidos de piso duro, alternadamente em alcatrão e estradão, estradão e alcatrão. Confesso que nesta altura, já estávamos a sentir um pouco confusos com o evento pois viemos para um corrida em trilhos e os km's em piso duro começavam a ser muitos. O que é muito entediante para o cérebro e pernas. Nesta altura pensei que o ritmo mais alto ainda o íamos pagar. 

 

32km - Lino Luz disse-me que não se estava a sentir bem, optamos assim por andar 1 ou 2 min de vez em quando para aliviar as pernas e a língua, que nesta altura estava muito excitada com impropérios aos organizadores.Entretanto aparecerem umas subidas e descidas por entre umas casas, moradias e depois mais estradões.

 

38km - Mais uns praticantes de BTT a passear num domingo bom para a pratica de desporto.Apanhamos algumas subidas e descidas mais inclinadas mas nada de especial. O ritmo andava perto dos 6/km mais por desgaste mental da maratona que estávamos a fazer do que pela dificuldade da prova. Durante este troço a Sofia Roquete passou por nós "devagarinho" e foi-se embora… nunca mais a vimos...

 

46km - Já quase sem agua e com o Lino sem melhorar do estômago, apanhamos uma descida comprida. Foi mais de 1km a serpentear por entre casas e com D- de quase 100m. Aqui aceleramos um pouco e vimos o abastecimento lá ao fundo. Retemperamos um pouco a energia mental.

 

48km - Desligar o motor, sorrir um bocado para os fantásticos voluntários que estavam abastecimentos, carregar os dois bidões de agua, comer uma banana, enviar SMS à Liliana a dizer que estava vivo e que a corrida estava a correr bem. Por esta altura ainda pensava que estaria entre o 25º e o 30º classificado. O Lino Luz arranca novamente antes de mim enquanto  comia fruta. Eu demoro mais dois minutos a beber isotónico e a comer. Pego em dois pedaços de salame e arranco atrás dele. Ando 2/3 minutos a pé enquanto como. Não tinha vontade nenhuma de comer. O corpo estava a entrar num estado de metabolismo muito baixo, mas sabia que tinha de o alimentar para ter energias mais à frente.

 

49km - Comecei a correr e tentei juntar-me ao Lino. Ao fim de pouco mais de 1km, vi-o encostado a um muro na estrada lá ao fundo. Mantive o ritmo e segui no encalço dele.

 

51km - Em Casal da Ribeira, virei à direita e saí do alcatrão. Apanhámos uma parede que foi feita a passo acelerado. O GPS indicava 1,5km a subir com inclinação média superior a 20%. A meio apanhei o Lino que ia num ritmo mais calmo e perguntei-lhe se já estava melhor. Sorriu e disse-me que estava com imensas dificuldades em aguentar a comida. Tinha vomitado tudo o que tinha comido mais atrás.

 

53km - Apanhamos uma pequena descida que deu para recuperar o fôlego e novamente outra subida muito inclinada. Ritmo médio andava pelos 7:30/km. Sem pressa, fomos digerindo os metros.

 

54km - 2km's seguidos rápidos. Apanhamos single tracks quase a direito e aproveitamos para rolar um bocado. Eu seguia na frente e o Lino atrás, já em sofrimento devido ao estômago. Andamos 2km pelos 5:40/km sem exagerar porque a partir daqui vinha a parte mais difícil da prova: as subidas mais longas e difíceis. 

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56km - Primeira subida a sério. 1,5km a média de 11/km. Ui! Como custava subir naquela lama, sem trilhos definidos. Apenas as fitas à nossa frente e desbravar caminho por entre os arbustos. Por esta altura seguia um holandês perto de nós que nos apanhou um pouco e que alternava entre um andamento mais rápido ou mais lento do que o nosso, e por isso umas vezes ia ele à frente outras ia-mos nós. Andamos assim pelo menos 6 ou 7km. Numa das vezes que ele passou por mim, no meio de pura lama, reparo que ele tinha calçado uns Saucony Guide 6 ! Calçado de estrada...

 

57km - Chegado ao topo, virei-me para trás e vi o Lino a chegar. Parei para desfrutar da vista enquanto bebia água e esperei por ele. Fantástica a vista de Troia lá ao fundo.

"Estás bem ?", perguntei. "Não. Não páro de vomitar", respondeu.

"Ok, siga lá então... não podemos parar :)"

 

58km - Pouco mais de 1km sempre a descer feito a pouco mais de 5/km. Ritmo relativamente rápido tendo em conta o piso inconstante onde estávamos a rolar. O holandês lá espreitava de vez em quando. Tinha 1,80 cm e tal e pernas magras e esguias... como aquilo ajuda em algumas situações :)

 

60km - Novamente uma subida pesadíssima. Pouco mais de 1km com média novamente acima dos 11/km. Muito devagar, mas sempre num passo certo e forte. Sem perdermos tempos nos riachos pequenos, nos saltos de lama ou nas salamandras que vimos pelo caminho.

 

61km - Entramos nuns trilhos fabulosos. Sempre aos zigue zagues no meio de árvores, arbusto, silvas, poças de água gigantes com 5 ou 7 metros de largura, deu para tudo. Aqui passamos 2 corredores que já iam com pouco gás a andar devagar para descansar um pouco até ao abastecimento dos 62km. Um deles era o João Alves dos Georunners.

 

62km - Chegámos ao abastecimento e apanhamos a primeira refeição quente, uma canja que não comi mas que os meus companheiros atacaram com prazer. Enchi os bidões de água, enviei um SMS à Liliana a dizer que estava no abastecimento. Comi um pedaço de salame e vi mais 2 elementos a chegar, os que tínhamos passado 1km antes. Vinham um pouco cansados. E pouco tempo depois chegou o tal holandês já com uma expressão cansada. Alguns sentaram-se no chão, ou a mudar de roupa ou a descansar uns minutos para recuperar, enquanto comiam a canja. Entretanto, o Lino arrancou novamente a passo enquanto comi fruta. Os géis que tentou comer até então tinham todos saído e ainda não tinha nada no estômago.

Acabei de comer o salame, vesti o corta-vento pois estava a começar a ficar um pouco de frio, meti a mochila ás costas, peguei numa sandes de queijo e arranquei a andar e a comer. Passado 300 metros apanha-me o Olavo Fontinha que me iria acompanhar quase o resto do percurso. 

Lá ao fundo aparecem 3 pessoas a passear e vi um vulto familiar. Era o José Serrano que naquele dia estava a fazer um passeio com a mulher e uma das filhas. Se tivéssemos combinado o encontro no meio da serra não tinha saído tão bem :)

 

63km - Uns metros à frente, começamos a subir. Eu, nesta altura, estava um pouco mais fresco e segui na frente. Apanhamos uma subida com quase 1km muito inclinada e logo a seguir uma descida muito inclinada. Subimos com alguma calma enquanto a comida assentava. Foram cerca de 90 D+ e 85 D-. De seguida apanhamos 3km mais rolantes, com pequenos sobes e desces e aceleramos o passo um pouco. Adiantei-me um pouco e entretanto vi o Lino Luz mais à frente e fui ter com ele.

 

"Estás bem Lino ?", "Nãoo, vomitei tudo outra vez. Estou a ficar farto desta corrida".

"OK então vamos lá andar e acabar isto".

 

68Km - 3km's sempre a subir, com pouca inclinação. Aproveitamos e os 3 juntos esticamos as pernas um bocado. Rodamos perto dos 6/km nesta altura enquanto preparávamos o espírito para as 3 próximas subidas maiores. Com os 3 juntos era mais fácil de meter km e como o ritmo era similar, juntou-se o útil ao agradável. Muitos vezes é preferível rodar sozinho e imprimir um ritmo que seja confortável para nós, mas quando a companhia tem um ritmo muito aproximado é uma boa junção de esforços e o desgaste é menor.

 

71km - Primeira das últimas 3 subidas seguidas. Subimos 75D+ a uma média de 10/km. Aqui o Lino já estava com alguma dificuldade em nos acompanhar nas subidas. A energia dele estava-se a esgotar-se. Tudo o que tinha comido até aqui, tinha vomitado e naturalmente o corpo só com água estava a começar a entrar em quebra. O cérebro e a musica mantiveram-no motivado e andar em frente...to the Finish line !

 

72km - 2km's mais fáceis e mais rápidos, e eu e o Olavo distanciamos um pouco do Lino.Deu para rolar bem a 6/km e começar a procurar o abastecimento que deveria estar no km72.

 

74km - Sempre a subir com 99D+ e nem sinal do abastecimento. Aqui já estávamos um pouco moídos, sem água e um pouco preocupados. "Será que nos tinha passado ao lado o abastecimento ?"; era quase impossível, mas a ideia populou na cabeça dos dois. E continuamos a subir, lentamente. Até que vimos lá ao longe do lado direito um pequeno toldo branco.. alivio !... toca a andar !

 

75km - Tirar mochila, sorrir um bocado para os amáveis colaboradores que se prontificaram para tudo, encheram os bidões e fizeram mais isotónico para nós. Enquanto isso comi uma banana e meti outra no bolso do corta-vento, just in case. Entretanto chega o Lino com uns 3 minutos de atraso, já bastante desgastado. Bebi 2 copos de isotónico. De seguida os assistentes dizem: « "vocês vão muito bem classificados. Ainda agora saíram daqui 2 corredores muito cansados. Se continuarem assim rápidos vão apanha-los.."

"O quê ? vamos rápidos ?!?!"   respondemos com uma cara de surpreendidos...

"Simim, devem ir entre o 10 e o 15º lugar".

Olhei para o Olavo. O Olavo olhou para mim e acho que pensamos os dois a mesma coisa. "bora !!!"

 

Pequena nota: Isto dos trilhos é curioso. Até esta altura nunca tinha entrado em qualquer estado de competição. A competição era comigo.Comigo e com os meus pés que já não sentia há uns bons 20km com tanta areia dentro deles e tantos cortes nas plantas. Comigo e com as minhas pernas que tinham ficado lá para trás em alguma subida. Não me lembro onde, mas um dia elas devem regressar. Comigo e com as dores nos ombros gigantes de andar tantas horas a carregar a mochila com mais de 3Kg de peso. A competição era, foi e sempre vai ser comigo. Só assim gostamos do que fazemos. Só assim sem qualquer pretensão podemos desfrutar da corrida e das paisagens magnificas que vemos durante a corrida. Mas por uns instantes, veio ao de cima a minha faísca competitiva que estava desligada há muitos anos, desde os tempos em que jogava voleibol.

 

Perguntamos ao Lino se ele vinha connosco e se fosse necessário esperariamos mais 1 ou 2 miniutos, mas ele indica para nós seuirmos que ele iria mais devagar. 

 

76km - Foram 2 km a rolar por um estradão descendente. 30D- nesses 2km a um ritmo médio perto de 6/km. Passamos por várias pessoas que estavam a passear naquela zona. Era domingo e estava um tempo mais ou menos de aproveitar em Novembro. "Boa tarde". "Boa tarde. Força corajosos". Diziam para nós e claro respondíamos.Outros apenas olhavam para nós e faziam uma cara de surpresa ao ver pessoas a correr cheias de lama quase até aos joelhos. 

 

77Km - Uma pequena subida com 45D+ onde já fazia um pouco de mossa com o cansaço acumulado.

 

78Km - Sempre a descer. 105D- a uma média de 5:17/km. Parecíamos frescos. Atravessamos uma estrada principal que estava cortada pela GNR e entramos numa pequena recta descendente. Vimos os 2 corredores que nos falaram ali mais à frente. Um deles era o Miguel Simões dos Georunners.

 

79km - Continuamos a descer. 42D- e 5:21/km. Ao fim de quase 80km a correr, era a loucura para as pernas. Nesta altura já os outros dois corredores estavam pouco mais de 30 metros à nossa frente, quando viramos para a esquerda e entramos num single track curto. Uns metros à frente, imediatamente antes de uma subida só de lama, tinha um riacho pequeno. O segundo corredor estava com dificuldades em atravessar a agua, e o Olavo e eu saltamos por cima do riacho e continuamos a correr e atacamos a subida... e como doeu...

 

80km - Durante a primeira subida deste km passamos o Miguel Simões que nos disse "força que ainda têm pernas". Ele  já estava desgastado. Eu tinha-o perdido de vista na primeira subida, ao km4 e estava a apanha-lo agora quase no fim. Entretanto, apanhamos umas poças de lama enormes. Escorregávamos por todo o lado, quase sem conseguir manter-nos de pé, mas tínhamos a mente fixa no objectivo.... correr.

Entramos na segunda subida do km e ultima subida da prova !! Mais uns 300 metros de subida em plena lama. Ao todo foram 92D+ e muito, muito sofrimento num ritmo de 10/km. Nesta altura o Olavo estava um pouco mais fresco do que eu e disse-lhe para seguir pois já estávamos quase a chegar. Disse que ficava comigo e continuamos os dois.

 

81km - Entramos na descida final. Piso muito escorregadio e técnico. Se fosse ao inicio da prova, dava perfeitamente para andar abaixo dos 4/km ali, mas naquela altura, só queria descer em paz e sossego. Foram 50D- devagar para não nos aleijamos. Os dois colegas tinham ficado para trás fazia alguns minutos. Estavam com dificuldades nas 2 subidas de lama anteriores. De repente entramos numa estrada nacional e o GPS indicava o km81.

Aqui o Olavo mais fresco e vendo que agora era sempre a rolar até lá abaixo ao rio, foi-se embora. O pensamento da meta foi importante para ele e ganhou fôlego.

 

82km - Eu, nem tentei acompanhar. Nem olhei para trás. Nesta altura só via os voluntários à frente a indicar o caminho e deixei o cérebro seguir o seu caminho. Foi 1km sempre a descer pelo alcatrão. O chão era duro... mas eu já não sentia nada. Mind over matter era o software que corria naquele momento no meu cérebro. Zigue-zague pela nacional e avistamos muita gente lá abaixo junto ao rio. A meta !

Nesta altura já o Olavo ia uns bons 200 metros à minha frente todo retemperado de forças. Segui ao meu ritmo. Deu para 5:06/km e entrei na reta final.

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META
- Estavam algumas pessoas a passear junto ao rio num dia interessante de Novembro, todos bem dispostos e todos batiam palmas de incentivo à nossa passagem. É uma sensação que nos enche o coração sentir este apoio. A Meta lá ao fundo a cerca de 400 metros, parecia estar mesmo á minha frente mas ao mesmo tempo parecia que estava perto de Faro. Sorri para toda a gente, afinal estavam a tirar segundos da vida deles para nos dar ânimo.

E isso é de louvar, sempre e em qualquer situação. Ia respirando tranquilamente e a tentar assentar tudo. Nos últimos 2km não tinha virado a cabeça uma única vez para trás para ver se alguém estaria a aproximar-se ou não. Era irrelevante. O que interessava já estava feito. Não era por ficar um lugar acima ou um lugar abaixo que ia ficar desiludido comigo. Importante, o importante estava mesmo à minha frente e enchi o coração de pensamentos positivos e alegria. Quando comecei a chegar mais perto, comecei a ouvir gritos de alegria e pessoas a gritarem o meu nome. Sabia que a Liliana estava à minha espera e mais 2 ou 3 membros da Crew do Correr na Cidade. Para além disso estavam mais amigos.. sim, porque na corrida, na sua simplicidade e complexidade paralela, fazem-se amigos.

A 50m da meta lá estava a claque de apoio, que já tinham feito as versões de 14 ou 23Km da prova, e estavam lá à espera para nos receber. Uns tiravam fotos, outros filmavam e outros apenas sorriam e batiam palmas. Era o suficiente. Depois de passar a meta, fiquei rodeado por todos, recebi um abraço maravilhoso da Liliana, mas sinceramente só queria ter 1 minuto sossegado para digerir tudo. 

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Recebi a "nota de culpa" com o tempo oficial, coisa que já não via desde a prova de Serra D'Arga em 2012, uma senha para o jantar e o crachá de finisher.

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Tirei a mochila, fui cumprimentado por todos em alegria e aos poucos fui apercebendo do que se passava. Aparece o Olavo e veio-me cumprimentar. Tinha chegado 1 minuto antes de mim. Olhei para trás a ver se via o Lino, mas não se via ninguém na recta.

 

Tinha ficado em 10º lugar da geral...



Pós corrida

Arrastei-me para a frente, fui beber um copo de proteína liquida que estavam a oferecer aos atletas e depois de 5min fui buscar qualquer coisa para comer. Só sei que nesta altura começaram a aparecer todas as dores no corpo quando comecei a arrefecer.

Peguei num prato de massa com salada, um copo de sumo e uma sobremesa e sentei-me a comer. Havia muito mais para comer mas não tinha fome nenhuma.

Comecei a ter frio. Muito frio. Já vinha com frio fazia 30 ou 40km e agora que tinha parado, o corpo estava a arrefecer. Vesti mais uma tshirt e um impermeável por cima, mas não era suficiente.

Muita gente veio-me dar os parabéns pela corrida. Contentes com o feito. E eu ainda não tinha processado no cérebro que tinha ficado em 10º. 

 

Cheguei bem, sem muitas mazelas, apenas as normais como bolhas e cortes no corpo todo, e estava feliz.

 

Entretanto vejo que o Lino Luz chegou, 19min depois de mim. Estava muito cansado e com um sofrimento estampado na cara. Fui cumprimenta-lo e perguntar se já estava melhor. Não estava. Se já tinha muito respeito por ele antes desta corrida ao ver as corridas que ele já fez, ainda fiquei com mais agora, ao ver como se corre 82km naquelas condições sem ter alimentos no estômago e mesmo assim conseguir ficar em 15º da geral a 1:06h do primeiro. É preciso ter um coração de leão e um cérebro muito forte para concluir a prova como ele fez. Da minha parte, o maior respeito pela pessoa e atleta.

 

Ao fim de 30 minutos comecei a comer qualquer coisa. Até aí apenas tinha estado a olhar para o prato. A Liliana propôs ir buscar sopa quente para me aquecer e foi das melhores coisas daquele dia. Aquela sopa quente que me aqueceu o corpo. Que maravilha que soube. Tudo o resto não importava. O que importava era estar ali de coração cheio, a aquecerme com aquela sopa maravilhosa e contente por ter finalizado a prova. E o sorriso da Liliana a olhar para mim, toda contente e a transbordar de emoção pelos olhos.

Depois de comer,  fui lavar os 4kg de lama que tinha nas sapatilhas e nas pernas, vesti meias quentes e lavadas e fomos para o autocarro para irmos de volta para o Castelo de Palmela. Estava tão cansado que nem me passou pela cabeça perguntar aos outros como tinha corrido a prova deles. Pelo menos estavam todos bem e contentes.



Entrega dos prémios

Foi uma pena a entrega dos prémios ser feito perto das 22h da noite. Compreende-se que a organização teve que esperar pela chegada dos primeiros atletas dos diversos escalões, mas estava uma noite fria e eu não tinha roupa quente. 

Tive pena de não ficar e aplaudir os meus colegas de percurso, corri muitos km's com os que ficaram entre o 5º e o 16º lugar. A subida ao pódio também seria engraçada...tentar subir os degraus com as pernas quase sem conseguir mexer :)



Pontos  de passagem

5k  - 29min

10km - 59min

15km - 1:26

20km - 1:57

30km - 2:57

40km - 4:01

50km - 5:06

62km - 6:39

74km - 8:11

82km - 9:30


E uns incríveis 19min perdidos nos abastecimentos. Comparando com quase 55min que perdi em Arga, foi um salto gigantesco.

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Conclusão

O que podemos observar em 2014 é que o nível global das provas está a subir devido à concorrência e à experiencia que o Trail vai ganhando em Portugal e no estrangeiro no geral. Para 1ª edição, acho que o desfecho é claramente positivo. Tem 2 ou 3 pormenores a melhorar, mas tudo o que é importante e de relevo, resultou bastante bem. Têm uma excelente base para os próximos anos, mas talvez com um pouco menos de estradão :)



Pontos positivos

- GNR que esteve na maior parte das estradas com transito. Assinalável. E sempre com um sorriso de compaixão pelos malucos do trail.

- Marcações irrepreensíveis para os 82km. Não sei como foi nas outras duas distâncias, ouvi falar em pequenos problemas, mas nos 82km foi tamanha a empreitada de marcar tudo direitinho, nota: 5 estrelas.

- Os abastecimentos foram suficientes. Para a distância grande podiam alternar um pouco nos sólidos mas no geral foram muito bons. Mas podem ser melhorados.

- A comida no final da prova foi um extra fabuloso.


Pontos negativos

- O crachá que recebemos de finisher ficou a destoar de tudo o resto na prova. Igual para as 3 distancias e sem qualquer ligação ao trail. Ponto importante a melhorar, pois o que não falta são pessoas a usar os coletes de finisher de Arga em outras provas, por exemplo.

- Muitos km corridos em alcatrão ou estradão devido aos cortes na semana anterior da prova

 

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Queria agradecer a todos do fundo do coração toda a ajuda que me deram e dão sempre. Agradecer ao Lino Luz por me acompanhar em mais de 60km, directa ou indirectamente :), agradecer ao Olavo os últimos 20 e tal km's que sem a companhia dele teriam sido muito mais exigentes e agradecer à Liliana por estar sempre ao meu lado, mesmo quando o tempo é curto para estarmos juntos. Beijo grande para ti :)

 

 

PS - Afinal era Belga o "Holandês" 

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publicado às 10:00
editado por Correr na Cidade às 15:09

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Por Filipe Gil

 

A partir de janeiro tudo mudou na crew. Começamos a conhecermo-nos melhor, a maioria começou a “desmamar” da minha liderança, organizamo-nos, distribuímos de forma descontraída alguns pelouros para relacionamento com as marcas, provas e instituições e começamos a organizar treinos mensais. Os chamados “Treinos Abertos” nos quais quem quisesse correr ao nosso lado bastava aparecer.

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Os primeiros treinos foram na zona de Belém.

 

Delineamos, que esses treinos serviriam para ajudar a correr quem quisesse aparecer, que ninguém ficaria para trás e que seriam momentos sociais onde ajudaríamos ou a puxar  alguns para melhores ritmos ou a incentivar as pessoas a continuar a correr.

 

Acho que é este um dos nossos cartões-de-visita mais interessantes. Fazemo-lo por gosto, não há qualquer obrigação. Não há dinheiro envolvido, e isso nota-se. Temos muita consideração no “serviço ao cliente” que prestamos a quem se junta a nós. Temos uma grande paixão pela corrida, e isso nota-se igualmente, e somos muito “cool”. Não acham?

 

Por fevereiro fizemos o primeiro almoço da crew, que serviu para nos conhecermos ainda melhor, e começamos a planear as primeiras crew trips, por essa altura os novos elementos da crew começaram a treinar uns com os outros. As meninas treinaram muitas vezes juntas e os rapazes também. Sabíamos, no entanto, que uma vez por mês faríamos todos os esforços para estarmos juntos. A início na zona de Belém, mas depressa nos aborrecemos com a mesma tipologia de treino, no mesmo local, à mesma hora. Boring!
Não é coisa para nós. Somos criativos e gostamos de sair da nossa zona de conforto. Mas já lá irei.

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Nestes treinos conhecemos um corredor de boné. O João Filipe Figueiredo. Que nos descobriu na net em Dezembro quando procurava informação sobre corrida minimalista. Fã deste género de corrida, o João, começou a ser assíduo dos nossos treinos. Sentimos que estávamos, sem grande esforço, a chegar a anónimos e a incentivá-los na corrida. A generosidade e a humildade do João ficou-nos na cabeça. Como bom português, e portanto desconfiado, ainda pensei que ele seria de uma marca qualquer, que nos estava a testar para perceber melhor o nosso “Mojo” ou carisma, se preferirem. Mas não, ele só queria correr connosco...no bom sentido.

Voltando atrás, em meados de janeiro fomos desafiados por uma marca, a qual não vou revelar, a regressar aos Just Girls. Falámos internamente (sim, temos contacto diário, todos, uns com os outros) e decidimos avançar para o dia 8 de março, dia internacional da mulher. Sinceramente, não queria fazer nesta data porque ainda seria muito arriscado devido às condições atmosféricas, mas não só fazia sentido por ser Dia da Mulher como a marca ficou entusiasmada e achou muito boa a ideia.


O acordo era que as meninas da crew estivessem vestidas dos pés à cabeça dessa marca, sendo um “showroom ao vivo”. As “nossas” mulheres são simpáticas e giras que se fartam e qualquer marca gostaria, e gosta, de as vestir.

Contudo, duas semanas antes a marca indicou que, por razões de budget não iriam avançar. Fiquei chateado, claro, mas não muito, o Just Girls tem outro propósito, fazer o mesmo a outras mulheres do fez à minha mulher, Natália, passar-lhes o vício da corrida e mudar-lhes a vida. 

Mais chateado fiquei porque, passadas umas semanas, um projeto parecido com o Just Girls, mas em mau, surgiu por aí. Lembram-se do que ontem falei de não gostarmos de copiar projetos, de ser originais. Pois, não é para todos.

Neste Just Girls do Dia da Mulher, a que nos juntamos a outras crew em todo o mundo que celebraram com a corrida a data, conhecemos a Liliana Moreira. A Bo Irik acompanhou-a sempre nos 10K. Não sei se foi disto, mas a Liliana ficou-nos na retina. Gostámos da sua atitude de guerreira e de campeã. Não arranja desculpas para nada. A Liliana nunca mais nos abandonou e passou a acompanhar-nos nos vários treinos que organizamos.

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Liliana Moreira e Bo Irik

 

Já março dá-se a primeira crew trip ao Trail do Piódão. Quase todos participaram, menos eu e a minha mulher que fomos passear a Londres, e onde privamos com o casal que publica a melhor revista de running do universo a “Like The Wind”.

Para mim, foi brutal ver ao longe a sinergia e amizade da crew no Piódão. Foi o primeiro momento em que senti que a crew não era minha nem do Bruno Andrade e que era de todos. Já podia meter férias que alguém tratava do assunto, e bem! Foi o que precisava para afastar as nuvens negras que me levavam a pensar abandonar este projeto.

 

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Antes disso a minha mulher, a Ana e a Joana fizeram a estreia na distância da Meia Maratona. Bem a Joana, semanas antes tinha feitos os 20K+1 de Cascais, por isso já sabia o que era enfrentar a distância. Mas a Ana e a Natália, em duas semanas passaram de 10K para 21K. Perderam unhas mas ganharam um grande amor-próprio. Eu e o Nuno Malcata vimos a prova de fora e estivemos a incentivá-las. E só não chorei de orgulho porque o meu filho mais velho estava comigo. Mas nunca mais vou esquecer esse dia.

Ah, de referir que o blog começava a ter mais conteúdos de mais gente e de blog pessoal, passou a ser um blogue de um coletivo, ou melhor, de uma crew. E, de um momento para o outro tornamo-nos o blogue de corrida em que as marcas mais confiam. Não vos vou dizer a quantidade de ténis que todos nós, na altura 13, mas agora 16, recebemos. Mas todos eles são testados com seriedade e independência dando um respetivo feedback às marcas.

Em abril a agência de viagens especializada no mercado da corrida, a Endeavor Travel, do simpático Gleen Martin, convidou-me para ir correr a Maratona de Londres, tudo oferecido, em troca de uns posts no blogue. Aceitei com gosto, mas indiquei logo que ainda não estava preparado para fazer os 42.195 em estrada e por isso daria ao Pedro Tomás Luiz. E lá foi ele, o Peter Louis, fazer a sua primeira maratona no estrangeiro com a tshirt da crew.

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Depois de um chá com a rainha o nosso "Peter Louis" deu uma corridinha.

 

Em segredo sem ele saber, na véspera, preparamos um vídeo com mensagens de boa sorte. Uma coisa nossa, que não partilhamos com ninguém. Todos participaram, inclusive a Carmo Moser que gravou um vídeo desde o alto do Nepal onde estava a passar férias…e a correr. E cada vez mais ficava cimentava aquilo que chamamos de #CREWLOVE.  

O próximo landmark (esta expressão é propositada e dedicada ao leitor que tanto nos crítica por usarmos expressões em inglês. Um big hug para ele!) foi a crewtrip ao Louzan Trail. Antes disso o Nuno Malcata, com um joelho ao peito, estreou-se na distância da Maratona em Sevilha, e também teve o tal #crewlove, tornando-se assim maratonista. Estou certo que o resto da crew também se sentiu.

Há aqui uns sentimentos “foleiros” entre nós que parecem aqueles gémeos que sentem a mesma coisa ao mesmo tempo, mesmo estando longe...confesso-vos que no final desse dia, sentia-me tão contente como se fosse eu a fazer a Maratona.

Na Louzan fomos para casa dos avós do Pedro Luiz. Fomos quase todos, e foi das experiências mais marcantes que tive. Foi o meu primeiro trail e corri a maior distância até aos dias em que escrevo estas linhas 33km. Nos dias seguintes ainda sonhei com a prova e na superação que fiz a mim próprio e como encontrei alegria a correr nos trilhos. Foi um #Run #Beer #Repeat.

 

Neste trail o Luís Moura juntou-se a nós. Esteve sempre connosco. Aliás, falámos entre nós e começámos a perceber que o Luis Moura era das presenças mais assíduas nos nossos treinos e nas corridas ondes estávamos. Pessoalmente fiz as contas e acho que desde que escrevi no facebook pela primeira vez: “bora lá treinar juntos, às 19h00 em Algés”, que o Luís apareceu nos treinos do Correr na Cidade.

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Aos poucos fomos apostando mais nos trilhos. De tal foram que ainda ponderámos mudar o nome da crew. Mas não fazia sentido. Somos meninos, e meninas, da cidade que gostam de correr no campo. Ponto!

 

Com esta aposta e com a organização de um piquenique da crew para debatermos o futuro – algo que fazemos com frequência - passámos a organizar treinos semanais mas em locais diferentes com tipologias de treinos diferente. Dá uma trabalheira organizarmos isso mas com umas discussões saudáveis pelo meio, conseguimos acertar um calendário.

 

Criamos treinos de trail em Monsanto, com convidados especiais (anónimos como nós, mas VIPS no mundo da corrida, como o Fernando Xavier e o “ultra” casal David Faustino e Isabel Moleiro). O primeiro teve 50 pessoas.

Lembro-me de estar a chegar ao treino, no carro com o Nuno Malcata, e comentarmos que mais alguém, de outro grupo, organizou um treino à mesma hora que o nosso, tal o número de pessoas. Mas não, era tudo para nós. Que responsabilidade! Foi divertido, mas como estamos ali para proporcionar um bom serviço ao cliente – gratuito, claro – estávamos tensos para que ninguém se aleijasse. Foi o primeiro de muitos. Estes treinos chamam-se INTO THE WILD e tem sido um grande sucesso.

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Por causa do Trail começamos a fazer treinos de City Trail. Um conceito de explorar as cidades como se exploram os trilhos. Em vez de correr em plano, vamos para as escadas e para as colinas de Lisboa, e por vezes até levamos o material de trail running. É muito bom. Nesta altura o João Campos lança dois projetos fantásticos, o Corredor do BUS e os treinos Escadinhas & Subidinhas. Este último entrava em “conflito” com os nossos treinos de City Trail.

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 Nos City Trail passamos por alguns dos locais mais típicos de Lisboa

Mas, ao invés de sermos mesquinhos, invejosos e nos fecharmos em quintinhas, começámos a apoiar-nos mutuamente em ambos os treinos. Já chegámos a alterar datas para que não houvesse canibalização de treinos. É assim que deve ser, não? O João é uma pessoa muito criativa e generosa e nós gostamos disso. É frequente estarmos nos treinos dele e vice-versa. E assim iremos continuar.

 

17345528_E1l0w.jpegIsto é um treino do João Campos. "Animadito", não? 

 

Em maio o Stefan faz os seus primeiros 100k no Ultra Trail de São Mamede. Lembro-me que andámos todos num corrupio a ver se tudo corria bem com um dos nossos melhores atletas. E correu! No final reunimos uns trocos e levou um presente de todos. #CREWLOVE mais uma vez.

 

Resumindo um pouco para que isto não fique a parecer uma Badwater, no início de setembro apresentámos os três novos elementos da running crew: o Luis Moura que passou a correr com as cores de quem corria, efetivamente, com ele; A Liliana Moreira e o João Filipe Figueiredo, o corredor do chapéu.

 

Desde essa altura tem sido uma agitação. Começámos a “época” com a Corrida do Tejo e com mais um episódio peculiar. A organização da Corrida do Tejo lançou-nos um desafio: o de levarmos o máximo de corredores com as nossas cores. Só que nós não somos uma crew aberta, e por isso, decidimos apresentar um projeto diferente e muito debatido no seio da crew: “ajudar os corredores a superarem-se na Corrida do Tejo”. Dividimo-nos por grupos, uns apoiaram os mais rápidos a baterem o seu record, outros a baixarem o tempo na distância e outros ajudaram corredores a fazerem, pela primeira vez a distância dos 10K.

 

Uma ideia original, muito debatida com a organização da Corrida do Tejo. Conseguimos levar a nossa avante, graças à compreensão do departamento de desporto da CM de Oeiras. E ficámos contentes com isso. Foi uma ideia tão boa, tão boa, que mais grupos nos copiaram e fizeram o mesmo. No hard feelings! As ideias copiam-se, mas a criatividade não.

 

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Nesta altura, logo depois do verão, andámos a apoiar o Tiago Portugal na sua aventura na Sierra Nevada. 87km em trilhos. Uma Ultra aventura, mesmo. Novamente, ficámos agarrados ao telemóvel e ao computador todo o fim-de-semana a seguir a prova do Tiago. Prova superada, mais um ultra maratonista na crew! Yes!

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Entretanto, fizemos mais provas, de trail sobretudo,  e decidimos repetir, com mais gente, a experiência de Casainhos. Fomos todos menos a Carmo Moser que ainda hoje se debate com uma recuperação difícil de uma lesão chata. Mas está quase. Força Carmo, a nossa ultra maratonista!

 

Umas semanas antes tivemos a abordagem da Reebok para nos apoiar.

 

Eu e o Nuno Malcata tivemos uma reunião sincera a indicar que não abdicávamos do nosso bem mais precioso: a liberdade! E a marca percebeu. Assim, ficou acordado que até finais de 2014 iriamos aparecer em algumas provas e treinos de equipamentos Reebok. Não há dinheiro envolvido, só equipamentos.

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Eles dão-nos alguma visibilidade, nós testamos os materiais em primeira mão. A ligação a outras marcas continua. Estamos a testar marcas novas que estão a entrar em Portugal, alguns de nós vão ter desafios apoiados (em material, exclusivamente) por outras marcas concorrentes da Reebok. E, se visitarem o nosso blogue, veem que os conteúdos continuam independentes e diversificados.  

 

Entretanto a Bo e o Nuno Malcata vão ao UTAX, à prova de 45K. E apesar do esforço, tornaram-se ultra maratonistas. Mais dois ultras que se juntam ao Stefan, Pedro, Tiago, Carmo e Luís.

 

Falando no blogue, extensão mediática da crew, este continua a crescer diariamente. Alguns de nós têm uma envolvência com os assuntos da crew que é digna de um segundo emprego. E sem haver dinheiro nenhum envolvido. Todos corremos, todos amamos correr. Mas publicamos os posts com organização e planeamento, como se um site de informação sobre corrida se trata-se Aliás, fomos nós que fizemos a primeira entrevista à ultra maratonistas Anna Frost, a par da TSF Runners. Podem reler aqui.

 

E estamos, cada vez mais a apostar em sermos media partners de provas, sobretudo de trail running, e estamos a crescer em termos de visibilidade. Mas continuamos a manter a génese de uma crew indie que foi fundada por amigos apenas com o propósito de se divertirem e correrem, muito. Contudo, temos mais preocupações, somos exemplos verdadeiros de superação, de vidas saudáveis, com boa alimentação (ajuda termos duas nutricionistas na crew), e com respeito pelo próximo. De uma brincadeira, passamos a ser figuras semi-públicas na área da corrida, e não só, e queremos ser bons exemplos quer na família ou no emprego.

 

Apesar da organização de tudo o que fazemos ser sempre imaculada, continuamos a ser muito amadores, no sentido em que fazemos o que amamos.

 

E, cada vez mais temos mais amigos, amigos do peito que partilhamos, para além do núcleo dos 16, a paixão pela corrida. Por isso, ontem, sexta-feira comemoramos os nossos 2 anos de existência de crew com os amigos mais próximos num jantar em Lisboa. O mais engraçado é que nem eu nem o Bruno Andrade conhecíamos todas as pessoas que foram ao jantar. Pessoas que não são da crew, que até correm com outros grupos, mas que gostam de nós, que vão aos nossos treinos e que partilham provas connosco.

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E temos tido, cada vez mais, pedidos de pessoas que querem correr com a nossa t-shirt. Algo que estamos a ponderar, mas, mais uma vez a avançar será feito de forma original. A génese da crew é para manter e nos próximos meses dificilmente o número de membros irá aumentar. Somos muito amigos uns dos outros, já partilhamos a nossa vida para lá das corridas e somos muito cuidadosos com os nossos valores. Por isso, somos uma crew fechada.

 

Mas iremos evoluir, naturalmente, mas isso não passa por sermos um projeto de massas. Somos diferentes. Quem nos vê de longe deve achar que somos uma cambada de snobs. Apareçam nos nossos treinos e tirem as vossas conclusões. Eu acho que é carisma, mas posso estar a exagerar…

 

Entretanto, desde 15 de novembro de 2012, passaram dois anos a correr. Muita coisa se passou mas parece-me que ainda estamos naquela fase em que o corredor desperta os músculos das pernas antes da partida para correr uma ultra maratona.

 

Quem diria, Bruno Andrade, quem diria…

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publicado às 11:00
editado por Nuno Malcata às 12:01

1DSC00243.JPGPor Luís Moura:

A Under Armour teve a gentileza de nos enviar para testar o seu novo modelo Engaged, que é uma sapatilha igual à que está a concurso neste momento no nosso blog e que um dos 4 felizardos vai levar como prenda por ter mais likes na foto.

A sapatilha chegou numa caixa standard e com a protecção normal de transporte, papel envolvente e aconchoamento interno para não deixar perder o formato do pé.

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As sapatilhas tem muito bom aspecto, são extremamente leves para o que estou acostumado a usar nos trilhos e em treinos no alcatrão, pesam apenas 220 gramas, e apresentam uma robustez interessante em pontos chaves.

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Borracha parece interessante para correr rapido e vamos ver como se comporta nas proximas semana enquanto treino para a Maratona no inicio da proxima Primavera.

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Boas corridas !

 

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publicado às 02:30
editado por Correr na Cidade a 20/11/14 às 18:53

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Por Filipe Gil:

 

E este terceiro capítulo da história do Correr na Cidade começa com a terceira edição das Just Girls. E para mim foi a última! Quer dizer, não foi, mas mal acabei o “evento” e todas participantes se foram embora disse para a minha mulher: “Nunca mais, nunca mais volto a fazer isto”.

 

A razão era óbvia, embora ninguém tivesse notado. Nada correu mal, mas apenas por sorte. Por impossibilidade pessoal e profissional dos restantes elementos da crew fiquei a fazer este Just Girls sozinho. A minha mulher estava lá, mas foi para correr com as nossas convidadas.

 

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Sozinho, recebi as corredoras, entre as quais a atleta profissional Ercília Machado que deu o treino, recebi os representantes das marcas que gentilmente nos ofereçam produto. Tirei fotografias, andei com o automóvel de um lado para o outro - de Algés à Ponte 25 de abril e vice-versa - para apanhar bons momentos para fotografar. No final todas ficaram contentes, e apenas uma pessoa ficou sem todos os gifts, curiosamente a Joana Malcata – que ainda não era da crew.

 

Achei que não valia a pena estar a esforçar-me tanto para uma coisa que só por sorte correu bem e que poderia colocar o profissionalismo e dedicação que meto em tudo o que faço. Isso nunca! E assim saí dali com a ideia que tinha sido o último.

 

E começa aqui alguma desilusão com a running crew, não com os elementos, mas com a definição do grupo e o seu propósito. O blogue continuava bem, cheio de assuntos, de comentários, de reviews de produtos, etc. Mas e a crew? O que se podia fazer mais? Por outro lado o meu objetivo nunca foi massificar a crew, abrir a muitos mais elementos, por outro não conseguia dispor de mais tempo (família e trabalho em primeiro lugar, sempre!) para correr e melhorar a minha performance na corrida. E se há desporto em que temos de ser verdadeiros é na corrida! Não se consegue mentir na corrida, dizer que corremos e depois não corremos é das mentiras mais curtas que conheço. E os corredores não gostam que se minta com a performance. Nunca!

 

Entretanto, o Pedro, Tiago e Stefan, que tinham entrado há pouco tempo na crew começaram a dar um novo impulso ao grupo, sobretudo na performance nas corridas. Apostaram no trail running e, de um momento para o outro, vi-me também apaixonado pelo trail. E inscrevi-me para Casaínhos, um trail de 15K simples, perto de Lisboa e que me pareceu o ideal para começar.

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O Pedro Luiz a iniciar uma descida em Casainhos

16568062_zmgMZ.jpegOs 4 cavaleiros do Apocalipse do Trail Running, a representar a crew nos trilhos. E aqui estreamos a nova t-shirt da crew, em tons de azul, para gáudio do Bruno Andrade


Entre esta inscrição e a corrida propriamente dita, fiz a Night Run em Lisboa. Uma corrida banal, igual ou pior que a São Silvestre de Lisboa, que tem mais carisma. O único apontamento de relevo foi ter conhecido, momentos antes da partida, e pessoalmente, o Nuno e a Joana Malcata. Falamos muito pouco, mas finalmente conhecia quem era o Nuno e a Joana das corridas de quem a minha mulher me falava nas últimas semanas.

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Voltando ao trail de casainhos, este correu muito bem. Só que no final da prova senti fortes dores no pé direito e semanas mais tarde descobri que estava com uma Fascite Plantar. Uma “querida” que só me largou lá para Fevereiro do ano seguinte (já em 2014). E foi-se embora mais cedo graças à Dr.ª Sara Dias que se prontificou a curar a minha maleita. E conseguiu!

 

De Outubro a Fevereiro apesar de pouca coisa ter acontecido com a crew, muita coisa se passou na minha cabeça. Faria sentido continuar com a running crew? Vi o projeto Correr Lisboa a crescer, a conseguir reunir mais de uma centena de pessoas em Lisboa de forma profissional nos seus treinos solidários, e eu achei que não devia ir pelo mesmo caminho. Seria fácil replicar, copiar, ir atrás do que eles estavam, e bem, a fazer. Mas eu não sou assim. Gosto de coisas originais e nunca na vida iria fazer copy paste de algo já criado, sem, pelo menos lhe dar alguma inovação.

Entretanto, os projetos Correr na Cidade e Correr Lisboa começaram a afastar-se, e quem diz os projetos diz as pessoas. Eles vincaram a sua vertente mais profissional e fizeram o seu caminho. Começaram a afirmar-se como blog, entraram para o Clix, passaram a ser a equipa oficial da Adidas, tiveram a apadrinhamento dos bloggers mais importantes cá do burgo, e a partir daí o afastamento aconteceu. Qual a razão certa confesso que não sei apontar. Mas não há que disfarçar que hoje em dia há uma certa rivalidade salutar, e vou sublinhar, s a l u t a r, entre os dois projetos. O que até é giro. Há gente amiga dos dois lados que se dão bem e há outros que nem tanto, mas os projetos são diferentes, tal como as pessoas são diferentes. Nós somos e sempre seremos mais “Indie”. Ou para para ilustrar melhor, nós somos a Apple e o Correr Lisboa é a Microsoft. Perceberam?

 

Em janeiro, depois das férias e quando a minha lesão melhora e comecei a voltar às corridas, senti que a crew devia crescer e que deixasse de ser a crew do Filipe Gil, para ser de mais pessoas. Para mim era urgente! O Pedro Luiz ajudou muito nesse aspeto e o Tiago começou a perder a timidez inicial e começou a dar mais ideias e a aparecer mais.  

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Palmilhas para pronadores. As minhas melhores amigas desde então.

 

Não sei porque raio, dei por mim mais motivado e a decidir que tínhamos de crescer mais.

Convidei o Nuno e a Joana Malcata, que prontamente aceitaram, e houve ali uma empatia muito grande com ambos; o Nuno Ferreira perguntou-me se o convite que lhe tinha feito uns meses antes ainda se mantinha de pé e juntou-se. E ainda aceitei a auto candidatura da Bo Irik. O processo da Bo foi engraçado. Um dia coloquei no facebook que a crew precisa de mais mulheres, e recebo uma mensagem dela, no Facebook do Correr na Cidade, isto em finais de novembro, talvez, a perguntar se podia juntar-se a nós, à nossa crew. Pedi-lhe paciência e que quando decidisse abrir a crew voltava a falar com ela. E assim foi. Umas semanas mais tarde a Carmo Moser definiu-nos como a crew mais cool de Lisboa e arredores, e em resposta enviei-lhe um convite, prontamente aceite.

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E em meados de janeiro eramos já 13 elementos: Eu, Natália, Nuno Espadinha, Bruno Andrade, Ana Morais, Bo Irik, Carmo Moser, Joana Malcata, Nuno Malcata, Pedro Luiz, Tiago Portugal e o Stefan e o meu primo Pedro, que mesmo assim se manteve mais afastado.

16567042_nwTgQ.jpegApenas falta a nossa Carmo Moser para a crew estar completa, isto em fevereiro de 2014, foto dela abaixo. 

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A partir de Janeiro a história da running crew nunca mais foi a mesma. Aliás, nunca voltará a ser a mesma. Mas amanhã, no último capítulo saberão o porquê.

 

Boas corridas.

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publicado às 14:00
editado por Bo Irik às 15:41

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Por Nuno Espadinha:

 

Foi com algum receio e expectativa que fui ao Arrábida Ultra Trail 2014 na distância dos 23Kms, desde a Lousã em Junho que ando em "modo teste" no trail!
 
Na quarta-feira anterior tinha sido sujeito a uma pequena intervenção cirúrgica, a marcação foi na segunda-feira e era impossível adiar, a primeira pergunta que fiz à medica foi "tenho uma corrida de Trail no Domingo, posso ir?", ela disse que sim e lá a deixei avançar!
 
No fim-de-semana anterior tínhamos estado, quase, todos da Crew em Casainhos e tinha-me corrido bem o que ajudou a "levantar" a moral em relação ao Trail, bastante em baixo desde a Lousã em Junho.
 
E assim lá fomos outra vez uma "armada" da crew e os amigos do costume (João Gonçalves, Patrícia Mar, Margarida Santos, Rui Pinto entre outros que fomos encontrando na partida) enfrentar mais uma prova! Estreias em trail para o Rui Pinto, grande prova, e o Luis Moura para a distância de 80Kms a estrear-se também com um brilhantíssimo 10º lugar! Para além disso estava a ver se quebrava um "enguiço" entre mim e o Stefan Pequito, quando vamos os dois à mesma prova de trail a coisa corre sempre mal a um de nós, em Casainhos fez parte do grupo dos primeiros que se perdeu devido a falhas de marcação do percurso...
 
De resto acompanhei, ou tentei acompanhar, os suspeitos do costume, a Bo Irik e o Filipe Gil.
 
O ambiente antes da prova estava fantástico entre todos! A prova começou rápida e bem disposta, quem corre com a Bo Irik já sabe como é, e eu e o Filipe também vamos sempre na galhofa do costume, um diz mata o outro diz esfola.
 
Mais à frente a primeira subida e a filinha indiana do costume, foi quando comecei a pensar que ou "vai ou racha" e um "vamos lá a ver se os treinos de subidas no Restelo e o "Escadinhas e Subidinhas" do João Campos vão produzir efeitos". E deram!
 

foto de margarida santos.jpg

Estive bem nas subidas, pelo menos à minha maneira, no meu ritmo e sem exageros. Não cheguei esgotado ao fim de nenhuma delas, consegui gerir bem, como tanto gosto, o meu esforço a subir... a descer é que preciso de melhorar e bastante especialmente na parte final!
 
Aproveitei também para testar os meus limites em termos de alimentação dou-me muito mal a comer e correr, e basicamente "cortei-me" a comer coisa que tenho que trabalhar se quero fazer os 50kms do Piódão! Apenas comi do que levava comigo um gel, mel, água e não foi toda, algum sal que o Filipe partilhou comigo e nos abastecimentos 4 cubos de marmelada pouca água e um copo de isotónica e no fim nas ultimas descidas paguei isso com alguma falta de energia, podia de facto ter comido mais.
 

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De resto a prova é fantástica, muito rolante, paisagens lindíssimas e lama, lama e mais lama! Os trilhos mais estreitos permitiam a quem queria e podia rolar rápido, as descidas eram muito boas, a Bo e o Filipe parecem dois foguetes a descer, meu Deus...., e algumas bastante técnicas por causa da lama e dos sulcos que as chuvas dos dias anteriores escavaram, algumas com mais de meio  metro de profundidade!
 
Fizemos a prova os três juntos ajudando-nos mutuamente, no fim bem puxaram por mim e acabámos os três ao mesmo tempo. 
 
Reconciliei-me com o trail, pelo menos nesta distância, agora é ir "subindo" nos quilómetros para chegar aos 50 do Piódão!
 
Ps: O Stefan acabou em 10º enguiço quebrado! :)

 

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publicado às 00:30
editado por Luis Moura às 01:07

Por Filipe Gil:

 

Lembro-me que, depois da Meia Maratona de Lisboa, sentimos que a crew devia crescer, vimos muitas equipas na prova, muitas t-shirts iguais de gente organizada e que corria muito. E sentimos que também podíamos lá chegar. No entanto, à medida que me ausentava mais de casa para as corridas, começava o meu desafio principal: convencer a minha mulher a correr também.

 

Ela de início não queria, afirmava que nunca iria conseguir, que era mais adepta das caminhadas e que odiava correr. Até que, competitiva como é, começou a ver outras mulheres a correr (algumas delas com peso a mais), e vai daí começou também a correr, aos poucos. Mas, nestas coisas, começar é o mais fácil e manter é o mais difícil. E foi aí que tive a ideia de criar um treino só de mulheres para mulheres, sem homens a interagir de forma a motivá-la para continuar a correr. O primeiro treino reuniu umas 14 mulheres que correram em conjunto uns 8kms. E a minha mulher lá no meio com a tshirt da crew, em cor de rosa, tal como "exigiu", e bem. Nascia assim a parte feminina da crew.

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Na foto de amarelo  a Joana Malcata e Ana Morais e de verde a Carmo Moser. A minha mulher com a tshirt rosa da crew


Este primeiro treino nem se chamou “Just Girls” mas sim “Girls Only”. O sucesso foi tal que passado umas semanas fizemos outro treino, com cerca de 30 mulheres e sim já com o conceito “Just Girls” e com umas ofertas no final. Lembro-me de gifts da Becel, da Cocomax, da Pharmonat, Compressport. Curiosamente, neste treino voltaram a participaram a Joana Malcata, a Bo Irik, a Carmo Moser e a Ana Morais, todas que após uns largos meses mais tarde se juntaram à crew. Mas já lá vamos. Entre a Meia Maratona e os Just Girls ainda se passaram coisas interessantes.

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No segundo treino, com ofertas, está a Carmo, a Ana Morais, a Joana Malcata, a Natália e a Bo Irik.

À medida que fui criando o blogue senti a necessidade de criar um produto editorial e, quem sabe, ter alguma receita financeira. Daí criei, em conjunto com o designer Luís Gregório, a revista Skywalker. Perdoem-me os meus amigos jornalistas que escrevem sobre corridas, mas um ano e pouco depois, não encontro em Portugal produto editorial dedicado à corrida de uma forma tão criativa e interessante. O projeto morreu porque as marcas não estavam dispostas a investir dinheiro e porque não arranjei ninguém para andar a bater às portas de um eventual financiador. O projeto está assim congelado, mas que faz sentido existir, faz. Vejam os dois números aqui e aqui.

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Voltando ao dia da Meia Maratona foi aí que conheci, pessoalmente, o Nuno Ferreira, fotógrafo profissional, habitante de Santarém, que tinha uma equipa para as suas bandas. Foi das pessoas com quem mais falei de corrida até hoje. E, fica a dica, é dos melhores fotógrafos de casamentos que conheço. Fiquei contente de o conhecer, mas com pena de ele já ter equipa. É que para além disso tudo, ele corre muito e é um grande atleta. Tanto que na partida da Meia de Lisboa disse-nos adeus e nunca mais o vimos, nesse dia.

 

Entretanto, um belo dia, chega a minha casa uma caixa de ténis da Skechers. Pensei que se tinham enganado. A marca da Skakira a enviar-me ténis para correr? WTF??? Abri a caixa vi o amarelo quase florescente dos GoRun 2 e fui correr com eles, desconfiado. Após as primeiras passadas foi amor à primeira vista. Adorei a sensação de correr com minimalistas.

 

Umas semanas mais tarde, depois de eu e o Bruno Andrade termos feito uma dieta em direto no blogue, ao longo de semanas, e de termos crescido em views e visitantes, decidi fazer uma apresentação pública do projeto Correr na Cidade.

 

Assim, com a ajuda dos amigos Fernando e Ana da Cowork Lisboa com o apoio da Skechers (que convidei como agradecimento pelo envio dos ténis/sapatos de corrida/sapatilhas) fiz uma apresentação que decorreu no IADE da Rua do Alecrim, e que foi precedida de uma corrida ligeira de, aproximadamente, 5K. Foram cerca de 40 pessoas, talvez menos, sou péssimo a contar pessoas nos treinos, nem acho que seja muito importante. Desde elementos do Portugal Running, aos amigos mais próximos da crew, até a minha mãe, foram algumas as pessoas, e lá estava o Tiago Portugal, acompanhado da irmã, ele que se tornou, mais tarde, um dos membros mais ativos da nossa running crew.

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Nesse dia convidei o Bruno e a Sandra Claro para aproveitarem a minha apresentação e o local e, também eles, apresentarem o seu projeto que dias antes tinha encontrado na net sem querer: o Correr Lisboa, uma rede social para corredores. Fui a primeira pessoa a entrevista-los para o blogue e a conhecer de perto o casal. Percebi que era um projeto com pés e cabeça e que podia aumentar a perceção de que o mercado de running estaria a crescer em Portugal, e ter volume.

 

Nesse dia, também, a TSF Runners entrevistou-me. Estranho um jornalista ser entrevistado por um colega, mas percebi aí que o projeto fazia mais sentido que nunca. E não, nessa altura não tínhamos treinos fixos e eramos, se não me engano, não mais de sete pessoas.

 

Isto foi em abril, altura em que eu, Bruno e Nuno Espadinha, já bem mais magros, fomos correr a Scalabis Night Race, a primeira edição. Fomos media partners e o nosso logotipo fez parte da t-shirt oficial. Impulsionado por isso ou não, fiz o meu melhor tempo de sempre (até aos dias de hoje) de 10K em 49 minutos. Nesse dia levamos a família connosco para nos ver correr. Foi fantástico. E foi ali, em Santarém que conheci pessoalmente o João Campos, com quem já interagia no Facebook. Não, ele não faz parte da nossa crew, mas é um grande amigo.

 

Daí até setembro marcamos vários treinos, comecei a ver que as pessoas de facto liam mesmo o nosso blogue, que apareciam nos treinos com os mesmos ténis que usávamos A Skechers continuava a mandar ténis e, mais tarde, a Adidas também. Fizemos um segundo treino oficial, a 4 de maio, com muita gente, ao que se juntou a equipa do Correr Lisboa, que evoluia de rede social para equipa, e alguns elementos da Scalabis, para além  de outros em nome individual, como a amiga Bárbara Baldaia, repórter da TSF.

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Tanto eu como o Nuno Espadinha começamos a ter uma aproximação ao Bruno Claro, e vice-versa. Ele sempre atento ao mercado do running, já tinha mais conhecimento das diferentes crews e grupos que eu. Fui das primeiras pessoas a ouvir falar da ideia das Secret Run, que achei umas das melhores ideias da altura dentro do running. Apesar de não ser aquilo que pretendia para a minha crew, apoiamos o projeto. Aliás, fui guia, com gosto, de uma apresentação pública no Parque das Nações ao lado do conhecido blogger, e meu colega jornalista, O Arrumadinho – hoje em dia um dos principais padrinhos do projeto Correr Lisboa.

 

Entretanto, o Pedro Tomás Luiz começa a aparecer nos nossos treinoos; ele em conjunto com o Tiago. Mas o Pedro foi mais afoito e começou logo a falar comigo – eu que não sou nada simpático para quem não me conhece bem. Gostei muito dele, logo de início. Um corredor fantástico que calça 48, tamanho europeu. Um outro nível de passada. Lembro-me de contar os meus passos e os deles, quando corríamos lado a lado…sem comentários!

 

Pessoalmente estava a entrar em forma, o Nuno Espadinha também, o Bruno Andrade continuava lá à frente de nós. Mas entretanto num domingo de madrugada recebo aquele telefonema que todos nós tememos receber, o meu pai, saudável, e novo (68 anos), morria com um ataque cardíaco súbito enquanto fazia uma das coisas que mais prazer lhe dava: dançar. E se o fazia bem.

 

Só consegui correr quatro dias depois do funeral. Dei umas passadas e entrei em pânico, pensei que ia ter um ataque cardíaco também. Parei durante uns dias fiz os testes todos que um corredor deve fazer e decidi naqueles dias que um dia tinha que fazer a Maratona. Porquê, não sei. Mas nem que fosse para os meus filhos terem orgulho no pai. E no pai do pai deles.

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No início de agosto tivemos a visita dos Amsterdam Running Junkies. Num treino de 10K das Docas a Algés, e respetivo regresso. Grandes corredores que eles são. A Carmo Moser voltou a aparecer para corrermos juntos, e o Pedro Tomás também. E já andava a correr connosco o Luís Moura. Aliás, desde a primeira hora que corri muitas vezes com o Luís. 

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Mas esse verão foi estranho. Continuei a correr, quase sempre de minimalistas, com a tshirt da Crew pelo Algarve. E o mesmo fizeram o Bruno Andrade e o Nuno Espadinha. Criamos umas t-shirts branca de alças e decidimos mudar um pouco o logotipo, torná-lo mais moderno e atual. Chateei o designer Luís Gregório novamente que criou o logo que é hoje o que ainda usamos, com muito orgulho.

 

Depois das férias, o calendário estava cheio de corridas, a minha mulher entretida com as Just Girls e a começar a correr mais. Nesse verão no Algarve corremos juntos algumas vezes, o que era, e é, uma raridade - dois filhos pequenos assim o obrigam. Ela estreou-se em provas oficias em Junho na Corrida da Mulher, mas foi na Corrida do Destak que começou a correr mais a sério. A ela juntou-se a Ana Morais, colega de profissão (nutricionistas), que partilhava do gosto pela corrida e que já andava pelas Just Girls. A partir daí, a Ana juntou-se à crew.

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Em Setembro tivemos a Meia Maratona do Porto. Fiz o convite formal para o Pedro Tomás Luiz pertencer à nossa crew. Fizemos um acordo pontual com a Skechers de umas quantas corridas vestidos e calçados de Skechers, e lá fomos; eu, o Bruno e o Pedro. O Nuno Espadinha tive um problema de última hora e ficou em Lisboa a fazer a Corrida do Tejo, para o substituir o primo do Bruno Andrade vestiu a nossa tshirt. Na véspera desse dia conheci o Stefan Pequito, que se estreou na distância com um tempo abaixo da 1h30. Animal! Foi o que pensei. Daí a umas semanas pedi ao Pedro para convidar o Stefan e o Tiago, agora oficialmente, para entrarem para a crew.

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E depois tivemos a Meia Maratona de Lisboa. O Stefan estreou-se com a nossa tshirt na Maratona de Lisboa. E o Nuno Ferreira, apesar de não pertencer (ainda) à crew, também se estreou na distância.

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A partir daqui e até janeiro a história é mais complicada, foram os tempos mais difíceis até ao momento, para a crew, mas amanhã ficarão a saber porquê.


Até amanhã.

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publicado às 14:00
editado por Bo Irik às 15:50

 

Uma das coisas que mais gosto no trail, é o espírito de sacrifício, humanitário, de entreajuda, que os atletas demonstram perante os outros.

No passado domingo, apesar de ter feito só os 15km do Arrábida Ultra Trail 2014, estes foram cheios de alegria e entreajuda.

Estando eu em baixo de forma, tenho sido (quase) sempre a última a passar a meta. Demasiadas lesões, excesso de peso, falta de treino, tudo ajuda. E para me ajudar mesmo, basicamente obriguei o meu marido Nuno Malcata a ir comigo ao mini-trail. Assim, nem eu estava parada, nem ele se esforçava muito, e poupava os joelhos.

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Logo no inicio, grandes descidas que me deram ânimo: afinal não fico em último! Mas rapidamente começam as subidas, e a ser ultrapassada em grande velocidade.

Comigo para trás, começa a ficar a João: experiente em caminhadas, caloira em trail e “enganada” pelo marido que a inscreveu, por serem “apenas” 15km (coisa pouca!). Não imaginou ela que os "apenas" 15km, seriam a subir e descer a serra, com lama, pedras, silvas e, pequenos riachos nascidos da chuva.

O nosso lema na Crew, é que ninguém fica para trás, e não deixamos a João ficar para trás. Fosse com palavras de ânimo, fosse com um pequeno empurrão, a partilha de isotónico e gel, lá fomos de quilometro em quilometro, até à meta.

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O Nuno, armado em “pulga saltitante”, andava e saltava para trás e para a frente, sempre de gopro na mão, a filmar e a tirar fotos a quem por ali andava. Não parou um minuto (fez 20km, garantidamente!). É um chato de primeira: “não pares!”, “Anda para a frente”. “Já disse que as descidas são para correr.” É um chato... mas eu amo este chato, e sem ele não teria sido a mesma coisa. Também ele abdicou por mim, e esteve lá para me apoiar.

É o que o espírito de Trail consiste. Não foi a minha prova, mas a nossa prova. No final, conseguimos chegar à meta, todos juntos.

Adorei o percurso preparado pela Organização da AUT, apesar de ir com algum receio, melhor, um certo respeito pela Serra da Arrábida. Tudo bem identificado, os voluntários sempre prestáveis e com um sorriso nos lábios.

Cruzar a meta e ter uma bela refeição quente para nos reconfortar, foi das melhores surpresas que tive na prova!

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Para o ano, podem contar comigo, mas desta vez nos 23km!

Boas corridas!

 

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publicado às 08:00

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Por Filipe Gil:

Como alguns de vós sabem o Correr na Cidade Running Crew fez no passado dia 15 de novembro dois anos de existência. Como um dos fundadores publico a partir de hoje e até sábado umas linhas sobre a breve história desta running crew.

Tudo começou com o blogue Correr na Cidade, criado em Abril ou Maio de 2012 – confesso que não me lembro bem. Através da minha mulher conheci o Bruno Andrade, e entre os vários assuntos que conversamos em cafés e encontros com os filhos à volta, a corrida veio à baila. A maior experiência do Bruno que já tinha feito uma Meia Maratona, e que já tinha corrido com um grupo de corredores mais experientes, levo-nos a combinar umas corridinhas juntos e nessa altura comecei o blog. A paciência enorme do Bruno, que já tinha experiência de corrida, ao aturar-me, que arfava ao fim de 8km é de sublinhar. Se ele não tivesse insistido, provavelmente não estava aqui a escrever estas linhas. 

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Os meus velhinhos Nike Zoom. Na altura nem sabia o que significava a palavra pronador, mas já percebia de estilo (cof, cof, cof) 

 

Às nossas corridas de fim-de-semana, a que rapidamanete acrescentamos corridas durante a semana, sobretudo durante o verão, começaram a juntar-se mais alguns amigos, o Nuno Espadinha e os meus cunhados. Começamos a correr juntos mais assiduamente até que decidimos participar na Corrida da Selecção promovido pelo extinto BES, precisamente no dia em que Portugal se estreava no Europeu de 2012 com uma derrota frente à Alemanha. Foram cerca de 8km desde Oeiras até ao Estádio Nacional em Junho de 2012. Foi a minha segunda prova oficial – a primeira tinha sido a Meia Maratona de Lisboa em 2008 feita em conjunto com a minha cunhada Rosária.

 

Vi-me e desejei para a fazer e correr a subida final no Jamor que acaba no Estádio. Já na pista tive que andar. Fui fraco. Já o Bruno Andrade acabou fresco como uma alface, e atrás de mim veio o Nuno Espadinha a debater-se com os quilos a mais da na altura. Mas este episódio foi muito importante, percebi que a corrida tinha vindo para ficar, adorei o ambiente e o desafio psicológico de correr. Gostei muito da curiosidade intrinseca nas corridas. 

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Eu, Bruno e Nuno, todos com peso a mais...

 

E foi essa mesma curiosidade que me fez procurar cada vez mais informação sobre corrida, running crews, grupos de corrida. E, defeito meu, comecei primeiro a olhar para fora, para o estrangeiro, do que para o que se faz em Portugal. Conheci, através da net os Run Dem Crew, os nova iorquinos Bridge Runners, que mais tarde se dividirem em Black Roses NY, os Patta Amsterdam, os fantásticos NBRO, etc.

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 Os NBRO  de Copenhaga com os Run Dem Crew de Londres. Só gente "cool"

A sua abordagem “cool”, “indie”, depreendida, criativa pela corrida fez-me sonhar e inspirar em fazer algo parecido em Portugal, ou em Lisboa, para ser mais verdadeiro. Li posts e sites de corrida  “de fio a pavio”, descobri publicaçõesdiferentes e percebi uma abordagem diferenciadora e um cuidado com a imagem fantásticos.

 

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A nipónica Corner Magazine, que infelizmente só teve dois números editados.

 

Percebi que havia jornalistas, criativos, pensadores, escritores, músicos, fotógrafos, designers que se tinha apaixonado pela corrida, que “deixaram” que a corrida entrasse e mudasse as suas vidas. Se até o trend setter Tyler Brulê – criador da Wallpaper e diretor da Monocle, da qual sou fã, corre diariamente e tem orgulho nisso, se o fantástico Malcom Gladwell corre, e muito. Se o Murakami escreveu um fantástico livro sobre corrida (o meu preferido). O "mojo" da corrida apoderou-se de mim. 

 

Nessa altura estava a sair de um projeto do qual tenho o maior orgulho ter sido um dos fundadores, o Jornal Pedal. E isto tudo fez crescer em mim o gosto pelo running, ajudado pelo exemplo do  Bruno Andrade, que foi a minha primeira inspiração para correr. Passadas umas semanas lancei-lhe o desafio: e se começássemos a correr com a mesma camisola, com o mesmo nome, com o mesmo logótipo, e criassemos não um grupo de corrida, não uma equipa, mas uma running crew? O Bruno que não é de comunicação, olhou para mim com alguma desconfiança. Ainda hoje estou para perceber se achou piada à ideia ou se achou que eu era um louco.

 

Continuei a pesquisar e daí descobri dois grupos que me inspiraram, desta vez em terras lusas: os Run4Fun e os Scalabis Night Runners. Grupo de corrida fechados com uma postura que me agradou. Por dias, antes de formar a crew, ainda pensei pedir afiliação ou a uns ou a outros. Mas achei que tinha alguma capacidade de criar um crew mais à imagem do que se fazia lá fora  e que, pelo menos, seriamos três ou quatro, uma multidão, portanto a correr com algo novo e original.

Assim, e depois de umas corridas, lá convencia o Bruno Andrade  e formarmos a Correr na Cidade Runnig Crew e coloquei no blog o seguinte:

“Hoje, dia 15 de novembro é o dia de fundação da Correr Na Cidade Running Crew, e este blogue passa a ser também o blogue de uma runinng crew – para além da sua função normal de blogue sobre corridas. Os fundadores da running crew sou Filipe Gil e o Bruno Andrade". 

 

O nome não foi fácil e pensamos em várias coisas, mas achámos que devia ter o nome do blogue, até para dar a conhecer este a mais pessoas e porque o nosso propósito era de ser um movimento urbano, de corrida nas cidades - nesta altura não fazia a mínima ideia o que era trail running... O Bruno, nesta altura começou, amiúde, a escrever para o blogue também. Pedi a um amigo designer – que ainda está com o projeto do Jornal Pedal – o Luís Gregório para fazer um logotipo para a crew.

 

Queria que não tivesse uma cor oficial mas sim várias e que poderiam mudar consoante as estações do ano, mas que fosse urbano – como o nome da crew –  com bom gosto, meio "indie" e diferente de tudo o que havia. Ele deu-nos duas opções a escolher. E escolhi este nas diferentes versões de cor.

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 O logo nas diferentes cores que poderiam ser utilizadas conforme nos desse na "real gana"

 

A primeira prova que fizemos com tshirts brancas e de CnC Running Crew ao peito foi nos 20Km de Cascais – se não me engano. A ideia de nos preparar para a uma Meia Maratona em Março de 2013, começou a ganhar terreno. Convencemos o Nuno Espadinha a pertencer à crew e na altura o meu primo Pedro Gaspar e os meus cunhados Osvaldo e Rosária. Curiosamente, estes três, por diversas razões estão afastados das lides da crew, mas com porta aberta sempre que desejarem.

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A primeira tshirt do Correr na Cidade. Quando as Kalenji ainda tinham qualidade...

E a partir daí a crew e o blogue começaram a aparecer nas corridas e começamos a trocar mensagens com algumas crews internacionais e nacionais, sobretudo, em Portugal, com os Scalabis Night Runner.

 

Para a Meia de Lisboa fizemos t-shirts novas, encarnadas (apesar do Bruno preferir em azul, desejo mais tarde satisfeito), que serviram para o baptismo dos 21K para mim e para o Nuno Espadinha e para o regresso à distância do Bruno Andrade. E correu bem. Quer dizer, podia ter corrido melhor, mas só serviu para aumentar a paixão pela corrida e sentirmos que estavamos a criar uma coisa engraçada. Isso e muitas bolhas nos pés.

16570297_nkQnM.jpegMúsica, apps, headphones e bolhas nos pés.A crew vencia a distância da Meia Maratona!


Amanhã volto a mais um capítulo.

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publicado às 14:00


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